Leonardo Leandro e Silva Dutra

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou o cara que ouve desde pequeno que sou a dupla sertaneja numa só pessoa devido ao meu nome. Um sonhador. Que sempre desejou viver de suas histórias, mas que teve que interromper essa trajetória para ter uma vida que acreditava ser estável financeiramente. Mas que percebeu que deixar de lado o que faz seu coração vibrar só me fez doente emocionalmente e infeliz. Pois a razão correu atrás de segurança financeira, mas as ideias, histórias, continuavam brotando, e o coração continuava inquieto. Daí a vida tratou de dar uma forcinha. Ocorreram situações no trabalho que mostraram que não valia a pena abrir mão de meus sonhos. Desde então, no ano de 2018 comecei a mergulhar em minha preparação e qualificação. E os frutos começaram a surgir já no início de 2019.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou servidor Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. Porém, em transição para a carreira de Escrito/Roteirista, e para tal, estou estudando profundamente sobre a arte da escrita e sobre a mente humana. Desde cursos de roteiro, à pós-graduação em psicanálise dos contos de fadas. Nem sei precisar de onde vem a inspiração, pois desde minhas primeiras lembranças, só vêm recordação de histórias que imaginava. Lembro bem de quando brincava com meus bonecos do “He-man”, “Comandos em ação” e “Transformers”; sempre criava umas historinhas e criava uma ações com os brinquedos.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Uma sensação empolgante em criar um novo universo, um novo mundo, novas pessoas e conflitos. E quando vejo alguém lendo o que criei gostando da obra, sinto uma sensação de objetivo alcançado: Entreter, divertir, e criar um canal de viagem para o leitor. Uma espécie de cápsula em que ele consegue sair de sua vida e mergulhar em outro universo, na vida de outras pessoas.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Na verdade, não. Até tenho uma mesa com cadeira confortável e luminária. Mas às vezes sinto-me à vontade escrevendo deitado no sofá, outras vezes até na mesa da cozinha, sentado na cama… Onde a inspiração brotar.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu costumo dizer que sou bem eclético. Gosto de escrever terror, comédia, Infantil, Ficção, Escrevo animação para cinema, aventura…

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Esse conto foi inspirado nas ruínas do bairro Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis. Atualmente, reformaram e transformaram num restaurante. Mas na adolescência eram ruínas abandonadas, pertencentes à família de um colega. E as histórias de Franklin Cascaes, autor local falecido em 1983, aguçava nossa imaginação. Sobre onde encontro inspiração para títulos e nomes de personagens, posso dizer que se deve ao fato de eu ler e assistir de tudo um pouco. Converso com pessoas de todos os credos, ideologias, profissões… As histórias de vida alimentam meu subconsciente.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Pesquisa da história do local, das regras vigentes à época da história. Pesquiso nomes, cultura, credo, alimentação, acontecimentos marcantes, opiniões contrárias… Faço um mergulho. E digo mais, essa é a parte mais demorada. Vou alimentando o arquivo físico que crio, bem como o mental, até conhecer tudo e todos que irão compor o universo e personagens criados. A partir daí, o personagem parece ter vida própria e a história é escrita com facilidade.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Na verdade nenhum em específico. Como me autodefino eclético, tento ler de tudo um pouco e assimilo o que gosto em cada obra e autor.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Como comecei bem recente nesse universo da escrita, só teve um até agora que não consegui. Mas a editora estava certa, pois apesar da ideia ser muito boa, eu era muito cru nas técnicas narrativas. Já comecei a reescrever a história para torna-la mais atraente e quem sabe ano que vem não reenvio e consigo publicá-la. Ou até mesmo por outra editora.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Assim como área do cinema, tecnologia, transportes etc, o cenário literário nacional vem sofrendo mudanças. Porém vejo como positivas. O mundo mudou, as pessoas mudaram, o mercado tem que se adaptar. Afinal, não é isso que ele mesmo prega para os escritores que não sabem ou não conseguem se reinventar? A era digital mudou radicalmente a forma como as pessoas interagem e se manifestam. Há pessoas que jamais leram um livro físico. Já iniciaram com dispositivos digitais de leitura de livros e não sentem a menor falta. Eles estão errados? Jamais. Nós precisamos nos moldar ao que o leitor busca. Tanto aos novos quanto aos que já vêm de longa data.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que todos têm o direito de se expressar e lançar seus livros. Quem define o que ler é o leitor. Não adianta editora, publicitário, influenciador e quaisquer outros profissionais quererem impor quem é “bom”. O leitor que irá escolher e filtrar. A meu ver, esse boom é importante porque muitos que não teriam oportunidade de serem publicados. Com as ferramentas digitais e autopublicação tornou possível de se realizar. E como já disse, se agradar o público, o autor continuará publicando, caso contrário, correrão para os que os agradam.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Creio que a tecnologia permite preços menores. Penso que outros fatores, que não sejam ligados diretamente à publicação em si, mas sim que fazem parte da cadeia de divulgação, “jabá” entre tantos outros fatores, que acabam contribuindo para os preços elevados.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Ah, tem alguns. Tem um que inclusive tive uma ideia bem parecida, que foi um sucesso, A Batalha do Apocalipse, Eduardo Spohr. Mas estou dando alguns anos para realizar esse projeto.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

