Intolerância Literária

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Vendo algumas atualizações no Facebook de alguns grupos de leitores cheguei a uma chocante constatação: o preconceito no meio literário existe!

Tudo bem, você pode falar para mim que isto é normal do ser humano, mas não consigo aceitar! Tenho preconceito do preconceito!

Vivemos num mundo onde se luta diariamente contra as ideias alusivas de que devemos ser heterossexuais, ricos, magros, brancos e felizes. E pasmem: tudo que vai ao contrário choca!

Mesmo em pleno século XXI há uma luta ferrenha em busca de respeito àqueles que estão fora do modelo ideal e sabemos que algumas vitórias já foram alcançadas, mas não chegamos nem perto do ideal.

Entretanto o que mais espanta é a massa de leitores do nosso Brasil. Sabemos que o brasileiro nunca leu tanto como na atualidade, que nunca comprou tanto livro e e-books como agora. Isso é um grande passo para a cultura do povo que agora desgruda da televisão para continuar a leitura de seu livro. Isto tudo é demais! Agora quando se convida os amigos para discutir seus gostos literários… É aí que começa a intolerância.

Sempre tive o conceito de que quanto mais a pessoa lê mais a mente dela se abre para o mundo, o conhecimento traz a luz para vida da pessoa. O grande lance da literatura é quebrar paradigmas! Por isso fico chocada quando vejo algum leitor tendo preconceito com determinado tipo de literatura.

Este livro é de autoajuda? Drama? Romance de banca? Clássico? De poesia? Chick-lit? Terror? Erótico? Distopia? Quadrinhos? Alguns autores têm um crivo do que são “literaturas verdadeiras” outros não conseguem o respeito da sociedade de leitores brasileiros e recebem uma esnobada cultural.

Tive o desprazer de assistir num programa de televisão em que uma das integrantes disse que livros de banca não eram literatura de verdade! E outra crônica que li dizia que um determinado livro best-seller que virou “moda” não poderia ser classificado como literatura! Como assim?

Para mim, até bula de remédio é um tipo de literatura, não romantizado, mas instrutivo e serve para seu fim.  Fico feliz quando uma pessoa que nunca leu, compra um livro da moda e se empolga a ler mais. Temos que incentivar a leitura! Não vou indicar um livro de Camões para um adolescente, ele não terá maturidade para compreender e ficará entediado, mas ele pode se identificar com um livro de Percy Jackson ou um da Talita Rebouças.

Os leitores assíduos vão adquirindo preferências e isso se deve respeitar! Piadinhas infames sobre leitores que gostam de determinada obra é um preconceito literário e fico com vergonha alheia.

Moramos num país livre onde podemos viver, cultuar e ler o que quisermos sem interferência do Estado. A ditadura acabou há décadas!  Podemos aproveitar a liberdade e parar de julgar o próximo por ele não ser do estereótipo desejado ou porque ele lê um livro que você não curte!

Leia sempre! Entenda mais! Respeite infinitamente e não deixe de abrir a sua mente. A intolerância literária só fará você ter vômitos culturais grotescos e nada além.

Um comentário

  1. É verdade. Precisamos respeitar todos os gostos literários. O que de repente eu acho ruim hoje, pode ser que eu gostasse há alguns anos. A bagagem que carregamos acaba por nos deixar mais críticos e embora muitas vezes eu diga que tal obra não é boa, para alguém ela há de ser. Os leitores em geral não analisam muito o enredo, a linguagem, o estilo de escrita como nós escritores fazemos. Muitas vezes eu desejei ler algo com os mesmos olhos da leitora que eu era na adolescência, mas certas coisas nunca voltam. Parabéns pelo texto, Andrea. Beijos a todos da Arca.

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