JOSÉ LINS DO REGO – O ESCRITOR E SUA OBRA

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José Lins do Rego Cavalcanti era filho de fazendeiros de uma tradicional família de “Senhores de Engenho” produtores de açúcar. Ele nasceu na Paraíba, no Engenho Corredor, próximo à cidade de Pilar em 3 de junho de 1901. Ainda muito criança perdeu a mãe e passou a ser criado pelo avô.

Com oito anos foi colocado em um colégio interno onde ficou por três anos. Em 1912 foi estudar na cidade de João Pessoa onde publicou nesse mesmo ano seu primeiro artigo no jornal local. Alguns anos depois se mudou para Recife onde continuou os estudos até concluir o que hoje é chamado de ensino médio, depois cursou a Faculdade de Direito do Recife. Foi em Recife que conheceu grandes intelectuais da época como Gilberto Freyre e José Américo de Almeida.

Em 1924 o escritor se casou e no ano seguinte foi nomeado promotor, mas em 1926 mudou-se com a mulher para Maceió e se tornou fiscal de bancos, além de ter esse trabalho ele passou a colaborar com o Jornal de Alagoas. Em Maceió se tornou amigo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima.

Seu primeiro romance publicado foi “Menino de Engenho” em 1932 que foi muito elogiado pela crítica e recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1935 o escritor se mudou para o Rio de Janeiro onde continuou escrevendo seus romances e trabalhando como jornalista, publicando crônicas diariamente em jornais cariocas.

Em seus romances José Lins do Rego fala da decadência dos senhores de engenho, fazendo uma crítica  ao sistema econômico ultrapassado que se baseava na exploração desumana da mão de obra. Sua narrativa é cheia de autenticidade e realismo, descrevendo a vida, os costumes, as características, a maneira de falar do povo nordestino que viveu durante a época do declínio dos grandes engenhos. Na verdade seus livros são autobiográficos. O escritor nasceu num engenho de açúcar, passou toda a sua infância lá. A realidade que retratou em seus livros era muito conhecida e familiar a ele. Além de falar da vida nos engenhos e da sua decadência econômica José Lins do Rego também fala em sua obra sobre os cangaceiros, sobre o misticismo do povo nordestino e sobre a seca. Ele foi um grande escritor regionalista do modernismo.

O próprio José Lins do Rego dividiu a sua obra em três fases: “O Ciclo da Cana-de-Açúcar”, onde se enquadram os livros: “Menino de Engenho”, “Doidinho”, “Fogo Morto” e “Usina” depois o ”Ciclo do Cangaço, Misticismo e Seca” com “Pedra Bonita” e “Cangaceiros” e “Obras Independentes” que podem ter ligação com os ciclos anteriores como é o caso de “Moleque Ricardo” e “Riacho Doce” ou não como os livros “Água-Mãe” e “Eurídice”.

Seu primeiro livro publicado “Menino de Engenho” teve sua publicação paga com dinheiro do próprio escritor e como já foi dito, se tornou um grande sucesso de crítica e de venda. A partir do segundo livro publicado “Doidinho”, o editor José Olympio propôs ao escritor fazer uma edição de dez mil exemplares de seu próximo romance, isso fez com que José Lins do Rego se tornasse um escritor muito conhecido e prestigiado pelos leitores. A partir de então ele passou a publicar um livro por ano. Sua obra além de importante dentro da literatura brasileira tornou-se também muito vasta.

O livro “Fogo Morto” escrito em 1943 é a obra prima de José Lins do Rego. Nele o escritor retrata com riqueza de detalhes o declínio dos engenhos de cana e com ele a decadência da economia nordestina da época. Com singular sensibilidade ele descreve a ruína dos senhores de engenho, inclusive de seu próprio avô e das pessoas que dependiam daquele trabalho para sobreviver. Por estar tão inserido naquela realidade sua narrativa é surpreendente e nos leva para dentro de sua história, de sua época e de seu contexto, mostrando bem porque ele se tornou um escritor tão reconhecido pelo público e pela crítica , deixando muito claro seu grande valor dentro da literatura brasileira.

Em 15 de setembro de 1955 José Lins do Rego foi eleito para ocupar a cadeira número 25 da Academia Brasileira de Letras.

Várias de suas  obras  foram adaptadas para o cinema, teatro e tv e foram também traduzidas em outros idiomas.

O escritor José Lins do Rego faleceu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1957.

Em sua obra, José Lins do Rego, soube como poucos fazer o retrato de uma época da história do Brasil. Ele registrou em seus livros não só fatos, mas principalmente os traços tão peculiares e marcantes do povo nordestino, sua força interior, suas crenças e costumes que fazem com que enfrentem e  superem todos os obstáculos inclusive os naturais como a seca, demonstrando que o nordestino é mesmo “um forte”.  Por tudo isso a obra de José Lins do Rego  merece ser conhecida, lida e relida por todos nós.

Texto escrito por  Ivana Lopes-  Tradutora, Escritora e Colunista

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Fontes de Pesquisa:

www.academia.org.br/academicos/jose-lins-do-rego/biografia

http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-lins-do-rego

www.ebiografia.com

www.brasilescola.uol.com.br

www.releituras.com/jlinsrego

www.infoescola.com/biografia-de-jose-lins-do-rego (por Ana Paula

de Araújo)

Foto: kdfrases.com

Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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