Josué Matos

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Olá, gostaria de agradecer ao convite para entrevista. Sempre falo a mesma coisa quando me pedem para falar de mim, apesar de saber que todo ser-humano está em constante mutação (risos). Bem, o Josué é, acima de tudo, humano. Isso significa que é imperfeito. A partir dessa aceitação, fica mais fácil aceitar meus defeitos e qualidades. Sou uma pessoa extremamente teimosa, em compensação, tenho um coração enorme. Me defino como uma pessoa em busca de seu sonho, sem passar por cima de ninguém e, sempre, fazendo o bem. Pois acredito que fazendo o bem você receberá o bem. Ajudar é gratificante, saber que você tocou a vida de uma pessoa e, com isso, a fez feliz, é muito bom.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Já fiz muitas coisas na vida. Sou formado em Analise de sistemas, devido a isso iniciei minha vida profissional trabalhando com desenvolvimento de sistemas. Em pouco tempo fiz um curso de especialização em gestão de planejamento e fui trabalhar com obras industriais. Hoje, além da escrita, trabalho no setor financeiro de um grupo de restaurantes. Como já disse em outras entrevistas, a inspiração veio do incentivo dado por minha mãe. Sem ela, não seria escritor hoje. Ela que me apresentou esse mundo mágico das histórias. Ela que me deu o exemplo. E é disso que precisamos bons exemplos, talvez assim o mundo possa mudar.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Se transportar para outros mundos. Viver grandes aventuras.  Ser livre!

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Não, escrevo em qualquer lugar, seja em casa, seja dentro do ônibus. Sempre levo meu tablet para onde vou. Surgiu uma ideia, escrevo na hora. É bom frisar que no cenário atual do mercado literário, são raros os escritores que vivem exclusivamente da escrita. Dessa forma, quem realmente tem amor em escrever, o faz em qualquer lugar, pois falta tempo para isso.

  1. Qual seu gênero literário? já tentou passear em outros gêneros?

Meu gênero é policial e ficção cientifica. Meu primeiro livro é policial e o segundo, em fase de revisão, é uma ficção agnóstica. Ainda não me arrisquei em outros gêneros, mas tenho muita vontade de fazê-lo. Acredito que no próximo ano me aventurarei em outros gêneros.

  1. Fale-nos um pouco sobre o livro “Eu, inabalável – Até onde você iria por vingança?”. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?

O livro é um romance policial, onde o personagem principal, Leonardo, sofre grandes perdas familiares e precisa superar isso. A obra trás a tona questões polêmicas e delicadas, fazendo com que existam histórias paralelas que incentivam a discussão de problemas sociais muitas vezes deixados para segundo plano pela sociedade.

Sempre tento associar os nomes ao perfil dos personagens. Leonardo, por exemplo, é um guerreiro posto a prova, ou seja, para superar os problemas, ele precisará ser for te como um leão.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Faço muita pesquisa para escrever meus livros. No policial, o trâmite judiciário é retratado de forma fiel. Além disso, meus livros são ambientados no Rio de Janeiro, pelo simples fato de, por morar aqui, posso visitar os lugares onde as cenas se desenrolam.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não. Tenho influência de uma série de autores dos quais gosto bastante, mas procuro criar meu próprio estilo. Sei que isso pode não agradar alguns, e acredito que existe um grande risco de acontecer, mas busco criar algo meu, com minha identidade. Se você ler algum livro me verá na fluência do texto. Quero quebrar paradigmas, mudar a forma de escrever, ou simplesmente, ser diferente.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Ainda não. No mercado atual você só não publica se não quiser. Existem diversos modelos de publicação, desde as editoras tradicionais, passando pelas pagas, chegando até as plataformas de publicação independente. Meu segundo livro está em análise por editoras tradicionais, e, caso não seja selecionado, não tenho vergonha alguma em publicá-lo em plataformas independentes.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

A pergunta é abrangente.  Se levar para o ponto de vista do mercado editorial, hoje é muito mais fácil publicar um livro, e, essa facilidade acarreta pontos negativos e positivos, a meu ver, mais pontos positivos.

Se analisarmos pelo lado de produção literária, percebemos que o mercado está dominado por obras subjetivas de realidade fantástica para atingir o público que mais compra livros, os novos jovens. Vejo isso de forma positiva, mas com ressalvas. Os livros tem a função de entreter, todavia tem como função fundamental a formação de caráter através de discussões relevantes sobre nossa sociedade.

