Meu ponto de vista sobre a trilogia 50 tons de cinza

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Antes expor meu ponto de vista darei uma leve introdução.

     A saga 50 tons de cinza é bem conhecida no mundo inteiro pelo seu enredo sexual. Seu sucesso se dar pelo marketing bem feito para promover a história, e por também se tratar de uma “adaptação” de uma fanfiction baseada em “Crepúsculo” que fez muito sucesso na internet sob o título de Master of the Universee onde continha personagens diferentes e que logo a autora foi contata com a proposta de fazer uma releitura de sua fanfiction para transformar no que é hoje a trilogia 50 tons de cinza.

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Fonte: imagens Google

     O primeiro livro da trilogia – 50 tons de cinza – foi adaptado para os cinemas com a direção da Sam Taylor-Johnson, e nos papeis de Ana e Christian: Dakota Johnson e Jamie Dornan. E foi lançado em fevereiro de 2015 fazendo um enorme sucesso com o público internacional e nacional apesar das críticas variadas e polêmicas durante sua exibição.

     Este mês, a tão aguardada sequência – 50 tons mais escuros – chega aos cinemas numa grande expectativa tanto para o público como para as partes interessadas no faturamento, prevendo um sucesso maior que o seu antecessor.

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Fonte: imagens Google

     Neste segundo longa o marketing está sendo feito em cima de provocações misteriosas do tipo como “se entregue a algo um tom mais escuro” ou “experimente algo fora do comum”, causando fervor nas fãs. Chega aos cinemas dia 9 de fevereiro.

     Estou aproveitando esta âncora para falar sobre a trilogia literária e minha opinião sobre ela.

     O primeiro volume 50 tons de cinza, nos mostra a jovem Anastasia Steele – 21 anos, insegura, e nunca teve um namorado, recém-formada em literatura – tendo seu primeiro interesse amoroso, que é Christian Grey, o rico empresário intimidador que chama sua atenção e que ao passar da história e o entrosamento entre ambos o leitor vai se deparando com cenas de sexo explícito com linguagem chula, e ao mesmo tempo com uma relação amorosa peculiar, onde envolve o BDSM[i].

     Minha opinião sobre a trilogia é a seguinte:

     Não é apenas sexo!

     No fundo existe uma trama – mal estruturada, mal escrita e mal desenvolvida – boa, mas existe.

     Gostei dos livros porque existem dois personagens extremamente opostos e que juntos se edificam.

     Como assim, Fernando?!

     Anastasia Steele é uma mulher que recentemente chegou a sua fase adulta, acaba de se formar e tem de lidar com uma vida desconhecida por ela. Insegura, nunca teve relacionamentos sexuais com caras, apaixonada pela literatura e amante de livros de autores como Jane Austen e Thomas Hardy, é frágil por não ter experiências em sua vida. Quando ela conhece Christian tudo isso acaba por mudar, porque tudo ali é novidade para ela: a relação sexual, a atração por um homem, a paixão e seus sentimentos até então desconhecidos pela própria. Então Ana se depara numa situação em que tem de se virar para saber como lidar com tudo isso, e ao passar de sua relação incialmente abusiva com Christian, ela vai ganhando confiança nela mesma – o que é importante para uma pessoa – e começando a entender de que no seu interno existe voz e que tem o poder de aceitar o que quer e como quer; de não se deixar ser 100% submissa.

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Fonte: imagens Google

     Já o Christian é um personagem que tem uma personalidade peculiar e isso é o que chama atenção, pois o leitor nas primeiras impressões o ver como um “louco” ou “monstro”, porém esta é a imagem que ele quer passar – não sei se a autora sabia o que estava fazendo quando construiu o personagem, se sim ou se não, deu certo nessa questão. Ele tem tudo para ser o cara dos sonhos de todas as mulheres: é bonito, bem-sucedido, fundador de uma empresa, quase nos trinta, dono de uma imensa fortuna e uma personalidade reservada. Sim, tudo isso é atraente, porém são superficialidades.

     O Grey tem uma alma em vários tons mais escuros, ele é um homem destruído por dentro por causa de seus traumas de infância, onde desde cedo vivenciou a crueldade humana quando teve de ficar preso com o corpo de sua mãe morta apodrecendo, logo causando um estado catatônico nele que foi adotado por um casal rico e que aos poucos foi saindo de sua bolha pessoal, porém cheio de marcas psicológicas. E como forma de superação foi lhe mostrado o poder da dominação, que no livro é mostrado como doença em vários trechos pelo próprio personagem, como se ele fosse um doente por gostar dessas coisas. De um lado acho compreensível já que não foi algo que surgiu naturalmente de seu instinto, ele apenas aderiu de maneira compulsória, como forma de “tratamento”.

     Então quando ele conhece a Ana – existe todo um motivo por detrás de sua paixão por ela, que só quem ler sabe, e não darei esse spoiler – e sabe o que sente por ela, mas não entende o motivo, e de início não quer aceitar para não ser “vulnerável” porque a fraqueza pode trazer quedas, no caso dele internas(e numa posição em que se encontra tendo já “superado” tudo e ser um homem forte), Christian não quer isso para ele, mas não funciona bem assim. Quanto mais a conhece mais ele aprende a reviver, deixando-se viver melhor, fazendo-o ver que a vida tem mais cores e tons do que o cinza nublado que é sua vida interior. Que ele pode amar, se libertar, deixar-se ser feliz de verdade; a conseguir se completar e ser inteiro.

