Mauricio Gomyde

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  1. Fale-nos um pouco de você.

R: Sou um sujeito tranquilo até demais. Cada vez mais caseiro. Gosto de música, de literatura, de cinema. Não dispenso um jantar e um bom vinho. E quanto mais amigos, melhor.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R: Além de escritor sou músico. E tenho outra atividade profissional também, não vivo só da literatura. A inspiração vem das coisas que vejo, que ouço, daquelas nas quais acredito. Meus livros têm muito de mim, do que já fiz até aqui e do que ainda pretendo fazer. Acho que eu não poderia ser mais transparente do que nas minhas páginas. Quem as lê me conhece totalmente.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R: Acho que é a liberdade que o escritor tem de escrever precisamente e absolutamente TUDO o que ele quiser, sem preconceitos. Se você quer matar uma pessoa e ressuscitá-la na mesma página, tem esse poder. Se quer contar uma história e não outra, se quer ambientá-la aqui, e não acolá, basta querer. Ter o controle da história, é por aí. Porque na vida real há tantos fatores externos que o controle total é impossível.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

R: Tenho, sim. Meu escritório é o lugar mais colorido do mundo (assim como o escritório do Pedro, personagem de Surpeendente!).

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R: Escrevo romances românticos e dramáticos. Não me aventurei por nenhum outro estilo por absoluta incompetência… rs.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R: Os títulos saem naturalmente. Há escritores que começam o livro pelo título, mas não consigo. Prefiro que, durante a escrita, o título peça licença e me diga que deve ser ele. A inspiração para os nomes de personagens vem de pessoas que conheço, ou do significado do próprio nome em relação ao que o personagem faz. De toda forma, há nomes que surgem do nada.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R: Acho a pesquisa fundamental para o que escrevo. Sempre tento viajar ao lugar em que a ação ocorre. Como são sempre locais reais, vou até lá para sentir o cheiro, os sons e o sabor do lugar. Isso enriquece a descrição do cenário. E quando é um tema que não domino, converso com profissionais da área, com pessoas que já passaram por aquilo. Por exemplo, meu próximo livro se passará no universo dos espumantes. Fui ao Sul do Brasil para conhecer sobre isso. E conversei com enólogos muito bons. Quase tudo o que eu havia pesquisado na internet estava errado… rsrsrs. Ainda bem que fui lá ver como é de verdade.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R: Procuro não me influenciar. Como leio de tudo um pouco, acho que cada um contribui de uma forma.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R: Não, e explico o porquê: meus 4 primeiros livros foram independentes por opção. Eu nunca havia mandado nenhum livro para editoras aprovarem. Eu queria que fossem independentes mesmo. E meu 5º livro surgiu após uma editora me contratar. Eles não conheciam a história, então já a escrevi sendo parte de uma editora.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R: Acho pujante, variado, rico e promissor. Muita gente boa escrevendo ótimas histórias. As editoras estão percebendo isso e contratando a turma. E fico feliz demais por ver tantos amigos entrando em boas editoras. Ao mesmo tempo, escritores que não estão em editoras têm feito um belo trabalho independente ou vendendo nos canais digitais.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R: Acho que ter bons e maus livros faz parte, não podia ser diferente. A gente recebe os livros de fora já prontos, só os que deram certo e já passaram pelo crivo do público. Então, ficamos com a sensação de que todos os livros estrangeiros são bons, o que não é verdade. Há uma infinidade de livros que ficaram pelo caminho lá nos seus países de origem, assim como os daqui. De toda forma, acho maravilhoso que haja tanta gente contando histórias daqui, do nosso canto, da nossa realidade, do nosso quintal.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R: Não posso opinar de forma certeira, pois não sei exatamente qual é o custo das editoras com produção, promoção e distribuição. Tampouco, qual é a margem de lucro das lojas. Há toda uma cadeia aí, que envolve, inclusive, a incidência de impostos e taxas. Se o preço é alto ou baixo, se é justo ou não, sinceramente não tenho base para opinar. Claro que todos nós desejamos que tudo seja mais barato, do livro à gasolina, passando pelo pão e pela água. Mas faço apenas uma comparação: se você for ao cinema, vai gastar, por baixo, com ingresso e estacionamento, talvez o mesmo preço de um livro (R$ 30,00). Ambos são cultura e ambos são entretenimento. Pensando assim, talvez o preço do livro não seja tão alto. Mas é uma questão que poderia ser mais bem debatida, caso houvesse acesso a planilhas de custos.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R: Sem dúvida, Harry Potter… rsrsrs.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

R: Cada livro meu tem uma trilha sonora, dependendo da ambientação. Mas tenho um livro (O rosto que precede o sonho) que fala bem sobre isso e escolhi meus dois favoritos. Talvez sejam a trilha sonora da minha vida: Legião Urbana e U2.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R: Acho que tive muitos livros da minha vida e terei muitos ainda. A questão é que, para cada fase a gente tem algo que nos move. Muitos que achei espetaculares quando li já não me motivam tanto. Então, acho que no fim da vida eu poderia responder com propriedade. Talvez eu chegue à conclusão de que não existe um livro da vida, mas uma vida que daria um livro. Se eu chegar a isso, terei tido uma vida perfeita.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R: Meu projeto mais recente é meu 7º livro, o próximo. Eu não consigo pensar em outros projetos enquanto ainda não terminar o atual. Prefiro focar no que estou fazendo, para que fique o melhor que eu possa oferecer.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R: Acompanho demais! Adoro ler todas, mesmo aquelas que me detonam… hahaha. Aprendo demais com elas e faço, inclusive, alterações nos meus livros subsequentes diante de algo que seja forte o suficiente para me abalar. rs

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R: Se o Luis Fernando Veríssimo lesse um livro meu e dissesse: “Bicho, isso é muito bom!”, eu passaria a achar que levo jeito pra coisa… kkkkk.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R: É ter oportunidade, por exemplo, de responder a uma entrevista como essa. É saber que as coisas que você escreve têm ressonância em pessoas que você nunca viu. É poder escrever algo que realmente te motiva e descobrir que isso fez diferença para alguém.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R: Escritores, vivam intensamente aquilo que vocês escrevem. Leitores, vivam intensamente aquilo que vocês leem. Porque, com um livro na mão, isso é a única coisa que importa, no fim das contas.

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