JV Leite

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Olá, meu nome é Juliana, sou casada, mãe e avó, moro em Recife, mas sou paulista. Comecei a escrever em 2015, um romance da literatura LGBT, e encontrei na escrita uma grande paixão. Sempre gostei de criar cenas e cenários e a história do meu primeiro livro me perseguiu durante muitos anos, quando decidi escreve-lo, foi libertador.

Não sou a pessoa mais extrovertida do mundo, mas também não sou tímida. Faço amigos com facilidade, adoro estar em contado com pessoas, mas também tenho meus momentos de reclusão. Gosto de ler, escrever, ver filmes, caminhar na praia e estar com a família. Considero-me uma pessoa eclética e versátil, fácil de lidar, doce na maioria das vezes, um pouco ácida quando precisa.

Sou uma pessoa simples que gosta de coisas simples.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou bacharel em Administração com MBA em Consultoria e Gestão de Pessoas, mas atualmente dedico-me apenas aos meus livros, e à minha família, sempre.

Decidi começar a escrever num ano no qual eu tinha mergulhado de cabeça na leitura de romances, e quanto mais eu lia mais eu pensava: “Caramba! Eu posso fazer isso”. Foi então que eu tomei coragem, digitei alguns parágrafos no meu notebook, a história começou a tomar forma e quanto mais eu escrevia mais inspirada e motivada eu ficava a continuar escrevendo.

Hoje tudo me traz inspiração, um livro, uma música, filmes, séries, até um encontro com os amigos pode ser motivo de inspiração. A mente não escolhe hora nem lugar, está sempre trabalhando.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Difícil listar apenas uma. Escrever é poder viajar por diversos mundos, habitar um universo paralelo, dar vozes aos personagens que gritam em sua mente, pedindo pelo amor de Deus um lugarzinho ao sol. A sensação de escrever deve ser igual à de um pássaro se libertando de uma gaiola e ganhando o céu. É mágico.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não tenho um cantinho específico. Escrevo no meu lar. Quando os filhos estão na escola prefiro a sala de estar, pois é bem iluminada e arejada. Quando não, me tranco no escritório, ou no quarto, tanto faz.  A música sempre me acompanha.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Na hora de ler, gosto de romances, de qualquer tipo. Na hora de escrever também (risos). Minhas obras fazem parte da literatura LGBT, mas não significa que todas as minhas histórias seguirão esta temática. Pretendo ampliar meus horizontes e já estou escrevendo um romance hétero que deverá ser lançado em 2018. Não curto fantasia e acho que não me arriscaria nesse estilo, pelo menos não hoje. Como disse lá em cima, sou muito eclética, se der vontade e inspiração, posso escrever qualquer coisa (Não significa que serão as melhores histórias do mundo… rsrsrs, significa apenas que para a imaginação não há limites)

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

High Definition – O Amor Não Tem Gênero, fala sobre dois amigos de infância que após uma viagem inesperada descobrem o amor um no outro, fala de amor e amizade, segredos e dramas de família, mudanças de paradigma, aceitação e entrega.

O título foi inspirado num pequeno trecho do livro, num diálogo entre os personagens, que tem a ver com as iniciais de Henrique e Daniel. Já os nomes dos personagens vieram de brinde junto com o sonho que tive que serviu de inspiração para escrever o livro. Full HD – O Amor não tem Medida segue a mesma linha de raciocínio, acrescido do Full, que quer dizer cheio ou total.

Os nomes dos personagens secundários foram escolhidos no momento, sem escolhas prévias. Um nome que lia no computador, alguém falava de alguém, enfim… nada programado.

Já Cadu, leva o nome do personagem (Cadu, apelido de Carlos Eduardo) e fala sobre relacionamento abusivo, onde um garoto se apaixona pelo irmão mais velho do seu melhor amigo e sofre todo tipo de abuso sexual e psicológico, o que lhe rende sérios traumas, fazendo-o fugir de casa para voltar a ser quem era e voltar a ter paz.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Como meus livros não são de fantasia e os cenários em que se passam minhas histórias são reais, eu procuro pesquisar sobre tudo, a cidade que se passa a história, clima, geografia, economia local, pontos turísticos. Pesquiso também sobre roupas dos personagens, moda, músicas que eles curtem, decoração dos ambientes, se é cidade, campo ou praia. Pesquiso até sobre as distâncias das cidades, quanto tempo levaria um trajeto de carro avião, ou ônibus. Mesmo que os detalhes não entrem nas cenas e os textos não sejam descritivos, gosto de ter um acervo grande de informações para não deixar pontos sem nó e ampliar meu horizonte acerca do que estou escrevendo.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sou uma leitora voraz desde muito nova. Desde criança, começando com os quadrinhos de Maurício de Souza, depois os clássicos da literatura nacional nos tempos de escola, e depois todos os tipos de romances. Nunca fui muito apegada a autores e sim às suas obras, então tudo, para mim, serve de inspiração, seja qual for o assunto. Ás vezes um simples diálogo ou a descrição de um ambiente me traz inspiração. A mente nunca para.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Posso dizer que tive muita sorte no meu início de carreira como escritora. Publiquei minha primeira obra, High Definition – O amor não tem gênero, no Wattpad (uma plataforma de leitura gratuita) no começo de 2015 e quatro meses depois recebi o convite da Editora Bezz para publicá-la no Amazon. Além de High Definition, tenho outra obra publicada também no Amazon (Cadu) e até o final de 2017 pretendo publicar a Full HD – O amor não tem medida, continuação de High Definition , que faz parte da Duologia HD.

