L.F. d’Oliveira

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Não é uma tarefa fácil falar sobre si mesmo. Mas, tentarei, fazê-la da melhorar maneira. Considero-me um nerd de carteirinha, e tenho a plena certeza de que os anos 80 foi uma das melhores épocas. Um voraz comedor de livros, HQs, filmes, séries, e muito mais. Estou sempre em busca de novos formas de comunicação por meio da escrita. Cheguei à casa dos 40 (risos). Sou morador de Carapicuíba. Mas, nasci na capital de São Paulo; portanto, sou paulistano da gema, não gosto que se refiram à minha pessoa como paulista. (risos) Escrevo desde criança, com relação à escrita e à leitura, minha maior referência, foi minha mãe, não tenho sequer outras imagens dela, a não ser: com o rosto afundado, horas a fio, sobre um livro. Então, tanto a leitura quanto a escrita, são hábitos muito naturais no meu dia a dia.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Já fui ator de teatro. Estudei cinema por um tempo. Sou músico e compositor. Já toquei numa banda. Escrevo todos os dias; mas, a minha relação com a escrita se deu de várias formas, como por: contos; poemas; letras de músicas; artigos acadêmicos; roteiros; peças de teatro; críticas para blogues; entre outros. Atualmente, trabalho na área de gerenciamento de riscos e segurança, e escrevo visando uma posição no mercado da escrita. A inspiração; entretanto, vêm de diversas fontes; mas, uma, acima de todas, é a mente humana. Quando se trata de criação, há uma necessidade empírica de sermos vigilantes na observação das coisas, de manter os ouvidos sempre atentos ao que as pessoas conversam, e o olho vivo em seu comportamento. Pasmem; mas, boas histórias, muitas vezes, nasceram de conversas e situações corriqueiras do vagão de um trem, por exemplo.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Creio eu, ser o poder de criar um universo inteiramente novo e desconhecido e dar vida à personagens extraordinários que, até então, existiam somente em nossa imaginação. E, esse poder, funciona como uma espécie de terapia, digamos, uma válvula de escape. Muitas vezes, queremos transmitir tantas coisas e, nós escritores, temos a chance, acredito eu, de colocarmos no papel tudo aquilo que sentimos e que queríamos ter falado.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não. Nunca tive. Até porque, na posição de escritor, não há um lugar seguro onde nasça as ideias. Uma vez que, elas vêm de maneiras variadas e em circunstâncias diferentes. Como todo o escritor que se presa, eu ando bastante precavido, sempre procuro ter comigo: um bloco de notas e uma caneta; ou um aplicativo; ou um gravador; algo onde possa registrar as ideias. Acreditem, guardanapos de lanchonetes são bastante uteis. (risos) Até no apartamento, quando escrevo no note, não me atenho à lugar; entretanto, procuro escrever em locais variados do ambiente.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não posso dizer que, atenho-me a um gênero, em específico; pois, possuo um gosto muito eclético. Gosto de dizer que: gosto de tudo. Gosto, também, da ideia de escrever de tudo, sem definição, e de não ficar preso a um só gênero literário. O que sempre fala mais alto dentro de mim: é uma boa história, independente da forma e, sem dúvidas, é o que me leva transitar por vários outros gêneros. Mas, se bem que, nos últimos tempos, tive uma experiência positiva com o “terror” para uma antologia, com o conto “O Buraco da Fechadura” e, pude ver que, conseguia usá-lo como instrumento de crítica social e explorar, ao mesmo tempo, um universo de terror psicológico, a partir da vulnerabilidade da mente humana.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Bem, ainda não tenho livro autoral completo, no momento, encontra-se em fase de escrita; no entanto, num estágio bastante avançado. Tive uma peça lançada “Circus Primitivus” e alguns textos em publicação digital, de ficção e roteiro. E, as séries virtuais: They e Drake (no finado Orkut), e algumas resenhas críticas no Blog da Zih, comandado pela escritora e roteirista Cristina Ravela. Atualmente, estou envolvido com a antologia de terror, Meia-Noite, organizada pela antologista, escritora e editora Isa Miranda, e escrevo para a plataforma digital Web Tv, a série Virtual “The Devil’s Band”. E, é claro, meu conto Malus Augurium, que foi aprovado para a antologia “Prenúncios do Medo – Vol. I – Presságio, que será publicado pela Editora Illuminare. Procuro títulos e nomes dos personagens, tanto na simbologia e na concepção em torno da palavra quanto na estética que compõe o texto como um todo. Tem vez, que decido pelo grupo étnico e aparência do meu personagem, por exemplo, se ele for japonês, os leitores esperarão um nome tipicamente do Japão, em vista que, veem um personagem baseado em um nome justamente se for oriundo de uma cultura em particular.  Há ocasiões, que me inspiro por meio de um tema chave do enredo; ou por um fato decisivo na história; ou baseando numa fala importante do personagem para criar o título do livro

