Marcus Hemerly

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Eu sempre fui um amante das boas artes e do conhecimento, principalmente literatura clássica, história, criminologia, psicologia, e cinema.  Iniciei a leitura de livros de bolso de faroeste na infância, despertando o posterior interesse por romances mais densos. Até hoje, cinema e literatura tem sido os principais focos de interesse para mim, no que diz respeito a entretenimento. Passo boa parte de meu tempo, estudando para concursos e nas horas vagas, leio romances, escrevo e me entrego à minha paixão principal, o cinema.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Nasci em 12/02/1989, em Cachoeiro de Itapemirim/ES,  terra de Rubem Braga e Roberto Carlos, formando-me em direito no ano de 2012 pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim,  servidor público desde o ano de 2012 no poder judiciário do Estado do Espírito Santo, inicialmente ocupando o cargo de assessor de juiz e atualmente, Chefe do Setor de Conciliação na comarca de Mimoso do Sul/ES. O interesse pela escrita sempre existiu, mas “me aventurei” efetivamente, a partir da leitura de uma sentença em rima, inserida em um dos livros de meu chefe, Ézio Luiz Pereira, Magistrado na Comarca de Mimoso do Sul, que é autor de 15 obras na área do direito e teologia, além de palestrante na área da teologia e comportamento. Naquela oportunidade, encantei-me pelo lirismo daquela sentença que harmonizava direito com poesia, então comecei a escrever poemas, ainda primários, sem qualquer pretensão, sendo posteriormente robustecidos e aperfeiçoados.

  1. Qual a melhor coisa em escrever? 

Escrever, assim como ler, nos transporta a dimensões distantes, de modo similar a uma terapia para alentar os sentimentos machucados e descobrir aqueles que se encontravam relegados. Acredito que foi Carlos Drummond que comparava o ato de escrever a uma “terapia”, tal como exorcizar seus demônios no papel. O papel tudo aceita, prontamente, de bom grado.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não costumo escrever em um lugar específico, escrevo no telefone, no tablet, pode ser no ônibus ou antes de dormir, dependendo do momento da inspiração e se há a possibilidade de escrever naquela oportunidade. Se não, eu anoto a ideia e as vezes, um texto pode surgir de uma única palavra ou uma situação, um anseio ou uma dor. Caso tenha que dedicar mais tempo à composição em questão, seja um conto ou um ensaio, costumo utilizar o PC da escrivaninha em minha sala de estudo e cinema.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Tenho mais afinidade com poesia, mas estou adentrando novos gêneros com a escrita de contos para antologias, versando sobre terror e suspense. Desafios são importantes para o conhecimento do potencial do escritor, existem possibilidades infindáveis em descobrir gêneros até então pouco explorados pelo autor.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Fui selecionado em algumas antologias poéticas e tenho um livro solo publicado, intitulado “Verso e Prosa: Excertos de Acertos”  contendo textos em prosa (contos e ensaios filosóficos) e poesia. A inspiração vem dos embates diários, os dramas e emoções humanas. Às vezes uma palavra, um acontecimento, são instrumentalizados em forma de poema ou conto. O Horror não precisa ser sobrenatural, ele existe numa família abandonada, um crime violento e o amor não precisa ter dimensões Shakespearianas, mas ele se renova em ato de bondade ou uma gentileza, que são captados e utilizados pelo escritor sensível e amoldados ao lirismo para o leitor.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Quando vou escrever sobre um tema a respeito do qual não sou muito versado, costumo fazer pesquisas acerca do assunto para não escrever imprecisões, sejam elas técnicas, científicas ou históricas. Recentemente escrevi um conto que se passa em nova York, nos anos 80, logo, a pesquisa a respeito da geografia e status populacional são relevantes para melhor compor o pano de fundo da história.  Nesse caso específico, o conto gravita em torno das famílias mafiosas, um assunto por mim estudado há muitos anos, bem como cenário de obras de ficção que me são muito caras, mas uma pesquisa extra, sempre enriquecem as descrições.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Se escrevo poesias, como não lembrar dos mestres Carlos Drummond e Cecília Meireles ou Fernando Pessoa? Se enveredo-me pelo suspense ou o sobrenatural, impossível não lembrar de Stephen King, e outros autores que povoam nosso inconsciente e consciente.  A leitura é tão forte e tão aprazível que nos inspira a criar nossas próprias composições. Ainda que o autor seja dotado de originalidade, e isso é essencial, seu estilo é “encontrado”, por assim dizer, a partir do contato com perfis distintos, a mente e sentimentos são multifacetados, e é complexo o processo de assimilação. O escritor é um observador, primeiramente, da realidade e da ficção.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Eu conheci o cenário da publicação de forma independente e agora participo de antologias, o que nos brinda como uma possibilidade de figurar em mais obras e de gêneros e modalidades textuais variadas.  Publicar, eu sempre digo, é fácil e difícil ao mesmo tempo, é tudo uma questão de pesquisa, oportunidade e vontade de ver seu trabalho impresso. Mas, evidentemente, é aquela velha questão, “mata-se um leão” por dia, ou melhor seria dizer, por livro.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Eu acho que atualmente, os clássicos da literatura nacional como internacional tem sido amplamente comentados e isso é muito bom, pois existe uma nova safra de leitores que tem contato com a crescente publicação de obras novas, situação, que na minha opinião, nunca esteve tão forte. Essa diversidade é boa, mas desde que alcançado o meio termo, é importante travar um conhecimento de autores estreantes, mas os clássicos demandam constante revisitação. Como o saudoso Antônio Abujanra costumava inquirir seus entrevistados, “Qual o autor que você conheceu, mas ainda não o suficiente?” e “Qual o autor que você ainda não conheceu mas gostaria de conhecer?”. Essa são perguntas importantíssimas ao leitor e devemos nos lançar a tais questionamentos, amiúde.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

