Lilith-Meu livro proibido – Maria da Paz Guerreiro

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O conto de “LILITH-meu livro proibido” de Maria da Paz Guerreiro é um conto de ficção sobrenatural/histórico com fortes pinceladas de terror erótico que traz para o leitor a história de Lilith e duas de suas muitas encarnações.

A primeira delas é de Guadalupe Della Vega, que foi com a família em 1880 morar na pacata cidade de Vadenberg, nos Alpes Bavários, fugidos da Santa inquisição espanhola.

Encontrados, porém e sumariamente acusados de bruxaria, morreram todos na fogueira nas terras da Casa da Montanha.

Em 1909 é a vez da bela mulher, Eule Schlütter, ir morar sozinha na Casa da Montanha, o que já foi considerado um escândalo na cidadezinha. A bela mulher, porém, pede que seu mordomo vá até a cidade e chame moças para cuidar do serviço doméstico para ela. Uma das primeiras moças é Bertha. E ela uma das primeiras pessoas que descobrirá a verdadeira identidade de Eule.

Outra pessoa é o Padre Anton, que acompanhava as cruzadas, e presenciara o terrível destino da família de Guadalupe.

Agora, ele mais uma vez constatava que Lilith assumia uma nova identidade, como Eule.

 Ele sabia que as escrituras haviam sido alteradas com o passar dos séculos e as informações sobre a primeira mulher de Adão-LILith, criada do barro- foram suprimidas da Bíblia.

O gênesis- primeiro capítulo do livro sagrado-falava de uma mulher no capítulo um e de outra, no capítulo 2.

Mas, se ele falasse algo a respeito, seria considerado um herege.

Quando os recém-nascidos começaram a desparecer de seus berços e jovens adolescentes acordarem mortos e emasculados, ele sabia da verdade. Mas nada podia ser feito, ele temia por sua vida…

Lilith foi relegada a viver vagando pelo mundo e assim, fui unir-se a Lúcifer, o Senhor das Trevas.

 Lilith virou então uma Succubus que, segundo a mitologia,é um demônio com aparência feminina que invade o sonho dos homens, mantém relações sexuais com eles e retira sua energia vital, a ponto de adoecê-los ou mesmo matá-los.

Mas, isso não é tudo.

Diz que existe também o Incubus, a versão masculina do demônio e que além de dormirem com as mulheres, ainda tem o poder de engravidá-las.

 O mito vai além: diz que o mesmo demônio pode assumir uma forma e outra, gerando filhos como demônios.

O livro é curto, com apenas 88 páginas, trazendo em linguagem culta sem ser rebuscada, uma trama que revela dois dos principais dogmas da Igreja Católica:

  • A existência de duas mulheres da criação, e que o Deus abandou uma dessas mulheres porque ela não aceitou subjuga-se ao homem. Conta-se ainda, numa das versões para o mito, que Lilith se transmutou em serpente e incitou a Eva a comer a maçã e por causa disso, eles foram expulsos do Éden-o paraíso sobre a Terra.
  • A necessidade da mulher se subjugar ao homem para manter o patriarcado: uma das formas que a sociedade encontrou para garantir que a prole seja descendente de um único homem, a quem herdaria seus bens. Mesmo a igreja mantém esse poder patriarcado, mantendo assim intacta, a riqueza obtida.

O que aconteceria se de fato, Lilith ainda tivesse poder neste mundo?

É esse mito que foi tão bem explanado nessa versão repleta de terror e erotismo, e é com muita propriedade que a autora narra em terceira pessoa, de tal forma que finda a leitura, você teme que a lua surja e a sombra de Lilith esconda o brilho prateado de sua luz, tornando a noite escura e misteriosa- como sugere a capa do Livro.

Um conto memorável.

Resenha de Michelle Louise Paranhos, resenhista do Arca Literária

2 Comentários

  1. Já queria ler o livro antes, agora fiquei ainda mais curioso. Já fiz o download da amostra na Amazon.

  2. Achei essa história muito interessante, em geral quando se fala de histórias que envolvem a igreja, a bíblia, há sempre muitas dúvidas e mistérios envolvidos. Gostei muito da resenha, me despertou o interesse pela história. Parabéns.

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