Leonardo Born

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Bom, vamos começar pelo básico sem querer ser clichê (rsrs).  Tenho 40 anos, formado em Publicidade e Propaganda e desde minha infância sempre fui apaixonado por super-heróis, mistérios, ficção científica, tanto nos livros como filmes e HQs. Hoje tenho um menino de seis anos que pelo andar da carruagem irá pelo mesmo caminho e ainda com um agravante: games!!!

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Trabalho com comunicação institucional e endomarketing em uma empresa de previdência privada, mas minha paixão sempre foi e será escrever. Já a inspiração para a escrita é um caso de amor antigo. Quando era garoto, lá pelos meus sete anos, tomei gosto pelo desenho, sim sei desenhar um pouquinho, pois vivia enfurnado no quarto em meio a um mar de HQs (das quais guardo muitas até hoje). O fato de ler as HQs acabou por despertar em mim não só o desejo de desenhar, mas também de escrever minhas próprias estórias. Então resolvi me tornar minha própria editora, escrevendo os roteiros e desenhando minhas HQs. Depois, já adulto, devido as obrigações de “gente grande” acabei por deixar de lado este meu sonho de escrever e desenhar HQs e foi só em 2008 que um evento despertou mais uma vez em mim a natureza literária. Foi nesta época que voltei a ler com força total e foi quando peguei emprestado de minha tia (uma devoradora de livros como eu), O Código Da Vinci de Dan Brown, que mudou minha vida por completo. Ao ler aquele livro espetacular e por ser também um grande apreciador de filmes, me senti exatamente assim, assistindo um filme. Achei aquela sensação incrível! Ler um livro e imaginar um filme? Putz, quero aprender a fazer isto. Dali em diante, li todos os livros de Dan Brown e comecei minha busca por conhecimento, técnicas para aprender a escrever como aquele cara que em pouco tempo se tornou um autor best-seller. Em 2009 achei um curso itinerante sobre escrita criativa e não pensei duas vezes em fazê-lo. No próprio curso, o trabalho de conclusão foi escrever um pequeno livro, no qual já testei algumas das técnicas ensinadas, como a Jornada do Herói, misturadas ao que via nos livros. Vendo que o resultado deu certo, segui em frente e comecei meu trabalho de pesquisa para escrever meu primeiro livro. Dali em diante, não parei mais. Hoje além de trabalhar e escrever, também dou aulas online de estruturação de estórias, outra paixão.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

No meu ponto de vista me desligar do mundo real. Escrever para mim é um verdadeiro prazer, o momento em que deixo a realidade para trás, para mergulhar no universo das possibilidades infinitas onde tudo é possível. Como alguns dizem é a hora de colocar nossos demônios para fora, de nos tornarmos melhores através da escrita. E porque não fazer isso pensando nos leitores e tirando o máximo de si para presenteá-los com boas estórias?

