Judie Castilho

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1. Fale-nos um pouco de você. 

Eu vivi minha infância numa pequena cidade do interior do estado do Rio, Cambuci. Foi uma infância deliciosa, com toda a liberdade e segurança que as pequenas cidades oferecem. Na adolescência, me mudei para Niterói, região metropolitana do Rio, para cursar psicologia na UFF. Lá em Niterói eu passei a maior parte da minha vida, me casei e tive meu filho, o Nícolas.

2. O que vc fazia/faz além de escrever?
Eu trabalhei por algum tempo fazendo produção de moda, uma área que eu amo. Depois que tornei-me mãe, resolvi me dedicar integralmente à criação do meu filho, por alguns anos. Há poucos anos virei empresária da área de beleza.
No momento estou me dedicando muito ao meu livro, e claro que também curtindo meu filho, que ainda é pequeno.

3. De onde veio a inspiração para a escrita?
Desde pequena eu adorava livros e fantasias. Passava horas criando na minha mente mundos e personagens imaginários, com histórias complexas e cheias de detalhes. Um dia, uma destas histórias invadiu minha mente, dominando-a de uma maneira bem mais intensa que o normal. Até tentei tratá-la como todas as outras que sempre imaginei, deixando-a existir apenas na minha cabeça. Mas esta história não se contentou em existir apenas lá, no meu mundo imaginário. Ela insistiu tanto, que um dia resolvi libertá-la, escrevendo-a.

4. Qual a melhor coisa em escrever?
Escrever é tão fantástico, tem tantas coisas maravilhosas!!!! Criar o mundo, cada detalhe, o rumo que a história vai tomar… E criar cada personagem é delicioso!!! Sinto um carinho especial por cada um deles, os protagonistas e todos os outros. Eles existem de verdade para mim, têm uma personalidade própria, bem definida… eles têm um passado, têm suas preferências, seus medos, seus sonhos… E cabe a nós, escritores, definirmos o que acontecerá com suas vidas. É como ser um Deus do destino destes personagens.
Mas uma das partes mais incríveis de escrever é ter nosso livro lido e acolhida pelos leitores. É muito gostoso ver as pessoas curtindo o mundo e os personagens que criei.

5. Você tem um cantinho especial para escrever?
Não, não tenho, escrevo onde dá. Mas escrevo no meu quarto na maioria das vezes.

6. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
Gosto de romance, fantasia, aventura… A saga ‘sob a luz das galáxias’ viaja mesmo nestes gêneros, mas tenho em minha cabeça várias histórias que quero escrever quando acabar a saga. A maioria é romance, também fantasia em alguns casos, mas mais realistas em outros.
Como gosto de ler vários gêneros, pretendo escrever enveredando por vários, também.

7. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?
Meu livro tem como enredo central um triângulo amoroso, e se passa num planeta chamado Frantila, num universo onde vários planetas são habitados e os seres possuem dons sobrenaturais diferentes. Haysla, a protagonista, é uma jovem audaciosa, corajosa, intempestiva… imprudente até. Logo no primeiro capítulo ela se depara com Benjamin, um homem lindo, sexy, e muito poderoso. De cara ela se encanta por ele, mas um contratempo faz despertar seu gênio arisco, e este primeiro encontra termina numa pequena confusão. Logo em seguida, ela descobre que Benjamin é um homem proibido para ela. Ele é um Klyso, habitante do planeta Eklyeses, e os habitantes de Eklyeses possuem veneno. Alguns seres são tolerantes ao seu veneno, outros não. E por uma ironia do destino, Haysla tem o organismo intolerante ao seu veneno, e um beijo de Benjamin, para ela, seria o beijo da morte. Mas por mais que tente, Haysla não consegue evitar que seu encantamento inicial por Benjamin cresça e se torne uma ardente e incontrolável paixão. Para tentar fugir deste amor, ela se envolve com Keynel, um jovem encantador, divertido e romântico, que cativa Haysla dia após dia com seu amor e sua dedicação. Mas há um complicativo a mais nesta história: A União Universal, órgão que cria e rege as leis que controlam o universo, acredita que seus planetas aliados estejam cada vez mais unidos e poderosos, mas uma grande conspiração intergaláctica está se formando. Os planetas inimigos estão bem organizados, querem o controle universal e têm um plano bem elaborado para alcançar sua meta. Mas ainda lhes falta uma arma especial, que os faça fortes e imbatível para derrotar a poderosa União Universal. E talvez esta arma apareça de onde eles menos esperam.
Quanto à inspiração para nomes de personagens, ela vem de mais uma característica do livro. No meu universo, a Terra foi colonizada por alienígenas, há milhares de anos, e eles se dividiram por continentes. Eu usei a sonoridade que os nomes de países têm, fazendo um link com os planetas que os colonizaram.

8. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
Fiz bastante pesquisa, pois mesmo que o livro seja ficção e que a grande maioria dos detalhes tenha sido puramente imaginário, eu quis que tudo tivesse uma ligação com o que há na realidade. Então fiz muitas pesquisas sobre o universo, geografia dos planetas, suas composições, pré requisitos para que um planeta seja habitado… Tentei pôr as características próximas disso, tanto quanto possível. Também fiz muita pesquisa sobre biologia e genética, porque eu cito demais sobre isso no livro, principalmente no segundo.

9. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
Não na forma de escrever nem no estilo de livro, me inspiro mais no sentido de admirar. Aí sim, tem vários autores que me inspiram.

10. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
Sei que publicar um livro é sempre muito difícil, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Mas eu dei muita, muita sorte, até agora. Eu estou terminado de escrever o terceiro livro, todos da mesma saga, e o primeiro eu já escrevi há mais de seis anos. Mas eu não tinha tentado publicar nada até alguns meses atrás. Há três meses eu publiquei meu livro na Amazon, em formato digital, e pretendia enviar o original a algumas editoras, mas não precisei. Alguns dias após ter publicado meu livro, eu postei alguns trechos e a sinopse em alguns grupos literários e na minha página, e um editor da Chiado de Portugal leu e gostou, e entrou em contato comigo para perguntar se eu queria enviar-lhe meu original. Enviei e, alguns dias depois, ele respondeu, dizendo que queriam publicar meu livro.

11. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
Acho que estamos num caminho promissor. E este cenário só se torna possível graças ao aumento crescente de leitores no país. Ciente deste aumento no número de consumidores, as editoras estão se organizando para esta nova realidade, e se abrindo mais a novos autores. Temos grandes editoras se abrindo ao mercado nacional, e este cenário tende a se ampliar, na minha opinião. Além disso, as redes sociais ampliam os horizontes do mercado literário, abrindo espaço nos blogs e grupos literários. Isso ajuda muito!!! Mas é claro que quando eu digo que estamos num caminho promissor, não estou dizendo que já chegamos onde devíamos estar, sei que falta muito, mas vejo boas perspectivas de chegarmos a algo perto deste ideal.
Temos outra questão que é a preferência dos leitores pela literatura estrangeira. E se nós, autores nacionais, não temos ao nosso lado tanta divulgação, claro que se torna mais difícil que nos tornemos conhecidos. Mas eu acho que isso está começando a mudar, aos poucos.

12. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
Acredito que isso foi um fenômeno mundial. Na minha opinião, teve grande influência dos mega sellers, como Crepúsculo, Cinquenta tons de cinza, Harry Potter… Muita gente começou a ler com estes livros, e outros, que adoram ler e que gostam de escrever, se sentiram incentivados a tentar se aventurar no ramo literário. E claro que dentro de uma avalanche de livros, surgiriam livros fantásticos, e outros mais normais. Acho que com os aplicativos de leitura, como o wattpad e outros, o espaço para novos escritores se ampliou muito, indo muito além do clássico livro de papel. E assim tem espaço para vários tipos de livros e escritores.

13. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
Seria ótimo se os preços dos livros pudessem ser mais baixos, dando a todos a oportunidade de comprar seus livros favoritos. Mas os custos da publicação são altos, a carga tributária no Brasil é muita alta. Um mesmo livro paga tantos impostos, e tantas vezes… Paga na matéria prima, na gráfica, na distribuição, nas livrarias, e depois o autor também paga… Fica difícil viabilizar livros a preços mais baixos diante deste cenário.

14. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
Rsrs… Isso acontece algumas vezes… Acontece com grandes sucessos, como Harry Potter, ou com livros bem menos conhecidos. É uma inveja branca, e bem engraçada. Mas também adoro a ideia do meu livro, e que bom esta ideia eu tive.

15. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros, qual seria?
Isso é uma coisa tão estranha!!!! Eu adoro música, muito mesmo… E é exatamente por isso que não consigo escrever ouvindo música. Posso escrever vendo televisão, no meio de muita gente falando, nada me tira a atenção, mas quando ouço música eu perco o foco e presto atenção na música. Já tentei muito, porque sempre leio que os escritores adoram escrever ouvindo músicas, mas nunca consegui.

16. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
Acho que não. Li vários livros que amei, e que li de novo, e de novo… Tem aqueles que são meus preferidos, claro, mas não acho que algum seja o livro da minha vida. Talvez eu posso dizer que algum livro seja o da minha vida hoje, porque realmente mergulho no universo de um livro quando estou lendo.

17. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Por hora estou me dedicando à saga ‘sob a luz das galáxias, que contará com cinco livros. Estou terminando de escrever o terceiro, e já sei que o quarto me dará muito trabalho, me tomando um tempo maior que os outros, devido a algumas particularidades dele. Depois que escrever os cinco, tem algumas histórias que quero escrever, mas prefiro não detalhar muito sobre elas, ainda.

18. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
Acho que as blogueiras e também os grupos literários são uma grande ajuda à literatura nacional. Eu mesma tenho muito a agradecer a eles. Temos excelentes blogueiras, que fazem resenhas incríveis e críticas pertinentes. Claro que cada um tem sua opinião, e a respeito dos livros as opiniões tendem mesmo a ser variadas. Tudo isso é valido.

19. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
Nossa!!! Posso sonhar alto? JK Rowlling.
Eu disse que sonharia alto, rsrsrsr…

20. Qual a maior alegria para um escritor?
A maior alegria, para mim, pelo menos, é ter meu livro lido, reconhecido e admirado pelos meus leitores. É delicioso conversar com os leitores sobre minha história, meus personagens, saber o que eles acham de cada um. Esta integração é maravilhosa!!!

21. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
Aos leitores, eu agradeceria. É muito bom ver tantos leitores compulsivos em nosso país, ver a leitura se tornar um hábito entre os brasileiros. E que bom que os leitores brasileiros estejam um pouco mais abertos à literatura nacional.
Aos novos escritores, tem muita gente que quer começar a escrever ou que está escrevendo e entra em contato comigo pedindo conselhos, e o meu conselho é sempre que eles se dediquem ao livro, antes de mais nada. Não acho que um escritor que ainda esteja escrevendo tenha que ser preocupar se vai conseguir publicar, se vai ter sucesso. Muito antes disso, ele tem que ter um bom produto, com um enredo que fuja do trivial, que esteja com a gramática e ortografia impecáveis, que tenha coerência nos fatos, que prenda o leitor… Depois, é preciso mostrar seu livro a parentes e amigos, ou ir mostrando os capítulos no wattpad, que também acho válido, assim você sente a aceitação de seu livro. Pode melhorar o que não estiver tão bom, ficar feliz com o que está ótimo… Se estes cuidados forem tomados, na minha opinião, um livro que seria bom, pode tornar-se ótimo. Depois que o livro estiver escrito, aí vocês pensam nos próximos passos.

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