JOVEM AUTISTA REALIZA SONHO E LANÇA LIVRO INSPIRADO EM AMIGA DOWN

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Lucas Soares Zorzetto, 27 anos, comemora seu primeiro romance, “Uma Viagem ao Mundo de Clara”, e garante ser apenas o primeiro

O jovem Lucas Soares Zorzetto, 27 anos, foi diagnosticado com Síndrome de Aspenger (SA), uma forma leve de autismo, em 2011, aos 22 anos. A Síndrome, conhecida por atingir muitas personalidades consideradas geniais, como Van Gogh, Bill Gates e, supostamente, o craque de futebol Lionel Messi, é caracterizada pelo comportamento obsessivo diante de algumas atividades, pelo isolamento e pela dificuldade de socialização.

Em 2012, ano seguinte ao diagnóstico, Lucas apresentou um quadro de depressão. Sentia-se muito triste, sem energia, nada parecia interessá-lo. Foi quando sua família buscou o auxílio da APAE de Tatuí, cidade onde moram, no interior de São Paulo.

Na APAE, Lucas foi recebido com muito carinho por professores (em especial o professor Pedro), terapeutas, e por alunos como Sabrina, uma menina Down muito simpática e prestativa que viria a se tornar sua melhor amiga. Foi Sabrina quem inspirou Lucas a escrever seu primeiro livro.

“Uma Viagem ao Mundo de Clara” aborda os conflitos internos de uma menina Down, insatisfeita por sua condição. Ao caminhar pela cidade e encontrar personagens com outros tipos de descontentamentos, Clara observa que todos temos nossas peculiaridades, nossas diferenças, e conclui que devemos amar e respeitar o próximo do jeito que ele é. “A cidade do meu livro é a nossa escola, a APAE”, revela Lucas. “Quero mostrar que mesmo sendo diferentes, podemos ser muito felizes”.

Lucas é mais uma prova de que, mesmo com certas limitações, podemos ter uma vida com qualidade e realizações. Para isso, nada mais eficaz do que o apoio da família e tratamento adequado. O lançamento do livro “Uma Viagem ao mundo de Clara” foi celebrado com uma festa organizada pela APAE de Tatuí, na última sexta-feira, dia 6 de maio. O livro já pode ser adquirido no site da editora Access: www.access-editora.com.br.
Preço: R$ 29,90.

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– Lucas, quais foram, ou quais ainda são, as suas principais limitações?
– Socialização. Timidez. Uma vez uma professora me pediu para sentar mais perto dos meus colegas. Mas sempre que eu saio, converso com as pessoas. Existem tantas no mundo, sempre tem alguém que combine com a gente, não é? Ah, sou muito sistemático também.

– Como foi sua experiência na APAE?
– Quando entrei para a APAE, eu já tinha terminado o ensino médio e um curso técnico de informática. Então ficava na oficina de terapia ocupacional. Fazíamos artesanato, eu adorava fazer tapetes. Coisa bem simples, não era tapete persa! (risos) Fazia vasinhos com caixas de leite, bloquinhos de anotação… Mas não gostava de fazer uns cestos com jornal e cola. Também participei de um coral, tocava fanfarra na banda, dancei em grupo, em par…

– Você continua frequentando a APAE? Como é sua rotina?
– Não. Fiquei um ano e meio na APAE, saí em outubro de 2014. Oficialmente, no dia 20. Nesse ano comecei a trabalhar na Rontan Eletro Metalúrgica, na fabricação de sirenes. Eu me adaptei bem nesse setor e me mantiveram ali. Antes trabalhava o dia todo, mas agora, com a crise que o país todo está enfrentando, trabalho menos, em um esquema de banco de horas. Ainda vou à APAE para visitar, gosto muito das pessoas de lá. Dos professores, da Sueli, a faxineira… Ela ficou muito minha amiga.

– E como surgiu a ideia do livro?
– Foi em 2013, eu estava num período difícil, saindo da depressão. Convivi durante um ano com um tio que tinha uma deficiência, não caminhava. Ele era muito inteligente, eu gostava muito dele. Morreu em 2012 e acho que isso contribuiu para que eu ficasse deprimido. Mas sempre tive muita fé em Deus. Quando a gente se une com o espiritual, a gente parece que puxa uma alavanca e vai pra frente. Eu nunca abandonei minha fé. Ela é como uma âncora, que me mantém firme, sabe? Quando eu comecei a me sentir melhor, resolvi escrever uma redação e ela ficou muito grande. Aí veio a ideia de transforma-la em livro.

– A história que você conta é verídica?
– Não. Na verdade eu me inspirei na minha amiga Sabrina, que é Down, mas não conto a história dela. Dei o nome de Clara à personagem porque remete à luz.

– Como você conseguiu publicar o seu livro?
– O Pedro Couto, meu professor na APAE e profissional incrível, me ajudou a organizar os textos. A professora Cleonice Alves dos Reis, da escola onde fiz o curso técnico, fez a correção ortográfica. A APAE me ajudou a divulgar a vontade de lançar o livro, mas não tinha dinheiro para patrocinar. Então busquei algumas editoras e encontrei a Access, que publicou o livro sem que eu precisasse investir nada antes. Ficou muito bonito!

– Qual é seu objetivo com o livro “Uma Viagem ao Mundo de Clara”?
– É mostrar que todo mundo pode ser feliz. A gente não passa só por coisas ruins, acho que a vida é uma balança, tem que haver equilíbrio. Quero divulgar o respeito ao próximo, às pessoas, Deus criou a gente para se respeitar, se amar, respeitar todos com suas diferenças. Quero que quando as pessoas entrem em contato com esses personagens, acabem percebendo que todos têm suas insatisfações, mas podem ser felizes.

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