Karen Alvares

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Hum… vamos lá! Vivo em Santos, litoral do estado de São Paulo. Tenho 28 anos e escrevo desde os 15 (as historinhas de criança contam alguma coisa?). Moro com meu marido e minha gata, adoro pedalar e ir à praia. Às vezes acho que tomo café e como chocolate demais. Faço aniversário em janeiro e nunca precisei ir à escola nesse dia (e nem trabalho no meu aniversário, já que sou professora!).

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Já fui programadora de computadores, mas agora sou professora de informática. Acredito que a inspiração vem de todo lugar, de aproveitar a vida e senti-la todos os dias.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Ser ouvida, ou melhor, lida.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Escrevo em qualquer lugar (você nunca sabe quando as ideias irão aparecer), mas o lugar que mais gosto é no segundo quarto do meu apartamento, que é uma espécie de escritório improvisado. Tenho uma mesa nesse quarto e um sofá, onde minha gata costuma se aninhar enquanto trabalho.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Acredito que seja terror/suspense, mas já me aventurei em quase todos os gêneros. Já escrevi contos, crônicas, romance, yaoi, drama, Young Adult, ficção científica, fantasia… ufa! E sempre tento misturar gêneros quando escrevo, mesmo que a obra seja voltada para um gênero específico. Acho que só não escreveria romances policiais, eles são muito difíceis, mas, quem sabe, um dia? Nunca diga nunca, certo?

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Os títulos chegam naturalmente; geralmente já os conheço logo após a primeira ideia ou então eles aparecem durante a escrita. Quando são muito teimosos, costumo procurar no texto algum título que esteja nas entrelinhas, escondido entre as palavras. Os nomes não são muito diferentes: alguns aparecem naturalmente, parece que os personagens pedem por eles. Não é sempre, mas já usei alguns nomes de conhecidos, mas só quando os personagens também pediram por isso. Quando não consigo encontrar um nome de jeito algum, procuro em dicionários de bebês na internet (quem nunca?).

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Depende do livro. Na maioria das vezes, utilizo a internet para a pesquisa, mas em alguns casos já pesquisei em livros ou em campo, perguntando para as pessoas.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Todo escritor é antes de tudo um leitor apaixonado. Impossível não se inspirar, mesmo que de maneira inconsciente, em autores ou livros que adoramos. Acho que sou bastante influenciada por Stephen King, J.K. Rowling, Carlos Ruiz Zafón e John Boyne – autores que admiro muito. Mas provavelmente sou influenciada também por outros autores e livros que nem faço ideia, de tantos livros que a gente acaba lendo.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Claro! Foi muito difícil publicar Alameda dos Pesadelos, procurei por um bom tempo uma editora, enviei o original para vários lugares e ele foi rejeitado bem mais que uma vez. Inverso foi um livro mais fácil para ser publicado, a Draco já era minha casa quando eu o estava escrevendo. Mesmo assim, ainda tenho um livro que não foi publicado e nem sei se será; ele tem um gênero muito específico, e nenhuma das editoras que publicam esse tipo de livro o aceitaram até hoje. Mas foi um livro que escrevi bem mais para mim mesma, às vezes nem sei se quero que as pessoas o leiam.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Bem melhor do que já foi um dia, mas ainda há muito o que melhorar. Por exemplo, as editoras – e até o público – ainda são bastante reticentes em aceitar autoras brasileiras que escrevem terror. Se pedir para que diga rápido, quantos nomes consegue se lembrar, imediatamente? E quantos nomes de bastante expressão? Além disso, o próprio mercado precisa evoluir; além de mais brasileiros lendo, precisa-se haver mais brasileiros lendo brasileiros. Por isso as editoras investem mais em literatura estrangeira, afinal, é a que mais vende. Para um autor brasileiro ser publicado por uma editora grande ele precisa provar por A + B que já vendeu; não provar se tem qualidade, mas provar se já vendeu mesmo, e bem. E mesmo assim as tiragens não são tão grandes quanto as estrangeiras. Mas, como qualquer mudança, isso começa na base da pirâmide: o leitor, que precisa ler mais obras nacionais, especialmente as contemporâneas.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Ter mais gente escrevendo (e lendo, espero, pois já vi alguns “escritores” que dizem que não gostam de ler, uma incoerência absurda) é sempre positivo. Mas acredito que, como em qualquer atividade, as pessoas precisam se dedicar mais, profissionalizar-se. No Brasil a literatura ainda é muito vista como hobby, passatempo. Isso precisa mudar: escrever é uma profissão. Se os próprios escritores não se levarem a sério, como o mercado vai fazer isso?

