1. Fale-nos um pouco de você.

R: Falar de alguém é tão mais fácil que falar de si próprio. Vamos lá… Nasci em São José dos Campos / SP, no ano de 1952, e aqui estou. Nunca morei fora, apesar de já ter visitado algumas cidades brasileiras, nos estados nordestinos, no Sul e na cidade de Itajubá / MG onde tenho uma cunhada e dois sobrinhos. Nasci na roça, trabalhei no campo, estudei até o ensino médio na denominação atual, andando muito pois não havia condução naquela época. Na adolescência, não tinha muito o que fazer, então pegava um caderno, uma caneta e ia me sentar debaixo do pé de ameixas que tinha no nosso quintal, lá eu olhava para a lua e escrevia, poemas, cartas de amor, cartas para a lua, e daí comecei a escrever cartas para a vizinhança que não sabia ler e nem escrever, e queria enviar para seus parentes de longe. Minha mãe na época dizia que não era bom, pois invadia sentimentos de outros, mas não tinha jeito, as pessoas me procuravam. Sou uma pessoa comunicativa, fácil de assimilar ao meio, procuro compreender quem está próximo, assim eu entendia o sentimento de cada ser que vinha me pedir um favor. Colaborava dessa forma a diminuir a dor da saudade. Achava bom.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R: Trabalhei muito nessa vida, de tudo um pouco, fui auxiliar de costura numa malharia, auxiliar de escritório numa papelaria, e também num escritório de contabilidade, auxiliar de RH numa loja de ferramentas, chefiei departamentos de Pessoal, Contas a Pagar, Contas a Receber, Cadastro de Clientes, Tesouraria, e por fim Secretária em fábrica e Construtoras, quando me vi desempregada com mais de 45 anos, encontrei dificuldade na recolocação, recebi convite para vender imóveis num plantão de vendas, deu super certo, logo resolvi abrir uma imobiliária e estou há 18 anos nessa luta, dos anos de 2014 para cá, com escassez de venda, sobrava tempo ocioso, então voltei a escrever, primeiro a minha vida, depois dos percalços, depois das alegrias, e fui catalogando, em 2014, lancei meu primeiro livro da Trilogia Pés Descalços, em 2015 lancei segundo livro Mistérios do Destino, depois fui convidada para escrever contos para a Antologia Flóreo, série de quatro, em 2018 lancei meu terceiro livro, segundo da Trilogia Pés Descalços, estou com uma coletânea de contos com tema Mulher, aguardando entrar cascalho para lançar. Há dois anos coloquei meu netinho no movimento escoteiro e acompanhando-o, acabei entrando como escotista auxiliar na Alcatéia onde ele é lobinho. Com 67 anos, sinto que ainda tenho muito gás para queimar, buscando ação beneficente, e contribuindo no trabalho de doação para os mais necessitados.

A inspiração para a escrita veio de minha vida atribulada, não sofrida, mas bem pedregosa, fui buscar lá dentro de meu ser, como se fosse extrair as farpas para não doer a alma, e assim fui colocando no papel, partes dolorosas e por que não? As partes divertidas também.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R: Quando brota a inspiração e fica lá na cachola cutucando para sair, sento na frente do meu PC, e começo a teclar, por vezes, no meio da noite, busco papel e caneta para registrar, já que em casa não tenho PC e celular é muito ruim para mim, a tela é pequena.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

R: Quando existe um tema e é um conto, é rápido, mas quando é romance que fica borbulhando na mente, normalmente começa de madrugada quando estou dormindo, acordo e pego o papel e caneta que já deixo na cabeceira, registro tudo, às vezes só o título, às vezes o enredo.  Mas quando é hot, escrevo só no escritório, quem me dita já sabe que não posso ser interrompida, senão perco o fio. Daí após o expediente não consigo desligar o PC, vou e volto a fazer algumas pequenas coisas que podia deixar para depois, mas fico enrolando, de repente, sento e abro o Word, e lá estou eu criando história e até gemo, urro, parece que tenho orgasmo, quando a frase sai inteira do jeito que tem que ser, aí paro, olho no relógio, já passa de 00:00h, estou exausta, mas com a cabeça leve, fecho tudo e volto para casa. Isso que acho incrível.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R: Romance de ficção, espiritual, hot. Sim, já tentei escrever algo mais didático educativo, mas não rolou, porque não sei usar palavras acadêmicas, não sou estudada, o máximo que estudei foi Gestão Imobiliária, que está longe de ensinar a “falar difícil”, rsrs, por essa razão parei de pensar nessa linha.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R: Tudo vem da inspiração, o enredo, o cenário, os personagens, nomes vem depois quando estou no meio ou quase no final da escrita, o título quase sempre vem por último, a não ser quando é continuação, estou escrevendo uma trilogia, já tenho dois publicados, falta o último.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R: Não pesquiso, a não ser quando tem um tema, uma localização, um cenário, aí vou no Google e busco, mas personagens, enredo, tudo vem da imaginação.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R: Tentei, mas não sai história genuína, então parei.

Gosto de ler, gêneros diversos, alienígenas, dramas, paixões, para espairecer; romances espíritas, para meditar; e quando escrevo contos eróticos, busco no Kindle, aqueles bem hot, para ter sensações e traduzo no papel o que senti, às vezes, acho absurdo, mas a sensação é boa.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R: Minha dificuldade em publicar é de cunho financeiro, então meus livros ficam prontos e adormecidos por muito tempo, até conseguir o dinheiro que cubra o orçamento, daí quando consigo, envio a autorização e o pagamento.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R: O cenário que você diz é escrever antologias? Se sim, acho gratificante porque dividimos o custo, somamos conhecimento, além de conhecer muitos escritores de peso, editoras famosas, divulgação mais ampla de nosso trabalho.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R: Já li alguns que achei muito bom, envolvente! Eu viajo dentro da história, onde consigo passear pelas paisagens e cenários imaginários dentro de cada frase lida e vejo os personagens interagirem-se e posso acompanhar cada passo.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R: Com o desmatamento desnecessário, árvores ficam escassas, a fabricação de papel mais difícil e livros se tornam preciosos quando impressos, creio que aí está a razão de ficarem mais caros, nem tanto pelo conteúdo, porque com a tecnologia avançada, os leitores buscam ler virtualmente, com descontos, e quando buscamos a leitura tradicional, manuseando livro impresso, paga-se o preço justo.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R: Escrever histórias interativas e educacionais, com leitura fácil e simples, para distribuir nas escolas de ensino fundamental e médio, e fomentar a vontade de ler aos alunos de nosso país.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (Nome da música + cantor)

R: Para o conto do O Vazio seria:

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R: Sim, A coleção O Trono de Vidro, acrescento a coleção Os Filhos de Éden.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R: Escrever histórias interativas e educacionais, com leitura fácil e simples, para distribuir nas escolas de ensino fundamental e médio, e fomentar a vontade de ler aos alunos de nosso país. Esse ainda é o meu sonho.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R: Não.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R: Para esse livro O Vazio, seria o Carlos Betinho. Embora não o conheça pessoalmente, creio que ele tem humor e terror nas veias.  Daria certinho.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R: Em primeiro lugar seria o esgotamento de sua tiragem no lançamento, em segundo lugar, ser reconhecido no mundo como escritora e sua história virar filme ou novela.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R: Enquanto houver sonhos, o mundo não estará perdido.

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