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Diversos. Recorro a: bibliotecas; internet; revistas; jornais; entre outros. Ao longo da minha vida, percebi o quanto é importante colher informações, até porque, creio eu, que grande parte das pessoas começam a escrever com uma vaga e malformada ideia na cabeça. Visto que, na maioria das vezes, o mais difícil não era escrever; no entanto, era saber o que escrever. E, as tais informações permitiam-me estabelecer decisões acerca daquilo que escrevia.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sim. Tantos em autores clássicos como em cineastas contemporâneos, nacionais e internacionais, de certa forma, contribuíram na inspiração das minhas escritas. Seria uma infinidade, citá-los um a um, aqui. (risos)

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Como meus textos foram de publicações digitais e apenas o meu conto Malus Augurium, que será a primeira publicação por uma Editora e num livro impresso, ainda não tenho uma opinião formada ou, sequer, uma ideia segura acerca do assunto. Mas, acredito eu, que tudo na vida possui seus percalços para atingir um intento. Entretanto, numa conversa fechada, com alguns editores e profissionais da área, alegam que o mercado não está tão desesperador quanto se imaginava, que não se deve acreditar em tudo que é dito por aí, afora. E que, na maior parte dos casos, há falta de entrega e de esforço por parte de escritores, como por exemplo, pesquisar por Editoras e se elas publicam algo na linha à qual o autor pretende escrever.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Olha, presumo eu, que a tecnologia, de certa maneira, vem contribuindo para o desenlace desse cenário, digo, com questão, da publicação de ideias, textos e notícias, em vista que, as plataformas digitais estão mais abertas e têm oferecido um meio de comunicação mais frequente, muito prático e ativo. E, os escritores desse novo cenário, com as facilidades da internet, estão conseguindo atingir, aos poucos, o seu público-alvo e, ainda por cima, realizam o sonho de publicar o próprio livro, mesmo com o mercado editorial em crise. Outro fator, bastante relevante, é que o consumismo de terror está em alta, e as antologias auto bancáveis pelos autores, promovidas por antologistas e editoras, assim como a antologia-trilogia “Prenuncio do Medo” organizada pela editora Illuminare e o site Arca Literária, certamente, são a prova viva disso tudo; visto que, estão espalhadas em diversos editais pelas redes da internet e facilitam, também, o lançamento de um conto por meio de ebook ou livro impresso, dão oportunidade para novos escritores e revelam quão o mercado editorial está aberto mediante a esse novo cenário.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Talvez, essa facilidade da internet, que abordamos na pergunta anterior, também, de alguma forma, coopere com esse tipo de lançamento; uma vez que, que não há muita restrição sobre o conteúdo dos textos. Nesses últimos tempos, tenho participado de muitos webinários, e o que alguns editores revelam, é que muitos autores não gostam de ler e, muitos menos, receber críticas e sugestões da editora, por deduzirem que são autossuficientes. Decerto, não fiquei admirado com o pronunciamento; pois, deparo-me com esse enredo, uma vez ou outra, em razão de ter alguns amigos na mesma opinião e detentores da última palavra. Aprecio a ideia que, tanto as plataformas digitais e quanto os editais ofereçam sobre ao incentivo de novos autores, à escrita e à cultura; porém, uma parcela deles não querem fazer a lição de casa e tão pouco seguir os requisitos básicos como: revisão do autor; a verificação de advérbios terminado em “mente”; repetições do pronomes pessoais “eu”; o uso excessivo dos verbos “ter” e “haver”; a busca por cacofonias ao longo do texto; e verificação de continuidade da trama, entre outros. Penso eu, que é o pouco que deve-se fazer, quanto mais não seja, para entregar uma obra de qualidade.