Luciana Ramos

0
703
  1. Fale-nos um pouco de você.

Bom, eu me chamo Luciana. Mas os amigos e familiares costumam me chamar de Lu. Tenho 35 anos. Moro na capital do estado da Paraíba (João Pessoa). Sou pernambucana e capricorniana. Adoro cachorros. Tenho uma vida muito simples (baseada no princípio do minimalismo, onde o “menos” muitas vezes pode ser “mais”). Adoro tocar violão, acompanhar canais do YouTube, assistir a filmes e seriados. Não gosto muito de televisão e sempre estou de posse de livros ou de meu kindle em qualquer lugar onde vou. Amo muito mais escrever do que advogar e, algum dia, penso em viver apenas trabalhando meio expediente como servidora pública e o outro expediente escrevendo. Esse é meu grande sonho: aprender o árduo ofício de escrever (através de muito estudo) e passar muitas horas de minha existência dedicadas a essa arte tão linda: a literatura.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Como já disse, sou servidora pública e advogada. Escrevo nas horas livres. Nunca tive um sonho de ser escritora, mas há dois anos, devido a um sério problema familiar, comecei a escrever meu primeiro livro (Marcas do Passado) para fugir da tristeza que sentia na época. Foi como se fosse uma válvula de escape.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa em escrever é poder transferir os diálogos das minhas personagens da minha cabeça para o papel (ou melhor, para meu editor de texto). Como a Clarice Lispector disse certa vez, “Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida.” E isso, eu e a estupenda escritora temos em comum: escrevo para salvar a minha vida do não entendimento do que ela representa. Escrevo porque isso me traz um absoluto e inexplicável bem-estar.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Tenho sim. É simples, mas é bastante confortável e calmo.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo romances de drama com uma pitadinha leve de erotismo. Meus livros não podem ser considerados “hots”, embora meu novo livro (A Razão de Todo Meu Amor) esteja um pouco mais apimentado. Pretendo escrever romances policiais, um livro sobre filosofia e espiritualidade, e um livro infantil. Porém, meu foco sempre será os romances de drama e romances policiais.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meus livros falam sobre situações comuns. Gosto de retratar grandes amores (daqueles bem verdadeiros mesmo, sabe? Que duram a vida toda). Meu livro MARCAS DO PASSADO fala sobre uma mulher que vive um romance com um homem cinco anos mais novo. Após uma separação traumática, Sophia Medeiros e Fábio Torres terão que vencer vários ressentimentos para deixar que o amor que um dia os uniu volte a reaproximá-los. O livro CANTE PARA MIM fala sobre um casal que se conheceu quando tocavam numa banda de Rock aos 23 anos. Um dia, em meio à felicidade do casal, Eva Martins some da vida de seu namorado Lucca Baroni. Após o abandono que culmina em terríveis acontecimentos para a vida dele, Lucca vira um homem muito amargurado. A história retrata o reencontro deles depois de nove anos. É um enredo repleto de amor, perdão, suspense e muita música. Por fim, o meu terceiro livro (e o primeiro da Trilogia Amores Eternos) chamado A RAZÃO DE TODO MEU AMOR conta a história de um produtor musical brasileiro que se apaixona por uma repórter australiana radicada nos Estados Unidos. Quando ela se vê em perigo, fugindo de um erotomaníaco e serial killer, a Susan Miller procura a ajuda de seu amigo Arthur Baroni – SIM, O FILHO DO CASAL EVA E LUCCA. A história do Arthur e da Susan é muito sofrida e cheia de dramas, mas tem um lindo final feliz.

De onde encontro inspiração para os enredos e nomes das personagens? No dia a dia. Como dizem por aí, a “arte imita a vida” – OBS.: frase modificada a partir da clássica citação de Aristóteles: “a arte imita a natureza”.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Minhas pesquisas se restringem a buscas feitas por meio da internet ou de lugares que visitei, ou ainda, de situações que vivi ou presenciei. Para escrever o livro “Cante para Mim”, fui fazer uma pesquisa “in loco” num haras próximo a Belo Horizonte porque queria conhecer a raça de cavalos Campolina. Peguei um avião e parti para longe de casa. Foi uma experiência singular em minha vida.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não me inspiro em nenhum grande escritor em particular, embora seja fã de vários.