Há vários, mas quando foi perguntando a que veio imediatamente em minha cabeça foi a música “Não é proibido”, de Marisa Monte, para o meu livro infantil “O Julgamento de Dona Formiga”.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Ah, sou tão tocado com várias histórias, que fica difícil eleger um.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Se tenho… Mas não estão apenas em minha mente. Há os que estão na mente, e os que estou colocando em prática. Em execução, tem o Conto da antologia de terror Colmeia de Sangue; buscando antologia de poesia para enviar dois poemas; Produzindo dois contos para a antologia “Nas Mãos da Morte”. Estou finalizando o roteiro da animação “Ponto de Vista. Uma Aventura nos mares” e enviando pra festivais de roteiro. Estou Trabalhando na animação Uniclara e sua Turma, com previsão de término para dezembro de 2019. E estou em fase de pré-produção do meu primeiro longa-metragem. Uma história de terror chamada “ByVoice”. Por enquanto é isso. Os demais, por condições humanas, terão que ser deixados para o ano que vem rs.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Na verdade não acompanho. Não posso dizer que sou contra ou a favor. Mas vou dar explicação no contexto da área de cinema. No Brasil criou-se uma noção de que cinema é algo que deve ser feito somente como arte, e que qualquer intenção comercial seria destituída sua essência. Cito dois exemplos pontuais para entenderem melhor. Anselmo Duarte foi premiado com a Palma de Ouro no Cannes com seu filme “O Pagador de Promessas”. Ora, em qualquer lugar do mundo, onde o bom senso prevalecesse, o Anselmo seria ovacionado. As escolas de cinema o convidariam para ensinar. Roteiristas, diretores e demais profissionais iriam querer aprender com ele. Mas aqui houve um movimento contrário, pois o filme teria virado muito “comercial” na opinião doas profissionais à época. O segundo exemplo, é em relação às comédias nacionais que cada vez mais batem recordes de bilheteria. As salas de cinema cada vez mais lotadas indicam que o produto final é um sucesso, uns beiram a 10 milhões de expectadores. Quando digo sucesso, quero dizer que conseguiu se comunicar com seu público. Paulo Cursino é o roteirista com maior número de comédias de sucesso. Daí o papel da crítica foi o mesmo que teve na época do Anselmo Duarte. E Paulo Cursino, com ótimo bom senso que tem, continua seguindo sua intuição e visão de mercado. Quem considera filme um negócio, business, é tratado como herege. Eu já entendo de outra forma, quem não consegue se comunicar com o público é quem comete “heresia”. Deveriam entender isso ao invés de insinuarem que “o público não está preparado” para tal obra. Ou “não compreenderam muito bem”. Conclusão disso tudo: Se Paulo Cursino desse ouvido às críticas seus filmes, eles não seriam o sucesso que são. Não condeno os críticos, tanto de cinema e literários. Mas prefiro seguir essa vibe e visão de Paulo Cursino, de tentar agradar seu público em primeiro lugar, pois afinal, eles são a razão de ser da obra.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?Há muitas pessoas. Seria injusto escolher só uma.
  1. Qual a maior alegria para um escritor? 

    Ver sua obra reconhecida pelo público.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Acredite em você em primeiro lugar. Se você não acredita, ninguém poderá fazê-lo. Para os leitores, espero que atinja suas expectativas e saibam que os feedbacks ajudam muito, para cada vez mais criar histórias das quais se sintam vivos ao lerem.

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