Horror na colina de Darrington – Marcus Barcelos

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Ben, aos dezessete anos, parece um jovem comum. Um rapaz órfão que ajudou a família em um momento difícil. Ele se mudou para a casa do tio Romeo depois que a tia entrou em coma. Sua intenção era apenas ajudar a cuidar da prima Carlinha, de apenas cinco anos de idade. Ele jamais imaginou o terror que passaria para cumprir a promessa de proteger a pequena criança e decide, finalmente, contá-los onze anos depois.

 “Já não sei mais o que é pesadelo e o que é realidade, não consigo mais distingui-los. Mas foi terrível. Terrível!”

 Antes de falar da história, preciso comentar sobre a diagramação. Primeiro que eu tive um susto quando peguei no livro e achei que todas as páginas eram negras, porém apenas suas bordas são. Além das bordas escuras, há ilustrações entre cada capítulo. Dois desenhos feitos à mão, em preto e branco, um sobre uma cena que aconteceu e outro sobre o que aconteceria na próxima parte. Todo início de capítulo também apresenta um recorte de jornal, boletim médico ou policial, transcrição de notícia de televisão relevante ao capítulo em si. Eu amei o cuidado que a Faro Editorial teve com esse livro. É o primeiro que compro dessa editora e estou curiosa para saber se é assim com todos os livros lançados por ela. Parabéns.

 Horror na colina de Darrington é um livro de suspense sobrenatural que não dá trégua para o leitor.  Eu me senti envolta em um turbilhão de emoções e acontecimentos, parecia que estava em uma mistura de Amityville, sobrenatural – o filme, não a série – e os meus futuros pesadelos. Sempre gostei de filmes de suspense e quando assisto algum com meu filho, ele reclama que existe muita enrolação no início. Fica impaciente, esperando começar a “parte de sustos” como ele costuma dizer. Não acontece isto na colina de Darrington. Aqui você procura um segundo para respirar e processar tudo que leu. Não que haja algum momento assim…

 A narrativa intensa de Marcus Barcelos te prende do início ao fim e conquistou mais de um milhão de leitura no Wattpad, além do prêmio Wattys. Eu só digo uma coisa: graças a Deus não li esse livro quando estava sendo postado. Imagina ter que esperar cada capítulo para saber o que ia acontecer? Eu seria enviada ao sanatório de Borough por causa da ansiedade!

 “Chorei pensando no que estava por vir e por não saber se eu teria a coragem necessária para enfrentar.”

 Eu não quero me aprofundar na história em si, estragar o suspense construído. Sei que de comum o jovem Ben não tinha nada. Benjamin Simons era um rapaz de caráter, capaz de enfrentar o terror por aqueles que ama. Capaz de reviver seus pesadelos para proteger inocentes e vingar os culpados. O que foi meio surpreendente é que três datas significativas no livro são datas de aniversário de pessoas próximas a mim. Meu filho ficou surpreso com as coincidências enquanto eu lia parte do livro em voz alta, imitando as diferentes entonações de vozes. Ele estava ansioso para saber a história do “homem com uma caveira na mão” – já que na foto do autor, o Marcus Barcelos segura um crânio – e não deixou que eu parasse até que chegasse ao final. Adorei ter uma versão em livro dos filmes de suspense que a gente assiste, ficamos discutindo os prós e contras de entrar no porão ou onde a Amanda estaria. O livro é curto e talvez esta seja a parte mais interessante. Você vive com intensidade cada linha, mesmo depois do fim.

 Só tenho uma certeza, em 2017, quando a ambição superar a moral na busca pelo poder, apenas os que sabem a verdade poderão proteger nossas crianças.

Música recomendada: Highway to Hell – AC/DC

Resenha de Aretha V. Guedes, escritora e resenhista do Arca Literária

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