  1. . Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Dificuldades para publicar livros físicos no Brasil é uma constante para 99,999999% de qualquer escritor nacional. É muito angustiante perceber que a maioria das pequenas e médias editoras estão se tornando, cada vez mais, meras “gráficas”. Não são poucos os casos em que as editoras não se preocupam com o que lançam no mercado. Quando a qualidade da capa e do papel não é ruim, a revisão do texto é sofrível. E aí vem os problemas para garantir uma eficaz distribuição e marketing dos livros. Sei que editoras são empresas e precisam ter lucro, mas o que tenho visto por aí são editores só no nome, que não editam os livros e apenas os lançam com preços ABSURDOS. Não passam de empresários querendo faturar em cima dos sonhos de escritores iniciantes. Publiquei meus dois primeiros livros através de um editora do Rio de Janeiro. Meu contrato acabou recentemente e agora estou buscando uma nova casa minha TRILOGIA AMORES ETERNOS. O livro 1 (A Razão de Todo Meu Amor) está em pré-venda na Amazon. O livro 2 será lançado no fim do ano. O livro 3 tem previsão de lançamento para março de 2017. Mas até achar uma editora que tenha respeito pelo meu trabalho, resta-me a autopublicação.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

A literatura nacional está crescendo muito. Vários escritores de sucesso têm saído de plataformas como Wattpad e Amazon. Só acho que, assim como as editoras, os próprios escritores precisam melhorar e se dedicar com mais acuidade a esse ofício. Escrever não é simplesmente jogar uma ideia no papel. O ato de escrever demanda muito estudo e disciplina. É preciso ter respeito pela Língua Portuguesa e pelo leitor, que não pode se satisfazer com livros/autores que mal conhecem o uso correto da vírgula e nem sabem o que é um aposto. Ainda será necessário um longo caminho pela frente para o amadurecimento desses jovens autores. Agora, um fato incontestável é que os escritores brasileiros precisam de mais espaço nas editoras brasileiras. Só assim teremos, daqui a vinte anos, escritores e livros nacionais consolidados no Mercado Editorial. Focar 70% dos lançamentos nos “grandes sucessos gringos” atrapalha o crescimento dos nossos talentos. Deve haver espaço para todos, igualmente.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

 O que falta a essas pessoas é mais HUMILDADE, MATURIDADE E ESTUDO/DEDICAÇÃO/ZELO. Ter uma boa história na cabeça, colocá-la num editor de texto e depois lançá-la no Wattpad, Amazon, etc. não faz de alguém um escritor. Errar, todo mundo erra. Escrever bem é um processo natural que acontece com o passar do tempo. Eu mesma tenho procurado me capacitar para ir melhorando meu processo de escrita (porque olho para meus livros e enxergo neles enormes possibilidades de melhorias). No entanto, há jovens com milhões de visualizações de seus escritos na internet que mal sabem escrever direito e já se acham os melhores escritores do país.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Um grande desrespeito ao leitor brasileiro que paga suas contas básicas com dificuldades. Como uma pessoa que ganha um ou dois salários mínimos pode se dar ao luxo de comprar um livro por 40 reais? Esses preços que o mercado está aplicando não são justos. E quem perde? A literatura nacional.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

São tantos. Não posso escolher apenas um. Citarei alguns, sem ordem de preferência: A Senhora, de José de Alencar; 1984, de George Orwell; As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift; Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez; O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien; O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C. S. Lewis; Laranja Mecânica, de Anthony Burgess; Travessuras da Menina Má, de Mário Vargas Llosa; O Sol é Para Todos, de Harper Lee; Se Houver Amanhã, de Sidney Sheldon; Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Chistie;  Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago; Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski; Capitães da Areia, de Jorge Amado.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Quem me conhece sabe que em meus livros há dezenas de canções. Adoro unir essas duas artes tão lindas: literatura e música. Assim como ocorreu no item acima, fica praticamente impossível escolher uma única música. Só que agora, acabei de me recordar de uma que eu simplesmente amo: Somewhere Only We Know (Keane). É a minha cara.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Li um livro há uns dois ou três anos chamado o PODER DO AGORA, de um escritor espiritualista alemão chamado Eckhart Tolle. Os escritos desse cara mudaram a minha forma de enxergar o mundo. Quando crescer, quero ter a mente desse sujeito. Ele me passa calma, humildade e uma sabedoria fascinantes. Então, posso afirmar que, em vários aspectos, esse pequeno livro mudou a minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Quando finalizar minha trilogia AMORES ETERNOS, penso em parar de escrever para voltar a dedicar mais tempo à advocacia. Mas tenho projetos engavetados sim. Pretendo escrever romances policiais, um livro sobre filosofia e espiritualidade, e um livro infantil. Meu foco, no entanto, sempre serão romances (de drama e policiais).