Ainda podemos analisar o cenário pelo ponto de vista da quantidade de leitores de autores nacionais. Para mim é o pior de todos. Apesar da indicação de que os índices de leitores crescem, é notória a preferência pelos autores estrangeiros. E Isso é uma questão mercadológica. A culpa não é do leitor, mas sim do mercado como um todo. Como já dizia o poeta Renato Russo, desde pequenos já recebemos os enlatados dos U.S.A… (risos) .

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom? 

O lançamento de novas plataformas de publicação independente facilitou muito o processo de distribuição de um livro. Devido a essa facilidade, todo leitor que sonhava em ser escritor, mas adiava o sonho devido a dificuldade em se arranjar uma editora, ganhou a oportunidade de escrever seu livro, editá-lo, publica-lo e vendê-lo diretamente para seu público. Eu realmente fico muito feliz com tudo isso. Mesmo sabendo que a grande maioria são livros que não são tão bons, tenho certeza que dessa forma aparecerão muitos talentos escondidos. E esses com certeza terão um belo futuro pela frente. Acredito também, que os livros considerados abaixo da média, podem ter sido classificados dessa forma por falta de orientação ao autor, que deveria ter feito uma revisão profissional, uma boa diagramação e até uma bela capa.  Até esses podem se beneficiar aprendendo com os erros, vindo a se tornarem escritores de sucesso com o passar do tempo. Em suma, acho que existem mais ponto positivos do que negativos nesse boom.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho que desmotiva os leitores a comprarem livros nacionais. Recentemente fiz uma pesquisa em gráficas e percebi que quanto maior a tiragem mais barato fica o custo de impressão. Ou seja, se a editora investir no autor nacional como o faz com o estrangeiro, teremos maiores tiragens e, consequentemente, um preço mais baixo. Todavia, parece que o mercado não segue esta lógica. Muitas editoras cobram do autor para realizar uma tiragem de 1.500 exemplares e, mesmo assim, os preços dos livros saem com valores muito altos. Para mim é um contrassenso.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Acho que nenhum (risos). Quando gosto de um livro não penso em “porque não pensei nisso”, pelo contrário penso “nossa, ele(a) é um gênio”. Mas, não é a ideia em si que chama minha atenção, mas a fluência da escrita e o estilo do escritor. Como exemplo vou citar o livro de Gabriel Garcia, “Memórias de minhas putas tristes”, verá que a ideia em si não é atrativa, chega até a causar repulsa em algumas pessoas, todavia a forma como é escrito é genial. Isso sim é que procuro ter como exemplo, a criação de um estilo próprio.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

Carmina Burana – O Fortuna | Carl Orff

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Posso citar vários livros, todos me agregam algo. Todavia os que criaram meu gênero literário foram os livros de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), os contos de Isaac Asimov e os livros de Agatha Christie.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, já iniciei meu terceiro livro que será a continuação do meu livro policial. Além disso, meu segundo livro já está em analise por algumas editoras. Nos próximos dias, saberei se ele sairá por alguma editora tradicional ou se farei de modo independente. Além disso, acabo de lançar o livro “Unwavering, Me” na Amazon americana e no CreateSpace. Vou investir nele lá no mercado americano. Quero ter uma referência para saber se realmente lá é menos difícil do que aqui (risos).

Recentemente lancei uma campanha no YouTube “Eu Leio Nacionais”, se vocês ainda não conhecem, lhes convido a assisti o vídeo no canal Ajeitaí do YouTube.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? o que você acha sobre isso?

Sim, acompanho. Muitas críticas são válidas e refletem a cultura do arquétipo literário brasileiro. Se você lê algo que é diferente de sua referência tida como correta, imediatamente você rotulará como negativo. Poucas críticas percebem sua tentativa de criar algo novo. E, são essas que me prendo e procuro melhorar. Meus livros têm estilo literário próprio e um objetivo claro de entreter e ao mesmo tempo levantar questões sociais a serem repensadas. Para isso, procuro não criar histórias que possuam 300 a 600 páginas, pelo contrário, procuro escrever livros que o leitor possa ler em uma tarde, em um dia. Dentro dessa premissa, procuro melhorar com as críticas assertivas que recebo.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Walcyr Carrasco.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Escreva por amor. Se você tem como objetivo ganhar dinheiro com livro aqui no Brasil, desista agora. Digo isso, pois enfrentamos inúmeras dificuldades e as derrotas são infinitamente maiores que as vitórias. Então, o que o faz continuar é o amor pela escrita. Se você ama escrever, se sente feliz com isso, então te incentivo a escrever um livro. E, se for esse o caminho que você quer seguir, você tem que se preocupar e muito com a qualidade. Os leitores merecem um serviço feito com muita dedicação e cuidado.

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