Marcel Trigueiro

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Marcel Trigueiro. Sou escritor à noite e consultor na área de informática e telecomunicações de dia. Nasci em Natal/RN e vim morar no Rio há mais de quinze anos para fazer mestrado na área de Computação de Alto desempenho na UFRJ. Depois do mestrado, começei a trabalhar e fui ficando por aqui. Sou casado, tenho um filho de cinco anos e uma filha que nascerá, segundo as previsões, em Dezembro.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Então, além de escrever, sou consultor numa empresa que presta serviços para empresas de telefonia. Não trabalho no ramo de aplicativos para celular, e sim com software que roda nos servidores das companhias.

A inspiração para a escrita veio sob demanda, na verdade. Num belo dia, minha esposa disse: “por que você não escreve um livro?”. Aceitei a sugestão e só então corri atrás da história, da inspiração, dos personagens, etc. Não foi algo tipo: “eu estava lavando a louça e de repente veio aquela ideia para a  história, fui iluminado.” Não. Eu decidi escrever um livro depois da sugestão dela, e naquele momento não tinha ideia alguma do que iria criar. Corri atrás da história.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Às vezes, quando estou escrevendo, tento me lembrar das regras que aprendi no caminho. “Mostrar, em vez de contar”, “cuidado com o Ponto de Vista do personagem”, “verifique o vocabulário usado nos diálogos”, “cuidado com a ambientação”, etc. São regras e amarras necessárias, mas às vezes digo para mim: calma, respire, a história é sua, você pode fazer o que quiser.

Então, o que acho mais legal é isso. A liberdade de criar o que eu quiser. Pode parecer clichê, mas é isso mesmo: gosto da possibilidade de dar asas à imaginação sem ter um chefe cobrando por resultados.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Geralmente escrevo usando meu desktop, em casa mesmo, quando me dou ao luxo de escrever usando meu monitor de 27 polegadas, onde visualizo três páginas inteiras por vez. Mas escrevo às vezes também no ônibus, quando a situação é bem diferente e uso meu celular mesmo.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu escrevo, por enquanto, somente literatura policial. Foi assim no primeiro livro e está sendo assim também com o segundo, que ainda não está pronto. Ainda não pensei em me aventurar em outros gêneros, mas talvez no futuro eu tente algo com Ficção Científica.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meus livros (o primeiro e o segundo) são ambientaos no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro. Então, basicamente, uso nomes tipicamente brasileiros. Joaquim, Matheus, Luana, etc. Sei que há autores que ambientam seus livros no exterior e/ou usam nomes estrangeiros para seus personagens, não sei exatamente por quê. Talvez por influência de alguma Fan Fic que tenham escrito no passado. Eu prefiro usar nomes brasileiros mesmo.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Pesquiso sobre o modo de operação das polícias (Civil, Militar e Federal), sobre a viabilidade de ceras questões técnicas que embasam a trama, na área de informática, e também sobre os locais das cenas, como certos bairros do Rio, as favelas, etc. As manchetes dos jornais, sobre crimes cometidos por aqui, também ajudam.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não me inspiro em nenhum autor especificamente. Procuro adquirir conhecimento genérico dos livros que leio.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Como meu primeiro livro foi auto-publicado, assim como provavelmente será o segundo, não houve a dificuldade da recusa do original por parte das editoras. O que houve foi que as coisas andavam mais lentamente do que esperava (revisão, diagramação, capa, ISBN, tudo isso demora), mas isso é normal no mundo editorial.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que há muita coisa de literatura fantástica, o que é bem positivo, e pouca coisa de outros gêneros. Vejo também grande parte dos autores novos direcionando seus esforços para o público feminino. E sejamos justos, as mulheres leem em média bem mais que os homens; pelo menos essa é a minha impressão, de que as mulheres leem mais e que os homens jogam mais. A grande massa de novos leitores é composta por jovens, e os agentes e editoras estão bem cientes disso.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho bem positivo uma explosão de novos lançamentos. Mas, obviamente, nem todos são bons, e os blogues são essenciais para que os leitores possam diferenciar o que presta e o que não presta. Livros ruins contribuem para a má reputação dos autores independentes, mas esse é um preço baixo a se pagar pela liberdade por quem quer fazer algo sério. Quem realmente acredita no seu produto tem que investir em parcerias com blogues, mas também precisa gastar algo com divulgação.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Eu não acho que os livros nacionais são caros. Eu acho que os preços dos e-books poderiam sim ser menores. Por exemplo, um livro da Agatha Christie está a venda por 20 reais, e o e-book também está por 20 reais. Acho que há um acordo entre as grandes editoras nesse sentido. Acho que elas não querem estimular a disseminação dos e-readers. Devem ter medo.