     A parte do BDSM, eu vi como uma rota de fuga do Grey de fugir de tudo o que o atormenta e a “violência” praticada ali é como uma alusão ao desabafo de toda a dor que ele sente.

     Então durante a evolução do enredo de 50 tons de cinza até chegar ao final de 50 tons de liberdade, você ver a evolução da Ana passando de uma garota frágil e insegura a uma grande mulher forte, decidida, tendo sua vida pessoal e profissional em controle, assim como o Christian que passar a imagem de um homem “imbatível” começar a mostrar suas fragilidades, deixando-se mostrar por debaixo de sua armadura, mostrando-se aos poucos, deixando-se sentir sentimentos nunca antes sentidos e vendo o sentindo de sua vida – a vitalidade. Por isso digo que é uma edificação dual.

     Insisto em dizer: não é apenas sexo, tem todo um processo de evolução interna nos personagens.

     Só é uma pena a autora não ter escrito de forma melhor, evitando excessos e cenas descartáveis.

     Sinceramente vejo uma grande problemática nessa indústria literária que só visa lucrar em cima sem se importar com a qualidade, acredito que se a editora que trabalhou em cima da obra quando ainda era um rascunho tivesse tido mais carinho com a história teria direcionado a E L James para uma escrita melhor.

     Mas no todo, eu gosto da história, só o último livro – 50 tons de liberdade – que deixou a desejar para mim, porque pelo título eu esperava mais coisa, mais emoções internas, diferente do primeiro que me prendeu bastante. O segundo achei razoável.

     A nova edição de 50 tons mais escuros vem com fotos e comentários da autora. E para quem gosta de livro com capa de filme – assim como eu – é uma boa oportunidade.

     Sinceramente espero gostar do segundo filme assim como gostei do primeiro.

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     Então é isso, próxima semana volto para mais.

     Não se esqueçam de deixar seus comentários que serão sempre bem-vindos.

     Abraços e até a próxima!

[i] BDSM é um acrónimo para a expressão “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo” um grupo de padrões de comportamento sexual humano Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/BDSM

14 Comentários

  1. Eu comprei o primeiro livro acho que no ano retrasado, mas por curiosidade para tentar compreender tamanho sucesso do que realmente por interesse próprio. Resultado?
    Não passei da página 55 (se não me engano) e dei o livro.
    Achei extremamente mal estruturado, diálogos pobres, enfadonho, personagens maçantes, além da retratação submissa feminina horrenda. Tudo isso até o ponto que eu li.
    Sobre o sexo? Não entendo a agonia que a população faz em volta disso. Sexo é normal, natural, é bom e praticamente todo mundo gosta!
    Não terminei de ler, não pretendo terminar, respeito quem gosta e é fã (gosto é gosto, eu quero é ver gente exercitando a leitura), mas na minha humilde opinião é muito estardalhaço para pouco conteúdo. Digo o mesmo do filme que após 20 minutos eu desisti de assistir e olha que eu sou apaixonada por filmes (assisto todo mesmo que eu não esteja gostando), viciada mesmo, rs.
    Abraços!

    • Oi, Samanta, concordo com você sobre estrutura, e diálogos e até certas cenas não necessárias. Como sou autor também, sempre gosto do lado da psique da história, porque se a trama não for boa, talvez algo na psique dos personagens salve alguma coisa, então no caso, eu vi algo ali que era bom, e foi nesse aspecto.
      Obrigado pelo comentário, abraços 🙂

  2. Gostei da resenha e concordo que um dos pontos mais fortes do livro é justamente a união entre dois personagens tão diferentes em todos os sentidos, mas que no final das contas se completam e ajudam a vencer as dores, dúvidas e medos que cada um carrega. Durante os 3 livros ocorre de fato, uma grande evolução dos personagens, de frio e apático, que é como vejo o Gray no início para uma pessoa mais envolvida, mais humana até. E a Ana, de uma pessoa frágil, para uma mulher forte e decidida.

    Gostei da resenha, suas observações são bastante adequadas. Parabéns pelo texto.

    • Muito Obrigado Lia, quando li, o que realmente me chamou atenção foi essa questão psicológica ao invés do sexo mesmo.

  3. Uma das melhores criticas que já li sobre 50 Tons. Eu amo o desenvolvimento dos personagens e toda história por trás. Sexo à parte, é uma linda história de amor e superação.
    Parabéns pelo texto.

    • Muito Obrigado Val, pois é, muita gente ver como apenas mais um livrinho sem conteúdo, mas no fundo se você ler deixando de lado o preconceito e focando no entrosamento dos personagens, você percebe que tem algo interessante.

  4. Ameiiiii. Seu ponto de vista está ótimo, bem sincero expondo pontos bons e ruins. Concordo com você amigo, se a autora tivesse sido melhor trabalhada, os livros poderiam ser melhores do que são. Mas também gosto dos livros.
    Bejoss!!!

  5. Ótimo comentário, Fernando. Tenho ouvido muito sobre esta Saga, mas não me encantei com o tema… Talvez, um dia eu resolva dar uma lida. Não gosto de temas de violência que não tenha uma justificativa por trás dos atos e este parece ser assim. Na realidade, não sou muito fã de romances.
    Um abraço.

  6. Que texto perfeito…sua opinião foi maravilhosa e adorei. Parabéns pelo texto e a explanação sobre a trilogia.

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