Menina Má – William March

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Para início de conversa é um livro medonho e bem estruturado.

     Foi publicado pela primeira vez em abril de 1954, e segundo citado na introdução do livro foi durante a era de ouro da psicanalise nos Estados Unidos, onde as interpretações freudianas eram bem aceitas.

     A história se passa nos anos 50, mesma época em que foi publicado.

     O livro aborda a psicopatia infantil, nos dando um ponto de vista base, de exemplos de como se pode ser manifestado e tipos ações que definem esse distúrbio psicológico, não de forma tão profunda. É um assunto que se pouco ouve falar e que logo se torna algo difícil de ser abordado, mas que infelizmente faz parte da realidade.

     Rhoda é uma criança que se mostra pacata, meiga, exemplar nos requisitos de estudos e comportamento. Sempre admirada pelas pessoas mais velhas diferente das crianças da sua idade as quais não lhe suportam. Ao mesmo tempo em que ela é uma criança manipuladora e apegada a coisas materiais e quando quer algo faz por onde conseguir a qualquer custo tomando cuidado de não ser descoberta, usando de sua imagem infantil para se safar de seus crimes que para ela não é visto como algo ruim.

     Num artigo feito pela doutora Deborah Ramos, Psicopedagoga e Psicanalista Infantil, disponível em seu site http://www.deborahramos.com/artigos/psicopatia-infantil/ ela diz que:

“É uma incógnita como alguns indivíduos nascem desprovidos de sentimentos afetivos básicos como qualquer outro ser humano. Geralmente são pessoas inteligentes, sagazes, manipuladoras, somente aparentemente sensíveis às necessidades alheias, porém não passam de meios para se alcançar fins próprios.”

     Durante a leitura nos é mostrado a vida de personagens distintos que completam as lacunas no enredo, como Christine (mãe de Rhoda), Sra Breedlove e principalmente Leroy – esse servindo como uma ponte para instigar a trama sendo um dos conflitos de Rhoda.

     A história ganhar força após a morte do garoto Claude que ganhara um prêmio de caligrafia que Rhoda desejava ter ganhado para ter a medalha, e durante um passeio promovido pela escola ela o mata para poder possuir tal objeto, e é a partir dai que o suspense prende, pois sua mãe analisando fatos ocorridos no passado em que Rhoda esteve presente, começa a desconfiar da filha e procurando respostas para tal possível comportamento dela, deixando o leitor ávido para saber se a garota será descoberta ou não e o que ela irá fazer para se safar de seus atos criminosos, mas daí uma reviravolta do passado que torna a história ainda mais instigante e claro que não irei contar aqui.

     Com um desfecho que ninguém espera que aconteça “Menina má” é um livro pesado e instigante.

“Sei que sou meio antiquada, nem pensei que crianças usassem macacões ou roupas de lycras para ir a piqueniques. Mas você, minha querida, mais parece uma princesa nesse vestidinho à Suíça vermelho e branco.”

     Quis citar esse trecho dando ênfase nas cores que o autor pôs para as vestes da criança, pois na psicologia um dos fundamentos para a cor vermelha na personalidade humana se relaciona a agressividade, determinação em conseguir algo mesmo que tenha de invadir territórios desconhecidos, e até nem é recomendado vestir crianças com essa cor, pois as tornam agitadas e briguentas, diferente do branco, que se refere a corações puros, porém acredito que foi ideia do autor fazer esse contrate: garota doce de coração puro – por fora – e  agressiva destemida e fria – por dentro. Vermelho e Branco.

     O autor nos proporcionou pontos de vista de frieza da criança que chega chocar o leitor em vários aspectos, e como a história se passa na década de 50, numa geração que foi mais conservadora acredito que leitores da época tenham tido um choque maior.

     É um livro bem escrito e com personalidade.

     A editora DarkSide proporcionou uma ótima revisão, e embora o tenha lido em Ebook, a diagramação está ótima para o formato digital.

     Tem um ritmo muito bom, começa com uma introdução precisa antes de iniciar a história contando mais sobre o próprio autor e de como sua vida pessoal pode ter refletido em alguns aspectos desta obra.

     Recomendo não somente para quem gosta de terror, mas para todos que gostam de ler um bom livro.

     Referência sobre as cores na psicologia:

https://www.eusemfronteiras.com.br/o-significado-psicologico-das-cores-no-ser-humano/

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