Mexendo com “Anjos e Demônios”…

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ANJOS E DEMÔNIOS – O LIVRO

Relendo a trama percebo, cada vez mais, o poder por trás das palavras bem colocadas, porém, mais que isso, o poder que pode exercer um Romance no qual estejam inseridos verdades ou fatos associados à ficção, de modo que essa esteja separada da realidade por uma linha tão tênue que o leitor desavisado (eu poderia usar o termo ignorante em vez de desavisado) acaba formando um conceito muito próximo do verdadeiro, contudo longe o suficiente para que ele tenha uma visão da realidade distorcida e, certamente, muito bem manipulada.

ANJOS E DEMÔNIOS mostra uma história empolgante cheia de suspense, drama e ação; transforma uma pessoa comum, ainda que seja um intelectual – Robert Langdon – em herói e, analisando com cuidado, o autor vai fazendo com que cresça em conhecimento que o tempo inteiro parecia não ter; vai fazendo que demonstre força incomum aos heróis de ocasião e coragem que nem de longe um ser humano, que não tem no passado qualquer resíduo que justifique um aflorar tão instantâneo, possa ter!

Mas assim são os romances escritos por americanos que, não raro, mostram a “superioridade” americana sobre os outros terráqueos, a ponto de conceder a esses seres superiores, no decorrer do enredo, qualidades inverossímeis ou impossíveis, se o leitor comum assim o preferir…

A desmoralização do Catolicismo e, portanto, do Cristianismo é o pano de fundo!

ANJOS E DEMÔNIOS abre cofres de segredos, que há muito já não são tão secretos assim, acerca da atuação de uma igreja corrompida e destituída de verdadeiros valores espirituais, restando, todavia, um ou outro Remanescente que ainda acredita que Alguém lá fora, de fato existe e tem interesse na humanidade, essa raça auto destrutiva que para provar o improvável nunca se exime do prazer de criar instrumentos de destruição em massa e, aqui já menciono os “cientistas” que Dan Brown, o autor de ANJOS E DEMÔNIOS, insere em seu Romance de forma tão espetacular que passa ao leitor alguma impressão de que esses têm, de fato, algum poder para mudar o curso da História de forma positiva, embora a criação científica de ANJOS E DEMÔNIOS tenha sido nada mais nada menos do que “uma prova irrefutável” de que há D’us, mas Esse é tão ínfimo que pode ter Seu poder de Criação copiado ou repetido num suntuoso laboratório e, para desespero dos personagens envolvidos, é milhões de vezes mais destrutivo do que o pior instrumento de aniquilamento que o homem conseguiu criar em toda a sua história, embora eu saiba que só não seja mais mortal do que a falta de amor…

ANJOS E DEMÔNIOS ao mesmo tempo em que esclarece coisas que para alguns podem ser importantes, como a paternidade da “teoria” – não Lei – do Big Bang, leva o leitor a uma viagem ludibriante em direção a uma vingança de um poderoso grupo conhecido popularmente como ILLUMINATI – plural de illuminatus ou iluminado – contra uma organização eclesiástica que, na verdade, jamais foi inimiga desse grupo e, pior, sempre o patrocinou de forma muitas vezes direta, com os auspícios dos incautos fiéis…
Mas qual organização religiosa não tem feito o mesmo durante os séculos?
ANJOS E DEMÔNIOS cita, por exemplo, o grande escritor John Milton, que é mais conhecido dos amantes da Poesia por sua Obra LOST PARADISE (Paraíso perdido) de 1667 que foi plagiado muitas vezes e teve seu enredo e muito de sua essência publicado em livros como Espirity of prophecy Vol 1, Patriarcas e Profetas, História da Redenção e outros… Os três citados publicados em nome de Ellen White, pretensa profeta que, ao copiar John Milton copiou um dos grandes iluminati do Século 17 e difundiu a sua mais brilhante Obra, que no original foi escrita sem rimas, mas toda em Decassílabos Heroicos, no meio de um adventismo que, ainda hoje, em sua maioria incauta, desconhece que tem lido o texto de um illuminatus crendo que está lendo uma Obra inspirada por seu D’us, e ainda corre o risco de nem conhecer a Esse D’us que professa adorar…

Por fim ANJOS E DEMÔNIOS demonstra o poder de prender o leitor, de maneira que esse, ainda seja surpreendido no final pelo grande golpe de ironia muito implícito nos antigos Romances e Novelas: o vilão é, na verdade, quem parecia ser o herói, uma redundância literária que ainda é digerida por muitos como alguém digere um saboroso… (você escolhe o que lhe parece ter o melhor sabor)…

Não vi o filme, mas quanto ao livro não recomendo a leitura, entretanto, para quem viu alguma utilidade em O CÓDIGO DA VINCI (do mesmo autor), vai se regozijar, pois esse último é uma continuidade muito apropriada de ANJOS E DEMÔNIOS…

Ronaldo Rhusso

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