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho alguns blogueiros. Acho um trabalho muito importante para permitir ao leitor comum gastar sua grana em algo de qualidade. A resenha de um blogueiro influencia, e muito, as pessoas que acompanham seu trabalho. Isso demanda muita responsabilidade. Vejo alguns blogueiros fazendo críticas positivas de livros ruins (ou péssimos) só porque ganharam o livro do próprio escritor ou das editoras (nas chamadas “parcerias”). Claro que um leitor pode amar um livro e esse mesmo livro ser odiado por outro leitor. No entanto, não é possível falar bem de uma obra com enredo medíocre, mau uso da gramática ou personagens chatos/sem noção. Já vi esse tipo de coisa acontecer no pouco tempo que estou nesse “mundinho das redes sociais de escritores/leitores/blogueiros”. No entanto, o mundo da literatura representa o MUNDO COMO UM TODO. E em todos os meios, há pessoas que se vendem por muito pouco. Apesar dessa realidade, ainda existem blogueiros comprometidos com a verdade e com a qualidade de suas resenhas. Ou seja, não têm “rabo preso”.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu escolheria a minha mãe, Maria Betânia, que tem 59 anos e sofre com uma demência em estágio avançado (Alzheimer) tão rara em pessoas que ainda não são idosas. Minha mãe nunca pôde ler meus três livros. Eu daria tudo para tê-la como minha maior leitora e fã. Hoje, ela não fala; não come sozinha; não toma banho sem supervisão; não sabe escovar os dentes; não faz nada sem auxílio de um cuidador, pois precisa de atenção o tempo todo. Peço que orem por minha mãe, Dona Betânia, que eu tanto amo e que tanto já fez por mim. Apesar de não mais saber ler ou escrever, ela compreende o quanto eu gosto do que faço. E ela fica feliz por mim, a seu modo, dentro de suas limitações. E nós sabemos o quanto nos amamos… porque como diz uma das minhas personagens: “amor de mãe não morre nunca!”. Amor de filha também não!

 

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ler ou escutar um leitor dizendo que amou seu livro e que aquele tempo despendido ao lê-lo não foi em vão porque foram horas de puro encantamento e fuga dos problemas de sua vida. Isso faz nós, escritores, esquecermos de todas as dificuldades e seguirmos caminhando nessa luta difícil que é escrever no Brasil. É muito gratificante para o nosso “ego”. Kkkkkk.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

LEITOR: Procure ler alguns livros diferentes. Procure sair de sua zona de conforto de vez em quando. Abra-se para novas possibilidades. Se você leu quatro romances de CEOs, “HOTs” OU DE DRAMA CONTEMPORÂNEO, busque um clássico da literatura nacional ou estrangeira para ser o quinto livro da lista. Dê-se a chance de ler uma biografia, um livro histórico ou um livro de aventura. Arrisque-se um pouco em algo diferente e depois retome para as suas predileções literárias. Não leia uma coisa só o tempo todo!

ESCRITORES INICIANTES (como eu): Vamos estudar! Apenas criarmos uma boa história não é suficiente. Precisamos focar no uso correto da gramática. Isso é o mínimo que se espera de um escritor. Temos, também, que ler mais. Quanto mais se lê, melhor se escreve. Façamos cursos on line, faculdades, especializações. Vamos procurar melhorar nossos escritos. O leitor agradece nossa disciplina, nosso estudo e nosso cuidado com o que colocamos no papel. Olhemos para nossos livros como obras inacabadas e necessitadas de melhorias constantes. E, por fim: vamos sempre ter cuidado para não deixar que a ansiedade de publicar nossos livros nos coloque em enrascadas ao assinarmos contratos ruins com editoras ruins. Ah, e agora um conselho como advogada: LEIA E RELEIA AS CLÁUSULAS DOS SEUS CONTRATOS LITERÁRIOS, COM BASTANTE ATENÇÃO.

Um abraço a todos.

Luciana Ramos

Quer divulgar conosco? Clique aqui!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here