De fato, isso é fenômeno totalmente inquestionável, nunca se escreveu tanto no país como atualmente, você tem o escritor Wattpad, o que intensificou imensamente a difusão de obras, temos sites de divulgação, blogs, grupos de literatura, redes sociais,  produções/edições independentes, campanhas de financiamento, vetores desconhecidos há idos tempos. Nesse passo, repiso,  nunca foi tão fácil e tão difícil publicar ao mesmo tempo. Nesse quadro, nós nos deparamos com novos autores muito bons e essa facilidade de potencialização do alcance das obras foi muito importante para a divulgação desses talentos, outrora desconhecidos. De outro giro, também sancionou-se a propagação de material um pouco inferior, logo, cabe ao leitor selecionar qual tipo de publicação, gênero e quais autores ele vai ler, nunca se teve tantas opções, e tantas opções demandam maior atenção nas escolhas.
Inclusive, até mesmo gêneros pouco usuais na literatura nacional, a cada dia ganham mais força e mais autores. Mostra-se complicado separar o material bom do ruim,  as opções são vastas e nosso tempo valioso, por isso, acredito que muitos leitores tem receio de sair da sua zona de conforto no que tange aos hábitos de leitura e aos autores. O importante é ler o que nós sabemos que será proveitoso, mas também é relevante e saudável investigar, ter contato com novas criações e novos criadores, e nos deparar com belas surpresas.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

O Brasil é um país que nunca teve um histórico no que tange à cultura sólida de incentivo à leitura, e a busca pelo conhecimento não formalizado no âmbito das escolas e universidades. Muitas pessoas não têm acesso ao ensino superior ou até mesmo ensino básico de qualidade, mas poderiam ser estimuladas a nutrir o hábito da leitura e a vontade de saber mais. Isto não é estimulado da maneira como deveria ser feito. Em nosso país, o preço dos livros é um absurdo, princialmente em uma nação na qual existe isenção na tributação do material de impressão e nos próprios livros comercializados.  Não existe motivação para que esses preços sejam tão altos, o que desestimula mais ainda o contato com a leitura. Nós testemunhamos recentemente até mesmo o fechamento de livrarias tradicionais no Brasil, isso é extremamente pesaroso e preocupante. Como escreveu Monteiro Lobato, “um país se faz de homens e livros”; me parece que o país está em falha basilar em suas fundações.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Com certeza seria Misery – Louca Obsessão, de  Stephen King, pois eu adoro histórias de um suspense psicológico bem engendrado e que gravitam em torno do fascínio dos fãs pelos ídolos criadores.  Esse contato entre o espectador e aquele que cria a arte, é um tema muito interessante e essa história é extremamente tensa no que diz respeito à trama,  mas também ao lado humano dos personagens. Então, se eu me dedicasse ao gênero de suspense em uma linha mais intensa, seria provavelmente o estilo de romance para iniciar minha obra

