Kilze Guimarães Fortunato

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou funcionária pública por profissão, escritora por amor, fotógrafa por hobby e apaixonada pela família. Uma mineira prática, reservada, tranquila e com um coração enorme, que adora escrever. E, desde já, gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Atualmente trabalho em uma biblioteca rodeada por meus estimados amigos: os livros. Sou muito reservada por isso quando comecei a escrever na adolescência foi mais como forma de desabafo. Com o tempo, várias ideias de personagens foram tomando forma em minha cabeça e comecei a pensar em levar a escrita mais a sério.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A sensação de liberdade. É como se eu pudesse viver várias vidas em apenas uma. Às vezes, a melhor parte é ver mas pessoas gostarem e pensar “fui eu quem fez”.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Gosto de escrever em lugares diferentes, mas, em geral, acabo utilizando meu quarto mesmo.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo ficção é o que me encanta e faz feliz. Passeio por contos, romances…

Já me aventurei por artigos acadêmicos algumas vezes mas não é meu estilo favorito.

  1. Fale-nos um pouco sobre o livro “Angelus – Anjo ou demônio?”. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?

Angelus “nasceu” em minha cabeça quando eu estava na faculdade por volta de 2001. Sempre fui apaixonada pelo “mundo” vampiro tanto literário quanto cinematográfico. Mas, por pura falta de tempo, levei alguns anos para transpor a ideia para o papel. Vários personagens do livro tirei da mitologia grega (outra coisa que gosto muito). Por exemplo Ariadne e Belona, que são personagens principais na trama, escolhi seus nomes porque as estórias mitológicas tinham alguma relação com o que eu imaginava para as personagens.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Leio muito. O tipo de leitura varia conforme a parte que estou criando e, algumas vezes, minha leitura recreativa também dá novas ideias para minhas histórias. Alguns fatos históricos que faço referência no livro, por exemplo, tirei de livros de História Geral. Na minha opinião misturar ficção com realidade ajuda a dar verossimilhança à história. Quando escrevo sobre uma época diferente da nossa pesquiso sobre a linguagem, os costumes e o contexto da época e dos lugares onde a história se passará.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Gosto muito do estilo da J. K. Rowling, mas sempre procuro aprender algo com o autor que estou lendo no momento.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Muita dificuldade. Escrevo desde os 17 anos. Hoje tenho 34. Tenho 4 livros concluídos e Angelus é o primeiro que consigo publicar. Concluí ele em 2008, desde então busquei editoras, mas só consegui publicar em 2014.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

O apoio para os escritores através das Leis de incentivo tem sido um fôlego interessante para os novos autores mas ainda é pouco.

A internet também tem se mostrado uma ferramenta muito promissora. A Amazon, por exemplo, permite o autor publicar suas histórias sem gastos. Uma nova possiblidade muito atraente.

Entretanto acho que ainda falta muito incentivo à leitura. Nós lemos pouco e isso torna sofrível viver de arte no nosso país.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho válido. É importante o público ler de tudo e criticar “isso é bom”, “isso não é”. Mesmo o livro mais esdrúxulo pode nos acrescentar algo. De qualquer forma, os diferentes tipos de livros vão agradar os diferentes tipos de leitores.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Os altos preços dificultam o acesso da maioria da população a esse tipo de cultura. Isso é uma pena! Pode parecer clichê, mas creio na máxima de Lobato que diz que “um país se constrói com homens e livros” e o nosso país, muitas vezes, despreza isso. Acredito sinceramente no poder transformador da cultura.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Como escritora de ficção que sou gostaria de ter tido as ideias para escrever Harry Potter.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

Difícil escolher apenas uma música, porque cada momento pede uma mas para o Angelus acho adequada a música da banda Creed chamada “My sacrifice”.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Já li muitos livros que gostei não há um que eu considere tão especial a esse ponto. Gostei muito de Buda de Deepak Chopra, O Tao da liderança pessoal de Diane Dreher, Wether de Goethe. Esses são livros que me marcaram muito e que releio, às vezes.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim. Tenho um livro de contos pronto há algum tempo que estou tentando publicar chama-se “Começando pelo final e outros contos”. Neste procuro de forma simples e envolvente narrar a vida, o dilema e as dúvidas dos seres humanos permitindo uma viagem prazerosa além dos limites da imaginação.

Começando pelo final é o conto de abertura do livro, é a história de Bárbara que ainda criança se depara com a perda do pai, encontra amor em suas três tias para viver e se encontra com o sobrenatural na personificação de Lucius. Esses fatos mudam para sempre sua vida e onde havia apenas motivos para se entristecer ela encontra coragem para buscar respostas e enfrentar seus medos. Tornam-se então objetivos de sua vida: encontrar uma rua que muda de lugar, um ser misterioso e quem sabe o próprio pai.

Também estou escrevendo um livro novo, mas, como ainda não está pronto, falo sobre ele numa outra ocasião.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não acompanho com frequência. Mas acho que são bem-vindas. Nos fazem refletir, aprimorar.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Quem eu realmente gostaria não seria possível. Escolheria Clarice Lispector. Mas morreria de medo da opinião dela. Rs. Eu mesma sou muito crítica em relação ao que escrevo então teria receio de uma opinião de peso assim.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

O retorno das pessoas é uma das coisas mais ricas que tenho vivido. Recebi um e-mail de um garoto de aproximadamente 12 anos Douglas Santos dizendo que gostou de como eu “relacionei momentos históricos com o mundo vampiro. E que gostaria muito de saber quando sairá a continuação.” Ouvi de uma amiga enfermeira Camila Campos que é leitora ávida e seleta que gostou muito do livro e que mal pode esperar pela sequência. Isso me deixa imensamente feliz!

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Obrigada a todos por lerem a entrevista.

Aos leitores desejo “boas lonjuras” (parafraseando Lewis Carroll) através dos muitos livros que ainda lerão. Nunca parem!

Àqueles que estão iniciando na escrita sugiro que sejam persistentes porque a única pessoa que pode torna-los derrotados em sua jornada olha para vocês no espelho todas as manhãs.

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