Então não tive dificuldades em publicar meus livros. Apesar de Cadu ser uma publicação independente, teve uma excelente aceitação de quem curte literatura LGBT.

Acho que o Amazon abre as portas para quem quer iniciar nesse ramo, basta ter um pouco de investimento, como capa, revisão e diagramação. Para cada tema existe um leitor, então basta direcionar a divulgação e acreditar. Pode não dar certo de primeira, mas tem que persistir, aprender com os erros, saber ouvir críticas e tentar se aperfeiçoar sempre.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

A literatura nacional vem ganhando destaque entre nossos leitores e ganhando seu espaço no mercado. Claro que a internacionalização do mercado literário, somado ás feiras literárias e a capilaridade das redes sociais ajuda, e muito, nesse crescimento, mas não é apenas isso, vejo também um valorização crescente do autor nacional. Vejo cada dia novos talentos surgindo, ganhando seu espaço e seu público. O autor nacional está menos submisso á literatura estrangeira e tem ousado em criar histórias originais, com enredos ricos e tramas inteligentes, e o mais importante, estão se libertando das regras que ditam as grandes editoras, e quanto mais plural a literatura mais público ela atinge.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que o mercado é seletivo por si só. Hoje é muito fácil se lançar no mercado, seja como for, difícil é se manter. Existem algumas regras que dão certo e servem para todos, mas nesse meio muita gente confunde criatividade com aptidão para a escrita. Leitor que é leitor lê de tudo, mas não significa que irá ler o mesmo autor duas vezes seguidas. Para ter público cativo tem que fazer a diferença.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Uma triste realidade e torna a concorrência desleal. Por isso muitos autores estão investindo na autopublicação.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Já li obras fantásticas, mas nunca me passou pela cabeça esse tipo de pensamento. Quando leio uma obra muito boa fico feliz apenas, pela oportunidade de ler e pela imaginação do autor, uma delas é Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Meus livros todos tem trilha sonora, então vou citar cada um:

  • High Definition – O amor não tem gênero / Give a Little Bit, do Supertramp; Velha infância, do Tribalista; I Believe in Love, da Nikka Costa.
  • Cadu / Everything, do Lifehouse; My Immortal, de Evanescence.
  • Full HD – O amor não tem medida / Mirros, do Just Timberlake; Eu sem você, da Paula Fernades.
  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?Capa ofical HD - Copia (2)

Eu já li tantos livros que nem sei dizer. Cada um deixou sua marca, umas mais fortes, outras mais fracas. Não considero o livro da minha vida, mas  “A cidade do Sol”, de Khaled Hosseini, foi um desses que marcou de verdade, pois trata-se uma história triste e forte sobre superação, amizade e amor, na dura realidade da mulher no regime Talibã.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, claro!

Atualmente estou terminando de escrever Full HD que deverá ser publicado no Amazon finalzinho de 2017. Estou escrevendo um romance hétero (meu primeiro) que deverá ser publicado também no Amazon até o meio de 2018, e quero publicar as versões físicas das minhas obras também em 2018. Fora isso tenho muitos projetos em mentes, mas que ainda são apenas ideias, precisam ser amadurecidas.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Confesso que não acompanho. A maioria dos livros que li foram sugestões de amigos ou porque eu gostei da sinopse.

Não tenho opinião formada a respeito desse assunto. É indiferente para mim.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Nem sei dizer. Meus livros fazem parte da literatura lgbt e gostaria que todos que tivessem a oportunidade de ler, lessem.

Mas se pudesse escolher, quem sabe um grande produtor de cinema…haha!

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Acho que é ter sua obra lida, ganhando vida na cabeça dos leitores, ver que sua obra de certa forma fez diferença na vida de alguém.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos meus leitores eu só tenho a agradecer, hoje e sempre, pelo carinho, apoio e incentivo. Escrevo porque amo, ver e sentir esse amor dos leitores pelas minha obras é muito gratificante.

Para aqueles que estão iniciando, lembre-se que para ser um escritor, é preciso antes ser um leitor. Leia muito, refine sua escrita, pesquise sobre o tema que irá escrever, e tenha responsabilidade, pois o que você escreve hoje, pode influenciar diretamente alguém amanhã.

Um comentário

  1. Excelente entrevista essa com a JV Leite. Suas respotas mostram o quanto a escritora é comprometida com sua obra e seu público.
    Sou seu fã!!!!

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