Lucila Guedes

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou mineira, mas moro em Curitiba há muitos anos. Formei-me em Direito Pela U.E.M. (Universidade Estadual de Maringá). Trabalho no Ministério Público do Paraná desde 2003 e, nas horas vagas, escrevo. Sou uma sortuda por fazer o que gosto.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Trabalho no Ministério Público do Paraná e escrevo nas horas vagas, mas o faço com muita entrega. Desde menina tenho essa coisa de pôr no papel minha visão das coisas, do mundo, de mim mesma.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Escrever, por si só, já é uma coisa incrível. O ato de deslizar os dedos sobre o teclado, deixando fluir o que vai aqui dentro, é inigualável. Quando o resultado me parece rico, belo, com uma estética que me representa, aí sim, é o nirvana.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Triste, mas não. Escrevo na sala de jantar (a sala de TV é ao lado), controlando minha irritação com os barulhos invasivos da televisão, e tentando abstrair as conversas do meu marido e da minha filha. Ah, tem também os latidos da Dakota (minha cadela) e seus insistentes pedidos de atenção. Mas acho que esse ambiente acaba se tornando propício à escrita, na medida em que minha família (isso inclui a Dakota) é motivo constante de inspiração.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Passeio pelos gêneros constantemente. Nos últimos tempos, tenho preferido o gênero narrativo, a boa prosa, mas houve um tempo em que eu escrevia poemas todos os dias.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Tenho vários livros de poemas, muitas crônicas e também alguns contos, nenhum deles publicado. Consegui mudar essa realidade quando decidi escrever um romance, Alice no País do Amor, um livro voltado para jovens mulheres (chick-lit), pois retrata os dilemas vividos por elas, suas questões familiares, a tão sonhada realização profissional e a busca pelo amor. Por sorte, escolhi o título antes mesmo de começar a escrever. Meu segundo livro, no entanto, já está na metade, e não tenho ideia de qual será o título (tá difícil!). Já os nomes das personagens vêm à cabeça quando a personalidade delas fica mais nítida.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

A história do Alice se passa em Curitiba, uma cidade que conheço muito bem, assim como sua cultura e costumes locais. Então não foi preciso fazer muita pesquisa. Estou escrevendo meu segundo romance, mas ainda não decidi se Curitiba, mais uma vez, será escolhida como cenário. No entanto, a pesquisa é sempre necessária em relação às personagens, suas idiossincrasias, alguma característica fora do comum, etc. Faço muita busca na internet, e procuro fazer um trabalho de “imersão emocional”.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Clarice Lispector e Jane Austen são minhas escritoras preferidas, e, embora seus estilos divirjam bastante, creio sofrer sua influência (ou pelo menos espero que sim!).

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Mandei o manuscrito do Alice para “mil” editoras. Algumas sequer me responderam. Outras o recusaram cordialmente. Recebi resposta positiva do selo ‘novos talentos’, da editora Novo Século, e da Chiado. Acabei optando pela última. Nunca tentei publicar meus livros de poesia, talvez por achar que o gênero lírico anda em baixa no Brasil.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que a literatura nacional está passando por uma fase de muita produção, com o surgimento de grandes escritores, alguns muito jovens, mas de muita criatividade, outros apresentando trabalhos interessantes, com novas propostas e formatos literários. Claro que, no meio dessa eclosão de escritos, há os que não têm qualidade literária, mas isso acontece em todas as áreas do conhecimento. A dificuldade maior, a meu ver, é o fato de as editoras comerciais terem resistência em apostar em novos nomes, em atenção à segurança econômica. É muito difícil ver uma editora de renome correndo risco por um projeto em que acredite, embora haja exceções.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Penso que a literatura sempre terá que enfrentar intrusões medíocres, ou até mesmo lidar com aqueles que desejam fama e riqueza à custa da qualidade de seu trabalho. No entanto, há consumidor para todo tipo de ficção, desde a mais romântica até a chamada hot ou literatura erótica. Este estilo, aliás, pode ter muita qualidade e nos surpreender positivamente, como são, por exemplo, as obras de Anaïs Nin.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É uma tristeza que seja assim, realmente. Ainda mais com a previsão constitucional de imunidade fiscal e tributária. Infelizmente não conheço o processo editorial mais a fundo, por isso não posso debater essa questão com mais propriedade.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Apesar de não ser meu estilo, sempre gostei muito das histórias de Harry Porter. As personagens, a trajetória do bruxinho mais amado do planeta, a escola, enfim, tudo é maravilhosamente criativo. Não é à toa que fez o sucesso que fez.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Na verdade, o Alice tem uma espécie de ‘trilha sonora’. Na pág. 225, constam as “músicas do coração”, que são: 1. Love me, Please Love me, de Michel Polnareff; 2. I Want it that Way, de Backstreet boys; 3. Love me, de Norah Jones; 4. I Won’t Dance, de Frank Sinatra; 5. Waking on Sunshine, de Katrina and the Waves; 6. I’ve Got You Under My Skin, de Frank Sinatra; 7. I Get a Kick Out of You, de Frank Sinatra; 8. Heal the Pain, de George Michel; 9. Yes, de Tim Moore; 10. Amor e Sexo, de Rita Lee; e 11. If, de Bread. Cada música se encaixa em uma situação do livro.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Hum, já. Até ler outro que despertou a mesma sensação. São tantos os livros maravilhosos ao longo da História, que fica quase impossível escolher um, mas vamos lá: Crime e Castigo; A Hora da Estrela; A Insustentável Leveza do Ser; O Primo Basílio; Razão e Sensibilidade; dentre outros.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, estou escrevendo meu segundo romance, que não tem nada a ver meu romance de estreia, mas assim que o termine, pretendo trabalhar em uma continuação do Alice. Quero continuar produzindo textos até o fim.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Tento acompanhar, apesar de ser um verdadeiro “mar de informações”. Desse mar, contudo, sempre tem como separar o joio do trigo e ficar conhecendo o trabalho incrível de escritores nacionais. Acho a atuação blogueiros fundamental para a divulgação da literatura nacional. Mas, como tudo na vida, há os sérios e compromissados e os não tão sérios assim…

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Carina Rissi, Marta Medeiros, Leila Ferreira, céus! são tantas mulheres talentosas e maravilhosas que eu gostaria que me lessem…

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Tocar o coração dos leitores, emocionar…

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos leitores, peço que continuem a ler, apesar da correria do dia-a-dia. É uma forma de conhecer lugares distantes e até viver vidas diferentes, desde que haja empatia com as personagens. Além disso, é a melhor maneira de se desenvolver como ser humano. Aos escritores iniciantes, aconselho que se entreguem ao ato de escrever, dando o melhor de si. Isso significa toneladas de trabalho, ser chato com detalhes e até perfeccionista. Feito isso, que jamais desistam de publicar e divulgar seu trabalho. O mundo precisa de bons livros e bons livros devem continuar existindo sempre, independentemente do que o futuro reserve à humanidade.

Agradeço à equipe do Arca Literária pela atenção e carinho recebidos!

Mais informações sobre o livro nos links: Easybooks, Chiado Editora,  Skoob, Goodreads

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