Leonardo Monte

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1. Fale-nos um pouco de você.
Sou uma pessoa simples, tenho uma esposa e uma filha que amo muito e são minha inspiração para tudo o que faço. Sou dono de uma pizzaria em Fortaleza onde trabalho à noite e escrevo nas horas da madrugada. Não sou um positivista, mas sou um esperançoso e bem humorado escritor de terror, quem conversa comigo e me conhece fica surpreso ao saber os temas que escrevo.

2. O que vc fazia/faz além de escrever? de onde veio a inspiração para a escrita?
Sou zootecnista de formação e na época que escrevi o meu primeiro livro tentava o mestrado e fazia bicos de barman e segurança de boate em Minas Gerais, na época do segundo livro já trabalhava em minha área, em Fortaleza, com nutrição de cães e gatos.

3. Qual a melhor coisa em escrever?
Ouvir um “cara, antes de você eu não lia nada, depois de Cerberus eu virei um devorador de livros”

4. Você tem um cantinho especial para escrever? 
Na verdade não, depende das cenas. Quando preciso escrever algo mais romântico, escrevo dentro de um Subway que tem visão para o mar, quando são cenas mais macabras, escrevo na praça de alimentação do shopping… escrevo onde tem ar condicionado e uma coca cola há menos de dez metros.

5. Qual seu gênero literário? já tentou passear em outros gêneros?
Escrevo terror/fantasia, mas tenho um projeto de um livro de comédia baseado em meu grupo de RPG e as tosquices que já fizemos em jogo

6. Fale-nos um pouco sobre os livros “Cerberus – Entre Cobras e Ursos” e “Cerberus 2 – O diabo pede carona”
Cerberus é uma série que trata da miséria humana em um mundo pós apocalíptico, a trama se passa no Brasil nesses dois primeiros livros e contam a história de seis garotos que estudam na academia aprendendo como enfrentar os extraplanares (seres que destruíram nosso mundo), mas o cerne de Cerberus não é esse, e poucas pessoas conseguem enxergar como mais que um livro de terror. Cerberus tenta nos mostrar e fazer refletir sobre como reagiríamos quando tudo parece estar perdido… tenta nos fazer valorizar conceitos e valores há muito desprezados: amizade, fé, amor, honra… essa é minha verdadeira mensagem.

7. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?
Em amigos e conhecidos, com certeza.

8. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
Eu pesquiso muito, desde lugares até a biologia do mundo. Por exemplo, muitas pessoas perguntam: onde se passa Cerberus? Pela vegetação deve ser na região sul.
Bem, onde se passa não é importante, mas precisei refletir muito como estaria a vegetação do Brasil 300 anos após nossa época: sem industrias, sem desmatamento, sem 90% da população mundial para destruir a natureza… enfim, tive que pesquisar um bocado pra saber sobre clima, vegetação, fauna e até mesmo encontrar explicações físicas ao menos plausíveis para explicar o comportamento dos extraplanares e seus poderes.

9. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
Bernard Cornwell

10. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
Não, Cerberus foi aceito com menos de um mês desde que enviei-o

11. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
Sinceramente, acho muito ruim. Editoras encontraram uma forma de ganhar dinheiro fácil aprovando muita literatura ruim e não dando sequer auxílio para esses escritores iniciantes. Encontramos na net muita coisa mal revisada, mal diagramada e pior: sem nenhuma originalidade. Hoje está fácil ser escritor, mas como leitor está muito difícil encontrar bons livros nacionais (E EXISTEM!) no meio de tantos ruins.

12. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
Justamente o que comentei lá em cima:
Escritores que sequer se preocupam em saber o português, editoras que sequer leêm na íntegra o que irão publicar… não podia ser pior. Como disse: não sou positivista, mas tenho esperança que os bons irão se manter e os ruins, sempre vão existir, mas será mais fácil identifica-los… se existem até os internacionais ruins, imagine os nacionais.

13. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
Ridículo, um governo que taxa livros em quase 50% e os considera bens de luxo e não essenciais… só pode querer “emburrecer” mais ainda nosso povo. Honestamente, acho que é proposital.

14. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
O Cordeiro – de Christopher Moore

15. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)
Freedom – Paddy and the rats (pras cenas de combate)
Yellow Ledbetter – Pearl Jam (pras tristes)
Dimmu Borgir – Dimmu Borgir (pras tensas)

16. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
Shantaram – de Gregory David Roberts (e o que me dói mais é que sou o único que conheço que o leu)

17. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Sempre. Como disse tenho o projeto de um livro de comédia que fala de um grupo de aventureiros patéticos num mundo de fantasia e dragões.
Outro que possuo é o Vraine, um terror passado em uma Brasília cyberpunk no ano de 2.080 e trato de máfia.
Outros estão muito verdes para comentar ainda, mas tem a ver com a cultura lagartiana.


18. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? o que você acha sobre isso?
Acompanho. Graças a Deus com relação ao Cerberus 100% foram positivas, a única critica que recebi foi de uma blogueira que disse “não gostei das cenas de tortura, me fizeram soltar o livro e sentir-me muito mal” isso pra mim foi um elogio.
Acho que no momento que você escreve um livro e aceita ser resenhado você deve aceitar o que vier, se claro, for uma critica imparcial. Ninguem agradou a todos, ser criticado é normal: Tolkien foi, JK ainda é, Dan Brown também… que mal há?

19. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
Bernard Cornwell

20. Qual a maior alegria para um escritor?
Quando alguém te encontra e diz “cara, seu livro é meu favorito”

21. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
Sejam originais e sinceros consigo mesmos. Procurem escrever algo que vocês se identifiquem e gostem e não algo que está na moda. Se você amar o que escreve e entender do assunto, você poderá fazer a nova moda. E leiam! Leiam muito! Ler faz parte do trabalho de ser um escritor! Não acredito que alguém possa ser escritor e não gostar de ler. Por último, escrevam sempre, todos os dias, façam metas de numero de páginas ou palavras. Escrever é 90% prática e 10% de talento. A criatividade vem com a leitura e a pratica.
Sejam felizes!

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