Hiran Murbach

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Nasci em 07 de março de 1977, na cidade de Americana – SP. Desde muito cedo comecei a escrever, porém apenas em 2003 concluí meu primeiro romance “Quando a vida imita a arte” e acabei publicando-o de forma independente. Também escrevi diversos contos sobre os mais variados temas, materiais que atualmente estão disponíveis na Amazon. Em 2013 resolvi escrever sobre empreendedorismo e o resultado foi um livro de dicas que há anos eu sentia que precisava publicar para virar uma página em minha vida. Assim surgiu o livro chamado “Quebrando: aprendendo com os erros dos outros”. Tive sucesso em conseguir financiamento para este projeto via Crowdfunding, o que me permitiu lançá-lo no início de 2014 pela editora Livrus. No mesmo ano lancei minha segunda obra de não-ficção, inspirada em minha monografia de MBA, “O grátis no marketing digital”, e em 2016, a terceira, com o título de “O que é essa tal criatividade”, todos disponíveis na Amazon. Finalmente, em 2017 eu finalizei meu segundo romance, “Quase esquecidos – Eles ainda estão entre nós” que será lançado pela Editora Soul.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?  

Sou formado em Direito, atuei como advogado e, há cerca de 15 anos, me especializei na área de negócios e marketing, focando em startups e novos negócios. A minha inspiração para a escrita é a mais variada possível. Normalmente ela nunca surge sozinha, é alguma coisa que faz conexão com outra, que estava guardada na minha cabeça, e que quando se unem saem faíscas e surge a ideia.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Por gostar muito de ler, fico imaginando de onde os escritores tiram as ideias para compor suas obras, suas inspirações para cada pequeno detalhe, as nuances e as entrelinhas. E ao escrever eu consigo me sentir um pouco do outro lado, imaginando o que os leitores vão achar da minha história, o que vão pensar dos trechos que escrevi e quais viagens eles terão.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não tenho. Tem dias que preciso escrever numa mesa, mas em outras busco algo mais descolado, como um sofá ou mesmo uma rede. Vai muito do clima e do meu estado de espírito.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Por mais que eu viaje pela fantasia e um pouco do surrealismo, meu gênero padrão é o contemporâneo com algumas pitadas de cultura pop. Já tentei ir para histórias 100% fantasia e mundos fantásticos, mas não rendeu e os projetos foram abortados. Fora isso, escrevo sobre empreendedorismo e marketing.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Se têm duas coisas que eu travo são os nomes de personagens e (principalmente) títulos de livros. Na questão do nome, quando escrevemos uma história, os personagens principais se tornam nossos melhores amigos e passam o dia-a-dia conosco, desta forma um nome mal escolhido pode atrapalhar esse casamento. Eu busco quase sempre procurar nomes que não sejam os mesmos de pessoas mais próximas do meu convívio, para que estes personagens não “roubem” a face e os trejeitos destas pessoas, a não ser em alguns casos em que eu busco homenagear alguém. Já os títulos, estes são quase sempre uma novela. O título de “Quase Esquecidos” surgiu quando o livro já estava no processo de escolha da capa, durante toda a obra ele não teve nome.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Depende muito da temática. Como o livro “Quase Esquecidos” envolve o folclore brasileiro, estudei bastante sobre o tema em livros e sites para compor os personagens o mais fidedignamente possível, além de procurar característica menos óbvias deles, que pudessem enriquecer a história. Neste caso, por eles já existirem no imaginário popular, eu jamais poderia reinventa-los do zero, como por exemplo, dizer que o Saci voava ou que o Boto se transformava em um golfinho no mar. Fora isso, por usar em minha história sempre locais reais, eu estudo características físicas e geográficas deles, para situar as passagens.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Com certeza. No meu caso tudo começou muito cedo com Monteiro Lobato e Marcos Rey, que me fizeram pegar o gosto pela leitura e um pelo fantástico e o outro pelo contemporâneo. E hoje me agradam muito Neil Gaiman, JK Rowling, Joe Hill e, principalmente, Stephen King, que fazem essa junção muito bem.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Muitas, gigantescas! Fisicamente publiquei apenas 3 livros: meu primeiro romance, o qual banquei tudo do começo ao fim e, talvez por conta disso o projeto não saiu tão bom quanto eu esperava, tive prejuízo e tenho até hoje dezenas de livros encalhados. O segundo, meu primeiro projeto de empreendedorismo, foi viabilizado pelo Catarse e apenas imprimi os livros da recompensa. E agora, o “Quase Esquecidos”, que estou lançando pela Soul e, pela primeira vez, estou totalmente satisfeito com o processo. Porém, além desses, tenho diversos livros apenas publicados em e-book e a maioria deles de forma amadora.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Me agrada muito. Só o fato de alguém se predispor a escrever um livro mostra que ele tem muita força de vontade, pois sabemos o quão árduo é esse trabalho. Ainda é um cenário bem underground e aqueles que conseguem algum espaço raramente são romancistas, mas creio que estamos dando os primeiros passos para algo maior.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Complementando a resposta anterior, eu acho excepcional. Acredito que é errando que aprendemos, duvido que algum escritor realmente ache que a sua primeira obra é perfeita e o livro ruim de hoje pode servir como laboratório para um livro incrível de amanhã. Quanto mais gente escrevendo, publicando e lendo, melhor. Com o tempo teremos livros de maior qualidade, mas neste momento a quantidade e a tentativa-e-erro são importantes.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Altos demais. Entendo o custo do mercado e tudo o que envolve ele, mas isso ainda exclui muita gente que gostaria de ler e que não pode pelos valores elevados dos livros e pela falta de cultura de frequentarmos bibliotecas.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?CAPA

 Aí são diversos! Mas se eu tivesse que escolher dois, diferentes entre si e adaptados à minha realidade, seriam “11/22/63”, do Stephen King e “Febre de Bola”, do Nick Hornby.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Depende muito dos livros. Para o “Quando a vida imita a arte”, foi “Todo Carnaval tem Seu Fim”, dos Los Hermanos e todo o “Sgt. Pepper”, dos Beatles. Já para o “Quase Esquecidos”, dá para dizer que foi o “Mistérios da Meia Noite”, do Zé Ramalho.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Se eu tivesse que representar a minha vida, seria “Alta Fidelidade”, do Nick Hornby, que inclusive me inspirou a escrever meu primeiro romance.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho dois. Um que já comecei a escrever, onde estou me desafiando a fazer algo mais sombrio e fantástico. Porém, nas últimas semanas estou quebrando a cabeça para pensar como seria uma continuação de “Quase Esquecidos” e já iniciei os primeiros rascunhos.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Eu gosto, pois muitas vezes estes comentários me fazem descobrir algum livro ou autor que eu não conhecia, principalmente os nacionais, e que não descobriria pelos meios tradicionais e mainstream.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Se eu tivesse uma versão em inglês dele colocaria nas mãos do Neil Gaiman e diria “olha que do c%@#& a mitologia brasileira, ela precisa aparecer de alguma forma numa continuação dos Deuses Americanos”.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Quando alguém que você nem conhece vem dizer que gostou do seu livro, porque isso sempre é sincero e espontâneo.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

 Leiam. Leiam muito, inclusive estilos que vocês teoricamente não gostem, nem que sejam para dizer “valeu, mas não é pra mim”. E se um dia quiserem escrever, vão com tudo, não fiquem com vergonha do que os outros vão dizer.

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