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

O que não está com preço elevado nesse momento? Francamente, diante do cenário de crise política e econômica que vivemos, até que os livros foram um dos poucos produtos que não tiveram seus preços subindo vertiginosamente. Os preços dos livros são elevados? Acredito que isso seja um ponto de vista. Cinema é caro (20-30 reais por um ingresso? Faz um bom tempo que não vou ao cinema, ainda mais com Netflix). Comer é caro (um hambúrguer ou o combo por, novamente, 20-30 reais? Um prato em um restaurante por 40? Pãozinho: dez reais o quilo?). Vestuário é caro (sinceramente acho que 30 reais em uma camiseta básica é excessivo; 60 reais em um jeans também – e isso chutando baixo). Tecnologia, então, é muito caro! Mas todo mundo tem um celular. Por isso é ponto de vista: você está disposto a comprar um livro por 30 reais ou comer um combo de hambúrguer com refrigerante e batata frita por esse mesmo valor?

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Marina, de Carlos Ruiz Zafón.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Ih, várias! Para Alameda dos Pesadelos com certeza a trilha sonora do game Silent Hill, qualquer uma das músicas é perfeita, sério, mas digamos que Room of Angel, da trilha de Silent Hill 4, é ainda mais perfeita. Legião Urbana também tem tudo a ver com o livro, vale lembrar. Já Inverso é todo Linkin Park, especialmente Somewhere I Belong.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Impossível não dizer Harry Potter. Não fosse pela série de J.K. Rowling, eu não estaria escrevendo, afinal comecei criando fanfics dos livros. Eu já lia (e muito) antes, claro, mas foi a série que me fez querer escrever, seguir essa profissão. Além disso, esses livros me fizeram crescer, como pessoa, escritora, conhecer pessoas que estão comigo até hoje. Harry Potter mudou minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

O mais importante deles é, sem dúvida, a continuação de Inverso: Reverso, que fecha a duologia, já está escrito e no momento estou fazendo uma das releituras e revisões. Comecei também mais um livro de terror e suspense, mas ele está muito no começo ainda. E a Editora Draco me convidou para um projeto de Boy’s Love que estou trabalhando no momento e estou muito animada! Isso sem contar vários contos que estão planejados ou a caminho.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

É claro, com todo amor e prazer! Acredito que os blogs e canais literários são uma das melhores coisas que aconteceram no mercado nacional. Eles têm uma energia incrível e impulsionam de verdade o mercado. Resenhas positivas, resenhas negativas, todas elas são extremamente importantes e ajudam tanto o mercado quanto os escritores, mas especialmente esses últimos; não é apenas saber que uma pessoa gostou ou não de algo que você escreveu, mas sim que ela leu e se dispôs a escrever sobre isso. É incrível! No cenário atual, um autor iniciante brasileiro faz muito pouco sem a ajuda dos blogueiros. O apoio e o trabalho dos blogs é essencial e um dos motivos pelos quais o mercado nacional está mudando. Como disse lá em cima, a mudança começa pela base da pirâmide, os leitores.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Gostaria que o Raphael Montes lesse Alameda dos Pesadelos e que a Thalita Rebouças lesse Inverso.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Saber que algo que ele escreveu fez a diferença para um leitor.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Obrigada por lerem minhas histórias! Para quem quiser me acompanhar, estou no Twitter, Instagram e Snapchat: @karen_alvares, no Facebook e também no blog: papelepalavras.wordpress.com

E, para aqueles que estão iniciante no mundo da escrita: escrevam muito, leiam mais ainda e busquem ser mais e mais profissionais a cada dia. Isso quer dizer, essencialmente, revisem, revisem, revisem de novo e ouçam críticas de coração aberto. Beijos!

Divulgue conosco!

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