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Como escrevo mais poesia que permite uma maior agilidade de emoções, são várias as telemáticas que poderiam ser escolhidas, ainda mais agora que eu estou tentando abrir o leque para outros gêneros de texto, mas eu acredito que os clássicos nunca saem de moda, e as nuances são aplicadas em qualquer tipo de arte, seja escrita ou audiovisual. Nesse plano, citaria meu clássico favorito. As Variações Goldberg de Bach.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Existem vários títulos cuja leitura é muito prazerosa, a respeito dos quais muitas vezes dizemos, “poderia ler esse livro para sempre”, mas a fonte eventualmente seca. Sejam obras comerciais ou clássicas, poucas apresentam nuances de interpretação infindável, mas acredito que poderia ler “A Divina Comédia” não pelo resto da vida, mas é uma obra que considero uma das maravilhas da literatura mundial.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Eu pretendo continuar participando de antologias poéticas e na medida do possível, “passear” por outros gêneros, como estou fazendo no momento, principalmente suspense, e quem sabe, um dia realizar o meu sonho que é publicar um romance policial. Eu tenho um livro solo, uma compilação de poesias, contos e ensaios,  mas sempre sonhei com romance e adoraria que o primeiro fosse um policial que é a literatura que mais tive contato durante toda minha vida, então, para mim seria muito especial.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não tenho hábito, eu sempre tive um prazer muito grande em ler críticas de cinema e  literatura, mas em razão da qualidade das resenhas dos críticos, que muitas vezes dão uma aula sobre o tema. Atualmente, assisto um ou dois canais literários mas não tenho acompanhado de maneira tão próxima a crítica nesse sentido. Já sou muito crítico comigo mesmo.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

São incontáveis autores que foram importantes em minha formação, no meu trabalho, e ainda que não tenham sido em sua maioria, poetas, que é a tipologia textual na qual mais produzo,  suas obras refletem em meus textos em prosa e poesia, como forma de inspiração. Eu ficaria entre lovecraft, Edgar Allan Poe,  Vitor Hugo, Fernando Pessoa, Harlan Coben, Jeffery Deaver, entre outros,  mas tem um autor que eu admiro, não apenas por seus livros, mas sua trajetória e o dom de encantar os leitores, que é o principal papel de um mestre das letras e entretenimento,  que é  (novamente, e sob pena de me tornar maçante) nosso mestre Stephen King.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Bom, eu poderia dizer que seria ter seu livro vendido em uma grande livraria ou ser parado na rua por alguém em busca de um autógrafo, fama, mas não penso assim.  Certamente, o que mais alegra um escritor é quando um bom leitor elogia sua obra ou quando conta que a obra foi de alguma forma importante em sua vida,  que não foi em vão o tempo que o autor passou escrevendo, e que aquele tempo e a respectiva criação se reproduzirão várias e várias vezes nas mentes e nos corações dos leitores.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Cito um conhecido aforismo “Tudo que um homem pode fazer, o outro também pode”. Apenas escreva, o importante é ousar, tentar e talvez descobrir um talento desconhecido e uma nova fonte de prazer e satisfação pessoal. Escreva inicialmente para você, o que quiser, o que você goste e possivelmente, o texto vai chegar a alguém que goste também. Não tenha medo de criticas,  leia muito, faça o melhor por si próprio e os outros também vão apreciar.

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