Eu sei que há muitos custos envolvidos num livro além da impressão. Mas acho que as editoras poderiam baixar mais o preço dos e-books, e abraçar a ideia dos livros eletrônicos.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não sei bem… Talvez O Código Da Vinci, de Dan Brown.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

O livro tem vários “momentos” e personagens, que pedem músicas diferentes. Mas imagino que para literatura policial, que é o que produzo, talvez fosse algo como Moonchild, do Iron Maiden. Expressa a força que esse tipo de livro tem que passar para o leitor, ao final da leitura; algo consistente, com “pegada”.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Não. Nunca tive essa sensação ao ler livro nenhum.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Minha intenção é criar uma série de livros policiais com o mesmo personagem principal, ou nos quais um determinado personagem sempre seja um dos principais. Por exemplo, Patricia Cornwell tem a série Scarpetta, onde a protagonista é uma médica legista. Assim como meu primeiro livro, Scarpetta tem algo de procedural (no caso dela, mostra detalhes das autópsias). Em O Próximo Alvo, o protagonista é um perito computacional, e como consequência há bastante informação técnica relacionada.

Meu segundo livro, cujo primeiro rascunho já terminei, não é tão procedural; tem bem menos informações técnicas. Outra diferença é que, em vez de se passar em alguns dias, a história principal se passa em algumas horas. O protagonista de O Próximo Alvo também participa, mas não é o único protagonista desta vez.

Para o terceiro livro, talvez eu pegue a oportunidade de continuação que o primeiro, de uma forma ou outra, deixa no ar, mas sem exigir que o leitor tenha lido o primeiro. Ainda não decidi. Mas a ideia é essa: uma série de livros policiais, que podem ser lidos fora de ordem. Mas, assim como acontece com a série Scarpetta, o ideal é que sejam lidos na sequência.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sim. Leio todas as críticas. E as levo em consideração na hora de fazer correções para próximas edições do mesmo livro ou para os próximos livros.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Seria Scott Turow, autor, por exemplo, de “Acima de qualquer suspeita” e “O inocente”. Gostaria que ele lesse porque ele é um autor de sucesso de thrillers jurídicos, que têm proximidade com thrillers policiais. A opinião dele sobre meus livros seria interessante.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Perceber que um leitor gostou do seu livro. Ver que, para aquele leitor, seu livro fez a diferença.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

A quem está pensando em ler O Próximo Alvo, sinto-me na obrigação de ser transparente e avisar: não se trata de uma leitura rápida, e também não é uma corrida frenética. Trata-se de uma trama policial com alguma complexidade, e também com bastante informação técnica. Digo isso para não frustar certas expectativas e evitar que se perca tempo lendo algo que, para alguns, pode não agradar. Prefiro ser franco com vocês antes mesmo que a leitura inicie!

Dada essa ressalva, caso tenham interessarem por ler, estejam à vondade para baixá-lo nas lojas on-line e ler no e-reader ou em qualquer tablet. E claro, vocês podem gostar ou não do livro; e é claro que espero que gostem. Mas de um jeito ou de outro, o feedback de vocês será muito bem-vindo!

Para quem está pensando em escrever, há toneladas de dicas e conselhos na internet, mas se tenho que destacar algum, é esse: aceite o fato de que é algo que dá muito trabalho, e controle as suas expectativas. Escrever o seu primeiro rascunho não é nem 5% do trabalho total (sem contar na parte de marketing, vendas, etc.), e encontrar os leitores para o seu livro também leva tempo. Então, respire fundo, leia mais do que escreve e aproveite a jornada!

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