MANUEL BANDEIRA – UM GRANDE POETA BRASILEIRO

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Em 19 de abril de 1886 nascia em Recife, Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho ou simplesmente Manuel Bandeira. O grande poeta brasileiro que foi também escritor, tradutor, professor de literatura, crítico literário e de arte, um dos maiores nomes da nossa literatura. Apesar de não ter participado da Semana de Arte Moderna de 22, seu poema “Os Sapos” foi lido na abertura dos trabalhos. Manuel Bandeira com seus versos livres e com temas que eram comuns também ao movimento modernista, tornou-se um dos símbolos do Modernismo, apesar dele próprio não gostar de ser rotulado como integrante de nenhum movimento, e de desejar apenas escrever seus versos. Era através da poesia e também da prosa que ele retratava e registrava o mundo que via a sua volta. Era um observador nato, sensível, seu trabalho foi a maneira que ele encontrou de registrar suas impressões, opiniões  e sensações da realidade que o cercava.

Com 10 anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e neste mesmo ano teve sua primeira poesia publicada no Correio da Manhã. Seu talento para a poesia despontava assim muito cedo, ainda criança. Mudou-se depois para São Paulo em 1903. Influenciado pela família, pretendia se tornar um arquiteto, chegou a ter aulas de desenho para facilitar a entrada na universidade de arquitetura, mas um fato mudou sua história e o aproximou para sempre das letras e da poesia. Aos 18 anos Manuel Bandeira descobriu que estava com tuberculose, uma doença sem cura naquela época, uma verdadeira sentença de morte, que ele recebeu em plena juventude, um diagnóstico médico que mudou toda a trajetória de sua vida e o levou a se tornar um escritor e poeta, para desse modo, registrar tudo ao máximo, tudo que ele não poderia viver plenamente e pensava ter de deixar em breve. A solução por ele encontrada para viver ao máximo cada segundo da curta existência que acreditava estar destinado a viver, era registrar tudo que seus olhos viam, ou que seus sentidos percebiam, então passou a escrever sobre tudo, família, mulheres, o amor, a morte, cenas do cotidiano.  Manuel Bandeira, contrariando as palavras dos médicos que foram um veredito de “morte”, com prognóstico de apenas alguns meses ou no máximo poucos anos de vida, viveu mais de 80 anos. Nunca se curou da tuberculose, apesar de não ter sido ela que o matou e teve que aprender a conviver com a doença e com a ideia da morte que o acompanhou por toda a vida.

Ao receber o diagnóstico da doença abandonou a ideia de se tornar arquiteto. Para tentar se curar, passou por vários hospitais em diversas cidades onde o clima poderia favorecer os seus pulmões, mas sem sucesso, acabou indo para a Suíça onde ficou dois anos internado em um Sanatório onde eram tratados os tuberculosos. Foram anos de isolamento, longe da família e dos amigos, numa terra estranha. Eram anos difíceis, o mundo enfrentava a 1ª Guerra Mundial. Bandeira estava solitário, lutando para se curar e para retomar a sua vida no Brasil e a sua juventude que fora posta de lado pelas circunstâncias. Por tudo isso ele começou a escrever e também a ler muito. O cenário mundial em guerra, sua situação, a presença do medo da morte iminente, e a doença recém-descoberta acabaram influenciando toda a sua obra, não apenas os primeiros escritos.

Após os dois anos de internamento ele voltou para o Brasil para retomar sua vida, não estava curado e teria que aprender a conviver com a doença. Mas a vida ainda não tinha mostrado ao jovem poeta toda a sua força. Não bastasse seu problema de saúde, bastante sério, num intervalo de apenas seis anos ele perdeu toda a família, primeiro a mãe, depois sua única irmã e por fim o pai que sempre o apoiou e que chegou a pagar a publicação de seu primeiro livro “A Cinza das Horas”. Assim o poeta ficou sozinho e com a vida, de sonhos e de planos, naturais de um jovem, interrompida.

Apesar de todos esses acontecimentos Manuel Bandeira, ao contrário do que poderia se esperar, não era um homem triste, vivia sorridente e segundo depoimento de pessoas que o conheceram era um homem gentil e bem humorado. Ao se ver sozinho, sem família, ele se aproximou dos escritores que conhecia e que passaram a ser seus amigos, quase que uma segunda família. Entre eles estavam grandes nomes da literatura como Carlos Drummond de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Manuel Bandeira apesar de seu reconhecido talento nunca ganhou dinheiro com seus livros, que receberam prêmios importantes, mas que foram publicados com dinheiro do próprio autor. O poeta seguiu escrevendo sobre tudo, registrando tudo, era observador, atento aos detalhes. Mesmo sendo mais conhecido como poeta foi também um grande cronista que escrevia sobre o mundo e seu tempo com um olhar curioso e criativo. Como não vivia de sua literatura, se mantinha como professor, fazendo traduções, crítica literária e escrevendo biografias.

Na verdade escrever, para Manuel Bandeira, era a forma mais natural de enfrentar a doença e o fato de que por causa dela, não fez o que queria ter feito, nem viveu como gostaria. Não foi arquiteto com pretendeu um dia, nunca se casou.  Já que não era possível vivenciar seus antigos sonhos ele escrevia ou reescrevia a vida da maneira que gostaria que ela fosse, aprendendo a valorizar as pequenas coisas do cotidiano e a viver de maneira mais leve, por isso estava sempre sorrindo. Segundo os amigos, Bandeira se achava um homem feio, mas adorava tirar retratos. Valorizou e aprendeu a aproveitar as coisas mais simples que normalmente não damos valor na correria diária. Em um  de seus poemas: “Itinerário de Pasárgada” ele criou um reino imaginário, só seu onde ele podia tudo, onde não havia limites, onde tudo era possível. No poema ele diz: “… Vou-me embora pra Pasárgada//… Lá sou amigo do rei//… Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei/…E como farei ginástica/ Andarei de bicicleta/ Montarei em burro brabo/ Subirei em pau-de-sebo/ Tomarei banhos de mar/…”

Com o passar do tempo veio o reconhecimento e em 1940 o poeta foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Manuel Bandeira faleceu em 13 de outubro de 1968 . Esse grande poeta deixou uma vasta obra, que se mantém muito importante dentro da literatura até os dias de hoje. Seu legado para o leitor que já o conhece ou para aquele estreante na leitura de seus livros, são os textos em prosa ou em versos, extremamente bem escritos e sem rebuscamentos, versos aparentemente simples, no caso da poesia, mas frutos de um olhar profundo e sensível sobre as coisas, um olhar de quem viveu situações difíceis e que aprendeu a tirar delas lições preciosas, talvez a maior de todas seja que a vida sempre vale a pena, mesmo que não possamos fazer “grandes” conquistas, o importante é aprender a ver o real valor de cada momento e que todo instante é precioso. Não o instante passado, nem o instante futuro, mas o momento “presente” é o que realmente existe de fato, esse presente é que deve ser vivido, aproveitado e saboreado ao máximo.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Colunista e Escritora, estão todos convidados a conhecer minha página de trabalho no facebook : Tradutora Ivana Lopes:

http://www.facebook.com/tradutorafreelancer01/?fre=ts

e meu site Mestres da Literatura  http://ivanascl168.wixsite.com/meusite

 

Fontes de Pesquisa:

WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/ folha online – artigo: Tuberculose e observação marcaram a vida de Manuel Bandeira – texto de Teresa Chaves de 29/06/2009

www.estudopratico.com.br

www.infoescola.com

www.releituras.com.br/mbandeira

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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