Maze Runner – Correr ou Morrer – James Dashner (Livro x Filme)

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Para iniciar lembro que eu fiz um texto para a coluna que mantenho no site Arca Literária que fala exatamente sobre a relação CINEMA VS LIVROS, ou seja, sobre os filmes baseados em livros. Muitos dos quais a relação fica apenas no nome, pois quando você vai conferir nada tem a ver com o livro.

 Outro texto que fiz para o blog As Leituras da Milla refere-se a livros escritos em forma de séries ou sagas, e apesar de eu preferir um livro único, não sou contra sagas, no entanto, as sagas que são criadas como sagas, onde cada livro é único, mas que você sabe que terá continuação. É o caso deste. Mas vamos por partes. Na medida do possível farei uma relação entre o livro e o filme em que foi baseado.

 Quando Thomas acordou e foi retirado da “caixa” foi recepcionado pelos Clareanos, vários jovens que estavam em uma clareira. A única coisa que se recordava era seu nome. Nada mais. Percebeu também que a clareira era cercada por muros muito altos com quatro aberturas. Essas aberturas levavam a um labirinto. Foi quando percebeu que alguns jovens saíram correndo do labirinto. Todos os dias corredores entravam e saíam do labirinto, o motivo era simples: mapear. Instintivamente sabia que iria ser corredor. Cada jovem ali tinha uma função que era coordenada por um Encarregado e Thomas foi colocado por cada um até descobrir o que ele iria ser na Clareira. Até que algo mudou.

 Todos os meses, sem exceção, um jovem é levado pela caixa até a Clareira, porém, no dia seguinte à chegada de Thomas, a caixa volta e deixa mais alguém, desta vez uma moça, Teresa, que mesmo desacordada segura um bilhete. Nele está escrito que ela é a última. Teresa acorda e antes de desmaiar novamente, fala o nome de Thomas e diz uma palavra que fará toda a diferença na trama.

 A partir daí tudo se precipita. Teresa tem um dom e compartilha com Thomas, e é ela quem desencadeia o fim. Mas havia um problema. Primeiro: os verdugos. Eram criaturas horrendas metade máquina metade organismo que quando não matavam algum dos jovens, picava com uma agulha e isso causava dor, muita dor, e quando o jovem era resgatado conseguiam aplicar um soro que os transformava… Nesse processo o jovem tinha algumas recordações e nenhuma era boa. E pior, quem passava por isso reconhecia Thomas e não gostava nem um pouco do que via. E foi mais isso que dificultou o relacionamento do jovem com os demais. Até o líder Alby, mesmo salvo por Thomas, depois de passar pela transformação, indica que o garoto tinha feito algo ruim.

A chave de tudo é o labirinto, em cujo interior habitam os temíveis verdugos. Inclusive a chave para a saída, que até então ninguém tinha achado. Minho, encarregado dos corredores, juntamente com Thomas conseguem descobrir o que pode ser a saída.  Com Teresa se recuperando e as mudanças na Clareira, era mais do que necessário agora sair do labirinto e para isso precisariam passar pelos verdugos.

 O Livro tem uma narrativa fácil, e que instiga cada vez mais o leitor a acompanhar. Há alguns termos usados pelo autor, como “trolho”, “fedelho”, “mértila”, “plong” que deixam a leitura mai interessante. Os personagens foram bem construídos e cada um tem uma importância dentro do enredo.

 Para primeiro livro de uma saga acredito que fez bem o seu papel, pois fiquei com vontade de ler os demais assim que terminei de ler. E o final é bem intrigante. Para quem gosta de uma distopia o livro é um prato cheio.

 Agora vamos ao filme.

 Bem, se eu não tivesse lido primeiro o filme eu o acharia um ótimo filme de ação, mas tem seus problemas.

 A narração segue uma linha própria, apresentando alguns personagens e o papel que desempenhariam no filme. Algumas coisas não estão no livro e isso se deve à mudança de mídia, do livro para a telona, acredito que nesse sentido funciona melhor. há uma certa correria (e não são os corredores hehehe).

 A trama principal está lá, o labirinto, os verdugos e a clareira, no entanto, há muitas diferenças. É claro que quando um livro é levado para a telona normalmente não há uma fidelidade, e há filmes bem piores nessa questão de fidelidade (ver Percy Jackson).

 Diferentemente da obra, o labirinto tem participação mínima na trama e era para ser o principal. Afinal é por onde se deve encontrar a saída. No livro o vilão é o Labirinto com o verdugo, no filme transformaram um dos personagens em vilão.

 Os personagens, na realidade, é que sofreram as maiores modificações.

 Thomas – no livro ele é mais comedido, mas é decidido. No filme é o herói típico.

Teresa – infelizmente foi irrelevante no filme, enquanto é parte fundamental no livro. Não teria feito falta no filme, só está lá porque é personagem principal na obra.

Alby – líder dos clareanos, tem um desfecho diferente do que está no livro. E tem o respeito de todos os outros.

Newt – segundo em comando, é o único que ficou bem parecido com o personagem apresentado no livro.

Minho – no filme ficou meio que dependente do Thomas.

Gally – este realmente tem uma participação especial, no entanto no filme foi elevado a um patamar maior que no livro.

Chuck – sério, um gordinho? Nada contra ser gordinho, mas você assiste ao filme e percebe que todos os jovens são fortes, mais velhos e o Chuck? Baixo e gordinho. E sensivelmente mais novo que os demais. Totalmente deslocado. Chuck no livro tem uma participação importante e o relacionamento de amizade dele com Thomas no livro é mais acentuado.

Verdugo – preferi no livro. Era muito mais assustador. Um bicho nojento que faz barulho e se arrasta. No filme agilizaram o bicho e ficou parecendo um filme de terror em determinado momento.

Labirinto – definitivamente de suma importância no livro. No filme ficou relegado a uma participação mínima.

 Enfim, recomendo ambos, o livro e o filme, mas separadamente, se for ler o livro, assista ao filme apenas para se divertir e ficar fazendo aquelas comparações inevitáveis. Muito melhor quem viu o filme primeiro e depois ler o livro.

Resenha de Antonio H. Fernandes, resenhista do Arca Literária e Capitão do blog Navio Errante

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