M.E.D.O – Ministério Extraordinário da Defesa e da Ordem – Felipe Catusso

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Sinopse: Em um mundo onde os povos se submeteram completamente a um ente onipresente que dita as regras de uma vida próspera e harmoniosa, um subterráqueo ousa desobedecer aos desígnios do Poder e, com apoio inesperado de um mago contrário às crueldades do sistema, lidera um grupo de rebeldes até a superfície. Das terras-que-não-se-deve habitar, ao lado da bruxa de Gargalix, surge uma improvável aliança com os povos que condenados às profundezas invisíveis e os selvagens ousarão, juntos, desafiar o implacável Poder – que será protegido com garras ferozes pelas astutas esfinges e pela força bestial dos centauros que defendem o MEDO.


Resenha: “M.E.D.O – Ministério Extraordinário da Defesa e da Ordem” é minha primeira leitura do autor Felipe Catusso, e me impressionou a riqueza da construção do universo da trama. A história se passa em um mundo dividido em cinco continentes – Liberat, Soviata, Glácia, Ebânia e Simial – todos subordinados a um poder único, que comanda tudo e todos com mão de ferro, o Ministério Extraordinário da Defesa e da Ordem, chamado apenas de MEDO. A sigla em si já nos revela a natureza desse governo e foi uma ótima sacada do autor. Esse governo único tem como slogan a sugestiva frase “Somos todos um”, já deixando clara a concentração de poder em poucas mãos.

 “Acha que a fome me enfraquece? Ou que a prisão me confina? As dores só me fazem lembrar do que me trouxe aqui. Fortalecem-me, afinal, pois sou um sobrevivente.” (Doran – pág.07)

 A sociedade é dividida em castas, cuja hierarquia é muito bem definida e seguida rigidamente. Temos, no topo da pirâmide, as Esfinges – responsáveis pela doutrinação da sociedade – , os Duendes – responsáveis por organizar as atividades do governo e da sociedade – , os Centauros – responsáveis pela defesa e pela ordem, – os Humanos – que realizam todos os trabalhos e atividades necessárias para a manutenção da infra estrutura e os Subterráqueos – todas as criaturas, humanos ou duendes, categorizados como inferiores. Temos ainda as criaturas consideradas selvagens, que vivem nas terras-que-não-se deve-habitar, que vivem a margem do controle do MEDO.

 Essa sociedade vive num regime totalitário, com muitos privilégios para os poucos que desfrutam do poder. A maioria – humanos e subterráqueos – vive uma vida de exploração e privações, forçados a cumprir uma meta de horas de serviços obrigatórios. Na prática, a meta imposta os obriga a trabalhar sem descanso, já que o valor de seu trabalho é baixo e são obrigados a trabalhar muito mais para cumprirem o que o MEDO chama de contribuição obrigatória. Enquanto os poucos privilegiados tem seu trabalho considerado mais valioso, portanto trabalham bem menos para cumprir tal meta. Temos aqui uma clara crítica as desigualdades sociais e a exploração dos trabalhadores.

 Em meio a esse cenário, uma semente de rebelião começa a surgir e aos poucos vai tomando forma entre os humanos e os subterráqueos, contando também com o apoio de alguns poucos elementos das castas superiores que são contra o regime opressor.  A partir de então o MEDO começa a ver seu poder seriamente ameaçado.

 O livro é uma critica ao totalitarismo e a todas as formas de governo que se utilizam da violência, da privação de direitos e da liberdade como forma de se manter no poder. O totalitarismo é representado na trama pela organização chamada de MEDO. Há também referências ao consumismo e ao desrespeito aos direitos humanos, bem como a doutrinação ideológica, que visa transformar a população em uma massa manipulável e sem senso crítico.

 O livro é uma ficção fantástica, mas com influências claras da ficção científica clássica. É possível notar elementos que remetem aos universos criados por George Orwell e Aldous Huxley. Há na trama um quê de 1984 e Admirável Mundo Novo, mas o universo construído por Catusso tem toda uma identidade própria.

 A leitura é bem reflexiva e é possível traçar comparações com muitas situações vividas pelas nossa sociedade atual, como nosso conformismo e a necessidade de se lutar pelos nossos ideais, por um mundo mais justo. Por fim, é um convite à reflexão, muito bem vindo neste momento atual da nossa sociedade.

 Uma ótima leitura, super recomendada !

Resenha de Michele Lebre, resenhista do Arca Literária

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