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Tenho sim, mas não sei se é especial. Hoje moro em uma casa pequena, então não tem muito espaço. Acabo escrevendo sentado em um futton, encostado em uma almofada com o note em uma espécie de table mate hightech (sim aquela das propagandas: “E não é só isso…rsrsrs) na sala onde minha mãe e vó assistem TV. O bom é que quando estou absorto na escrita me desligo completamente, então a resposta é não, o barulho ou a televisão não me incomodam.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo sobre mistério e ficção científica, meus dois gêneros onde me sinto em casa. Mas sim, já passei por outros gêneros como o romance. Já escrevi alguns contos e textos românticos.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Os títulos normalmente faço o seguinte: dou um título provisório do qual não gosto tanto e quando termino o livro, busco nas partes mais importantes aquela frase ou palavra que resume o âmago da estória. Já os nomes dos personagens, vejo o contexto, local onde se passa a trama e dou nomes conforme estes dois fatores. Já os sobrenomes, gosto de colocar sobrenomes que passem uma mensagem subliminar, uma pista ou dica de quem é aquele personagem. O sobrenome é a essência do personagem.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Quando posso, se possível, gosto de visitar os lugares sobre qual escrevo, mas como em muitas vezes isso não é possível, recorro ao oráculo moderno Google. Por ele inicio minha pesquisa sobrea as locações e se houverem sites que ofereçam tour 3D, as faço, busco localizações no Google Map e Earth. Procuro começar a pesquisa histórica, que dará veracidade a estória, recorrendo primeiro e superficialmente a Wikipédia e dali me vou me aprofundando nos assuntos pesquisados, buscando livros, vídeos, filmes e documentários sobre o tema. Por exemplo, para O Enigma da Bíblia passei seis meses pesquisando. Só o Livro do Apocalipse da Bíblia, li e reli umas oito vezes. Li também livros sobre o assunto, como o livro documentário “O Código da Bíblia”, e assisti diversos filmes sobre o fim dos tempos, como “A Profecia”, Código Ômega”, “Meggido” entre outros. Fora artigos jornalísticos, teorias estapafúrdias da conspiração, tudo. Precisava me munir para entender do assunto e não fazer feio para o leitor. Como agora que estou escrevendo um livro onde o pano de fundo é o futuro, tive que ler artigos sobre fusão nuclear a frio para não escrever besteira.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Acho que já deu para perceber que cultivo uma grande admiração por Dan Brown, mas não só por ele. Tenho hoje muitos outros que me fazem babar: Harlan Coben, Stephen king, Arthur. C. Clarke, Isaac Asimov, John Grisham entre outros. Mas independente do autor que nos inspira, defendo que devemos procurar nosso próprio estilo, pois isso que imprimirá a sua “verdade” e a sua marca em seus livros.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Bota dificuldade nisso! Quando terminei O Enigma da Bíblia, pensei: e agora? Mais uma vez, com ajuda das orientações que havia adquirido no primeiro curso que fiz e mais inúmeras pesquisas, tentei buscar e formatar a melhor apresentação que poderia fazer para enviar meu original as editoras. Enviei meu original para umas vinte editoras que na época seriam compatíveis com o gênero que escrevo e esperei. As que davam respostas mais rápidas, levariam seis meses para dar um retorno de sim ou não. Por isso, quando chegou no quarto mês, não aguentei e publiquei-me mesmo por uma editora por demanda. Vendi bem no lançamento, mas depois sem o respaldo da distribuição em livrarias e como na época o e-book só engatinhava aqui no Brasil, tive dificuldades em vender os demais exemplares que havia mandado imprimir. Mas então, como um milagre, daquelas vinte editoras uma me retornou, após oito meses que havia mandado as cartas. Na época, para mim foi como ganhar na loteria. Hoje, para os novos autores tudo isso melhorou muito em relação há cinco anos. Tanto a auto publicação, os e-books, como o acesso e tempo de resposta de editoras convencionais melhoraram. Mas a exigência também aumentou, por isso só se destacam, aqueles que se preparam bem para escrever. É preciso sempre estar se atualizando e estudando para entregar cada vez mais material de qualidade diante dos leitores, que hoje são muito exigentes e estão certíssimos em serem assim.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Ainda não é o ideal, mas já melhorou bem em relação há dez anos trás, quando nomes da ficção e do terror como André Vianco e Eduardo Sphor por exemplo, ralaram duro para conseguirem ser publicados. Hoje as plataformas digitais e as redes socais facilitam ao autor ser visto e achado pelas editoras. Facilitam também que ele se lance de forma independente e se tiver um trabalho de qualidade, aliado a boas estratégias de marketing digital, faça sucesso por conta, pois pode publicar um e-book pela Amazon ou pela Saraiva Online, Whatpadd e divulgar via Facebook, Skoob entre outras redes, ou ser “achado” no meio digital por olheiros e editoras que hoje prestam muito mais atenção aos autores nacionais. Vejo um numero ainda pequeno, mas muito maior hoje, de editoras que possuem selos nacionais e se interessam por nossas obras.  E pelo jeito a tendência é que isso aumente cada vez mais. Na hora que as grandes editoras em sua maioria tomarem consciência de que existem bons autores em casa e que gastarão muito menos apostando nos filhos da pátria do que com direitos e traduções de obras internacionais, o mercado começará se aquecer e quem sabe chegar perto da indústria que é o mercado literário lá fora.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