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Julgo eu, que vivemos uma época mais informatizada, com a facilidade do audiovisual, da tv e da internet e, por essas e outras, os livros têm seus preços elevados exatamente porque o brasileiro está preocupado com as facilidades que esse mundo oferta e não tem o hábito de leitura; dado que, como uma mercadoria, o preço do livro deve cobrir sua produção e gerar lucro. Portanto, se poucos exemplares são vendidos no mercado, o custo por unidade será muito maior. Já ouvi pessoas citarem: se há o filme, por que vou ler o livro? É uma ou outra, que se interessa pelo livro e, tão somente, para verificar a fidelidade literária entre a obra escrita e a cinematográfica. Quem sabe, se o Brasil reformar a grade de ensino nas escolas para o estímulo de leitura, à vista disso, formariam pessoas que comprariam mais e leriam mais.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Sem dúvidas, o livro “A Jornada do Escritor” do Christopher Vogler. É um achado, um livro extraordinário, oferece segurança ao escritor sobre a estrutura da história e mostra inúmeras decisões a se tomar ao longo do processo de escrita. É um livro que todo escritor deveria ter na cabeceira da cama ou levar debaixo do braço a qualquer lugar para eventuais consultas.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Para ser franco, qualquer trilha composta pelo magnânimo compositor e maestro americano, John Willians.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sim. “Pulp Fiction” de Quentin Taratino, apesar de ser um roteiro em formato de livro, mesmo assim, ajudou-me bastante a enxergar de outra forma tanto o universo da escrita literária quanto o da escrita cinematográfica. Isso visto que, a forma como ele desenvolve o enredo não-linear e a divisão de sequências por títulos e capítulos, cheio de diálogos longos e bem estruturado e com reviravoltas surpreendentes na trama, de maneira evidente, lembram uma narrativa instigante de um livro. Isso se dá, em razão da influência que o diretor/roteirista/escritor conhece da literatura; pois, ele utiliza técnicas narrativas alinhadas à literatura, fazendo com que o cinema se aproxime mais da narrativa escrita das obras clássicas às contemporâneas.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, tenho novos projetos. Estou trabalhando num livro de ficção cientifica; mas, ainda não posso dar detalhes sobre o que se trata e nem sobre o título. Mas, posso adiantar que, dediquei alguns anos da minha vida a esse projeto. E, sinto que, será muito bem recebido pelo público; em vista que, alguns leitores betas me deram feedbacks bastante favoráveis. Futuramente, também, tenho um projeto musical que, de um modo geral, envolve a escrita, por tratar-se de letras de músicas que, apelam para um contexto de crítica social e cultural.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho. Eu já fiz muitos textos de resenhas críticas. Os blogues, assim como, muitas mídias, eu os considero pioneiros, justamente na questão, que visa a introdução de novo escritores, na época, ao meio digital. Hoje, muitos desses blogues tornaram-se sites especializados em críticas, competem com revistas e jornais famosos, e trazem um texto e informação de boa qualidade. Eu não me vejo sem eles, uma vez ou outra, acompanho um, para deixar-me atualizado. Os meus preferidos são: de criticas de filmes; de críticas literárias; de técnicas de roteiro; e de técnicas de escrita literária, entre outros.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

O diretor indiano M. Night Shyamalan. O cara é conhecido por levar temas fantásticos com muita originalidade às telas do cinema, e preso por essa originalidade.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido. Ter seu trabalho, antes de tudo, reconhecido.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Certa feita, disse a uma amiga, também escritora, que eu achava que tinha um pouco de “experiência” no assunto, e dava valor a essa experiência; porque, as pessoas começavam a escrever, na maioria da vezes, por algum motivo especial. E, o meu: era o amor à escrita. E, que acima de tudo, também seja o motivo especial de vocês. Pois, quem ama: cuida, busca, se permiti, aprende a ouvir, se aperfeiçoa, exclui ideias antigas e aceita ideias novas, estuda, estuda e, no final, estuda mais um pouco e lê muito, conhece pessoas, não se isola porque o processo de escrita precisa da ajuda de terceiros (nossos leitores). Enfim, ame o seu trabalho de escrita; entretanto, não se deixe se apaixonar por ele; porque assim, não te permite crescer, é por isso que, amar dá mais liberdade de compreender.

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