Márcio Muniz

1
916

1 – Fale-nos um pouco de você.

Sou um sujeito bem comum, familia, romântico e sonhador. Daqueles que acredita no amor e de que podemos construir um mundo melhor. Não sou dono da verdade, acho até que estou muito longe de se-lo, mas creio de verdade que agindo corretamente e baseado em valores, seremos indivíduos e uma sociedade melhores.

2 – O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de palavras lido com números pois sou bancário. Iniciei  minha vida profissional como técnico em eletrônica, depois fiz graduação em administração e pós nas áreas de gestão de pessoas e projetos. Escrever para mim é por enquanto, apenas um delicioso e mágico hobby.

3 – Qual a melhor coisa em escrever?

Ser lido! Rsrsrs…Brincadeiras a parte, o melhor de escrever para mim é poder mostrar às pessoas o que antes só existia dentro de você, ou seja, fazer com que as pessoas o conheçam. Escrever é poder extrapolar sua realidade.

4 – Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Para escrever não tenho um cantinho próprio pois quando a inspiração vem, vai até no bloco de notas do celular. Todavia tenho o cantinho onde guardo minhas leituras, este é especial.

5 – Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Gosto de escrever poemas e histórias românticas, que falem de amor. Gosto de versar sobre nossa realidade mais próxima inserindo doses de uma fantasia a ela. Um exemplo típico seria meu livro de contos que fala essencialmente sobre a magia do primeiro encontro, do encantamento a primeira vista que se não é ainda amor, poderá vir a ser. As pessoas então dizem: “Mas isto não existe hoje em dia!” Ao que eu respondo: “Por que não?” Com relação a escrever outros gêneros, eu acho isso um grande desafio e já consegui ser publicado em antologias de contos sombrios, eróticos, dramas, entre outros. Apesar de crer que o gênero identifica o autor, ter esta capacidade de diversificar torna o escritor mais preparado na minha visão.

6 – Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Sou péssimo para nomes e títulos, sinceramente isto é uma coisa da minha escrita que sai meio forçada. Com relação aos textos e livros, aí a coisa é bem mais natural. A inspiração as vezes vem de uma cena, um fato que desencadeia o todo. As vezes um casal que se olha diferente, uma moça com um decote mais ousado, um gato no escuro, etc. Da mera observação vem a inspiração. Do meu romance, por exemplo, a história surgiu quando vi da janela de um ônibus um menino pobre e negro fazendo as vezes de malabares diante de um carro de luxo em um semáforo. Aquele contraste chamou minha atenção, me fez pensar nas histórias que cada uma daquelas partes teriam para contar e de como essas trajetórias poderiam de alguma forma se encontrar.

7 – Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Depende muito. As vezes a pesquisa é só mesmo através da internet, em outras vezes procuro conversar com as pessoas com o perfil parecido com o do personagem que pretendo desenvolver. É bem legal também ouvir pessoas que vivenciaram aquela situação ou mesmo viveram ou estiveram em lugares ou cidades em que eu estou ambientando a história mas que nunca estive.

8 – Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Leio muito e de tudo um pouco, por isso, creio que não tento me espelhar em nenhum autor em especial. Claro que a gente sempre acaba “copiando” um pouquinho dos escritores que mais gostamos. Eu por exemplo, gosto muito de Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Marcelo Rubens Paiva e Mario Vargas Lhosa, só para citar alguns.

9 – Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Isto faz parte de ser autor em nosso país. Qual escritor não passou por isso? Claro que tenho muitas histórias ainda restritas às minhas gavetas. Contudo, posso afirmar que em nosso país, por não ser um gênero muito valorizado, o mais difícil mesmo é publicar livros de poesias.  Os leitores em sua maioria até gostam, mas é muito difícil comprarem livros do gênero.

10 -O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Não há como negar que o cenário é de expansão. Muitos escritores surgindo, histórias que não devem em nada à maioria dos escritores estrangeiros. Na verdade acredito que precisamos expandir o mercado de leitores, incentivar o hábito e nisso, nós escritores temos papel fundamental.

11- Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Não vou fazer juízo de valor mas também não ficarei em cima do muro. Vejo com bons olhos qualquer movimento que forme mais leitores, que traga pessoas que não possuiam tal hábito para este mundo. Depois da porta aberta, cada novo leitor seguirá seu caminho e ao mesmo tempo tirará suas próprias conclusões a respeito da qualidade do que lê. Sobre este aspecto, eu vejo o tema sob duas óticas. Primeiro, há leituras que fazem de você uma pessoa melhor, mais culta talvez. Construções literárias que vão desenvolver nossa capacidade de observação e raciocínio, que vão nos dar mais vocabulário e nos propiciarão conhecer outras culturas. Todavia, precisamos levar em conta que o hábito de ler precisa também ter seu lado lúdico, ser um passatempo prazeroso e por isso, histórias mais leves e simples tem também papel fundamental para cativarmos mais leitores. E afinal, quem somos nós para julgar o gosto dos leitores e a capacidade de cada autor. Claro que é difícil saber que alguns livros só são lançados por conta da fama do autor ou por conta da polêmica que causam. Infelizmente isto é um mercado e se existe consumidor…

12 – Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Isto atrapalha e muito. O custo de publicação de um livro de autor nacional é um grande entrave para que as pessoas optem pela estante dos nacionais nas livrarias.  Os escritores estrangeiros já chegam aqui como “best selers”, as grandes editoras investem pesado em divulgação das obras e por conta disto, tem tanta certeza do sucesso que rodam grandes tiragens, o que acaba gerando enorme economia de escala.  Neste ponto que acredito que formar leitores habituados a ler autores nacionais pode vir a ser o diferencial, uma vez que não conseguimos competir no quesito preço, na maioria dos casos. Outro fator que pode vir a ser preponderante nesta disputa é a proximidade do autor nacional com seu público. Afinal, este contato pode cativar as pessoas, criando fãs que se interessarão em comprar seus livros.