No geral, acho bom. A facilidade em publicar hoje em dia permitiu esta democratização, mas em contra ponto, como eu disse, o leitor também esta mais exigente. Neste jogo das cadeiras, esta enxurrada de obras nacionais que invadiram o mercado podem até chamar a atenção em um primeiro momento, mas só permanecerão aquelas cujos autores tenham se preparado para gerar um conteúdo de qualidade. Podem até vender em um primeiro momento, mas se não for bom, estarão fadados a desaparecer.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Que isto só reflete a falta de investimento e aposta ainda de grandes editoras nas obras nacionais. O que acaba acarretando que os autores sejam publicados por pequenas editoras ou optem pela auto publicação, o que dificulta a manutenção de um preço baixo devido a quantidade de exemplares impressos. Outro problema são os impostos, que acabam por tornar o preço do livro um absurdo. Diferente da Europa ou EUA, onde as editoras barateiam no papel do miolo, na capa, mas produzem em grande escala e com impostos menores conseguem vender livros a preços acessíveis aos leitores.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Dois na verdade. O primeiro a “Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón, onde o pano de fundo da obra, escrita numa prosa envolvente e poética, são os próprios livros e seus mistérios. A segunda é “Antes de Dormir” de S. J Watson, onde uma mulher com um grave problema de memória acorda todos os dias sem lembrar de nada do seu passado, sendo necessário que seu marido a relembre de tudo, até um dia que, ao acordar, encontra um bilhete escrito por ela mesma, lhe avisando para não confiar no marido. Este último ainda virou filme!

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Para O enigma da Bíblia, hoje escolheria “Dançando” da Pitty. Para o que estou escrevendo agora, seria “Em Algum Lugar do Tempo” do Biquíni Cavadão.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

De novo são dois livros! (rsrs) O primeiro uma ficção apaixonante, o drama avassalador “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e o livro de não-ficção de autoajuda, “Singular” de Jacob Petry Bündchen e Valdir R.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho sim! Claro que posso. Após terminar este segundo livro que estou escrevendo (ainda sem nome, gente), mas que se trata de uma ficção científica onde um pai, para resgatar o filho autista de nove anos, é obrigado a fazer um serviço para o governo que pode definir o destino da humanidade, tenho outros projetos. Um é um livro de mistério sobre uma moça chamada Lara que é dada como louca pela família e internada em um manicômio. Lá, ela terá que enfrentar provações e descobrir o verdadeiro motivo de sua internação enquanto tenta provar sua sanidade. Também tenho um projeto sobre uma série, onde discorrerei sobre as investigações de fenômenos paranormais por dois investigadores de um setor especial da policia, que os levara a verdade aterradora sobre tudo o que é real ou não. Ideia que me surgiu ao me lembrar de Alice no País das Maravilhas de Lewis Caroll.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho sim, isto é importante para sabermos onde temos que melhorar. Acho que devemos encarar as críticas como aprendizado. Claro que existem algumas que fogem ao padrão, mas são raras exceções. Em sua maioria elas acabam por apontar pontos dos quais não havíamos notado, que servem como ensinamentos para que nos próximos livros possamos fazer ainda melhor.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Stephen King, sem dúvida. Além de escritor é bem crítico e isto é ótimo. Além claro, de ser um gigante na construção de estórias e personagens e seus dramas pessoais.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser reconhecido e querido por seus leitores. Afinal sem eles não seríamos nada.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para os leitores a mensagem que deixo é que sejam sempre mais exigentes e críticos para que possamos ter cada vez mais, boas obras e bons escritores nacionais.

Para os que estão iniciando no mundo mágico da escrita literária, oriento a estudarem, se prepararem. Leiam sobre a arte da escrita, procurem cursos, leiam muito outros autores nacionais e internacionais. E o mais importante: escrevam! Pratiquem, pois quanto mais escreverem, mais estarão preparados para o ofício, para se tornarem escritores profissionais de sucesso.

Um comentário

  1. O Leonardo Born é um querido. Uma pessoa fácil de se gostar e sincero em suas palavras, sempre. Tenho um grande carinho por ele, e posso dizer que ele é meu amigo. Amei saber mais do que ele pensa sobre si, suas obras e a literatura como um todo. Concordo com muita coisa que ele disse, em especial eu acredito muito na literatura nacional.
    Parabéns pela entrevista… Ficou show! E ao Leo toda a sorte e sucesso do mundo. Beijosss

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