13 – Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Alguns, mas de bate pronto eu digo: Dom casmurro. Primeiro porque é meu livro favorito, de um gênio da literatura nacional e além disso tudo, imagine uma história que mesmo após mais de cem anos de escrita desperte tanto interesse nas pessoas e até em críticos literários. Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho? A dúvida vai ficar para sempre, os defensores dos dois lados nunca terão certeza do seu ponto de vista.

14- Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Difícil, para cada situação um tipo, um cantor. Eu gosto as vezes de citar o título de uma música que tal personagem esteja ouvindo em dada cena, acho que isto ajuda o leitor a entrar no mesmo clima. Vou citar meu gosto musical e deixo para cada um tirar suas próprias conclusões. Gosto de Queen, Bon Jovi, Scorpions, Kiss, Nando Reis, Marisa Monte, Djavan e por aí vai…

15 – Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Alguns pois o momento em que estamos influencia nesta escolha. Poderia citar “A cabana”, “Dom Casmurro”, “O cortiço”, A montanha e o rio”, “Travessuras da menina má”, “O monge e o executivo”.

16 – Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou lançando em formato digital na Amazon, quatro livros de poemas, uma espécie de coletânea para todos os gostos. Poesias sobre amor, sensualidade, crítica social e sentmentos diversos. Além disso quero ainda este ano publicar um livro que seja uma espécie de autobiografia em forma de textos, onde gostaria de mostrar minhas facetas literárias de uma forma geral, reunindo poesia, conto, microconto e crônicas nos mais diversos gêneros. Além disso estou junto com o poeta e meu amigo Leandro Ervilha, a frete de um sarau em que misturamos diversas expressões artíticas e culturais. Poesia, música, teatro, dança e artes plásticas. O nome do projeto é Sarau Poesia & Arte e nosso lema é: “Microfone aberto a todas as expressões artísticas”. Já organizamos além dos eventos em si uma antologia e estamos com um concurso de poesias em aberto, sempre tentando trabalhar a formação de um público que queira consumir cultura, que venha ver música e se encante com poesia, que venha ver poesia e se encante com teatro, além é claro, de abrir espaço para artistas emergentes para que possam mostrar e divulgar sua arte.

17 -Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

A crítica sempre é muito bem vinda ao meu ver pois é ela quem te dá feedback e pode te ajudar a melhorar, sempre temos o que evoluir. Eu só acho que a crítica precisa ser pautada em respeito e embasada não apenas em opinião e gosto pessoal. Creio que os blogueiros são hoje figuras importantes para a divulgação de novos autores nacionais, mas precisa haver uma verdadeira parceria, um precisa do outro de certa forma. Não dá para fazer uma resenha sem se envolver com o livro de certa forma. A visão precisa ser sincera e honesta, mas não dá para querer bancar o crítico literário, pois a maioria deles não tem formação acadêmica para isto. Ao mesmo tempo, o autor precisa também ser parceiro do blog, divulgar além do seu próprio texto, o trabalho do parceiro como um todo.

18 – Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Nunca pensei nisso, acho que todo leitor é importante. Na verdade todos sonhamos ser lidos pelo maior número possível de pessoas.

19 – Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido. Rsrsrs…Aprofundando-me na resposta, creio que saber que você e seu texto influenciaram e marcaram alguém, isto não tem preço. Vou citar algo que aconteceu comigo e que me marcou muito como escritor. Estive em 2015 em uma feira literária em Resende, estado do Rio de Janeiro (FLIR) e como autor iniciante, vendi meia dúzia de livros. No ano seguinte, estive por lá novamente e vendi outra meia dúzia de livros. Mas o que me marcou mesmo foram duas leitoras, mãe e filha, que voltaram no ano seguinte procurando por mim na feira pois haviam comprado e levado um livro meu no ano anterior e por isso queriam conhecer meu livro novo. É este tipo de experiência que estou falando.

20 – Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Leiam muito, sem preconceito literário ou de autores. Deixem de lado seus dogmas e se entreguem a novas histórias, novos autores. Para aqueles que estão iniciando uma carreira literária, não desanimem, escrevam seus textos por prazer. Sejam humildes para reconhecer que por melhor que sejam vocês e seus textos, sempre há espaço para melhorar, evoluir. Ao contrário do que se pensa, escrever é muito mais transpiração do que inspiração, é preciso trabalhar, pesquisar, dar a cara a tapa e acima de tudo, fazer o que se faz por amor.

Um comentário

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here