Gordelícias – Simone Gutierrez, Cacau Protásio, Mariana Xavier e Fabiana Karla

Gordelícias – Simone Gutierrez, Cacau Protásio, Mariana Xavier e Fabiana Karla

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check my blog “Só é gorda quem quer”. Só quem já escutou essa frase sabe o quanto dói.

watch Gordelicias é um livro espetacular. Em parceria com a editora Planeta, o livro foi lançado em março deste ano.

http://aiapets.com/?optionbinary=learn-trends-to-win-in-binary-options Fruto do movimento que começou quando uma revista publicou que mulher de certo tipo de corpo deveria ir a praia e ficar enterrada na areia, pois teoricamente gorda não pode ir a praia, a primeira reação foi um ensaio na praia, de roupa de praia. A ideia é mostrar que não existe corpo de verão e sim verão para o corpo.

original site O livro é dividido em partes conforme um tema e para cada tema desse as quatro autoras escrevem um relato de sua própria vida; infância, sexo, carreira são alguns desses temas.

binaire opties 60 seconden Os relatos são em sua maioria com tom de comédia mas as situações passadas por elas são bem tristes, me identifiquei.

go to site Muito fácil de ler, é como se você tivesse sentada numa roda de amigas e cada hora uma conta sua história, linguagem altamente acessível.

manuali opzioni binarie pdf torrent Me senti tão a vontade na leitura que resolvi escrever o meu “capítulo”.

follow url Super indico, deveria ser leitura obrigatória para todos, gordos, magros, e principalmente gordofóbicos, para entender que não é porque está gordo que a pessoa quer, é preguiçosa ou é falta de vergonha na cara.

http://stamparija-rankovic.com/?prilko=how-to-buy-Priligy-online-without-prescription-in-Fort-Worth-Texas&448=75  Vamos lá!

binÃÆ’ÃÆ  Só é gorda quem quer

see  Não nasci gorda, pelo contrário, eu era uma criança magra, que não comia nada, e era forçada pela minha mãe a comer. Segundo ela mesmo quando tinha uns 4 a 6 anos para eu me alimentar eram três gritos em cada colher, “abre a boca, mastiga, engole”. Em consultas ao pediatra que me assistia na época ela não poderia me forçar a comer, e sim deixar que “uma hora eu sentiria fome”. Resultado, eu ficava uma semana sem comer nada, sim uma semana. No final ela desistiu do pediatra e começou a forçar “guela baixo” a comida.

Homepage Fui uma adolescente magra, até demais. Aos 12 anos já tinha o 1,71 que tenho hoje e me achava horrorosa. Para você ter uma ideia, na época não existia calças que diferenciavam o comprimento da calça jeans, então para eu comprar uma calça que me servia nas pernas ficava um palmo largo na cintura. Eu invejava fortemente minha irmã, pois um pouco acima do peso, qualquer roupa ficava linda nela. Esse meu trauma era tão grande que cheguei a fazer terapia, aos 15 anos, para resolver esse problema.

follow url Comecei a engordar quando normalmente as pessoas começam, ao namorar. Saídas para ir ao cinema e comer muita pipoca, jantares, noites de sábado no shopping com parada estratégica no aquela rede americana de fast food, idas ao mineirão nos domingo a tarde e comer tropeiro.

go to site A primeira dieta foi com pouco menos de 1 ano de namoro. Recorri aos trabalhos de um médico em Juiz de Fora conhecido a época como Dr Caveirinha, que segundo as más línguas em seu remédio tinha mata rato. Estava com 68 quilos e em um mês emagreci 13 quilos. Fiquei como uma refugiada de guerra. Tenho uma carteira de motorista para provar. Na época eu renovei a minha habilitação e a foto foi tirada logo após o emagrecimento monstro.

get redirected here Fácil não foi, minha saliva quase não existia, sentia uma sede descomunal. O mal halito era quase de desenho animado, quando o mocinho come cebolas e o ventinho verde faz o malvado desmaiar. Em falar em desmaios, foram muitos, minha pressão ficou tão baixa que só de levantar rápido do sofá minha vista escurecia.

pop over to these guys Esse corpo magro não durou muito. Ao longo de alguns meses fui engordando aos poucos, e deixei levar. Até que aos 26 anos fui mochilar na Itália.

great post to read Chutei o balde com muita pizza e voltei de viagem, depois de alguns meses, com 76 quilos.

Recorri novamente ao Dr. Caveirinha. Emagreci muito. Manequim 38 era meu objetivo e eu consegui em menos de 2 meses. Junto com o manequim 38 veio o hipotiroidismo. Minha tireoide simplesmente parou. Segundo alguns médicos isso pode ter acontecido pois o remédio que eu tomava para emagrecer poderia ter o hormônio da tireoide e fez com que o organismo não produzisse mais.

Fui engordando aos poucos novamente. E entrei no efeito sanfona, oscilava entre o manequim 42 e 44.

No dia que eu conheci o meu marido estava muito feliz pois tinha acabado de entrar numa calça 42 sem stresh, aquelas no estilo “calça de homem” com o tecido muito grosso.

E como namoro normalmente é sinônimo de jantarzinho, cineminha… aí você já viu, né? 1 ano e meio depois no inicio do namoro, no dia do meu casamento estava com 83 quilos.

Para completar eu engravidei no primeiro mês de casada, foi planejadíssimo pois parei de tomar o antijunior 15 dias antes de casar, mas segundo a gineco até 1 ano tentando engravidar é normal.

Nova chutada de balde. Enjoei muito e só conseguia comer uva e maça. Muita uva, de bacia, igual pipoca. Cada ida à gineco era 4 ou 5 quilos a mais. No dia do parto da minha filha estava com 107 kg.

Emagrecer depois? Claro que não, e as canjicas doces para dar mais leite, eram panelas e mais panelas.

Até então eu não tinha passado por problemas com o peso. Depois da gravides eu comecei a passar, não só na rua mas em casa também. A frase “só é gorda quem quer” era a mais escutada.

E as indiretas no metrô? Quem já pegou metro na linha 2 no Rio as 6 horas da manhã sabe o tanto que é apertado. E escutar “gorda tem que ir de taxi” era o que mais escutava.

Eu ficava com tanta raiva que quando levantavam para me ceder o assento por acharem que estava gravida eu sentava sim, estava nem aí.

Foi aí que a saúde começou a “pedir penico”. Não conseguia sentar no chão para brincar com minha filha sem a perna formigar, varizes aparecendo, falta de ar de andar 100 metros foram só alguns problemas.

Fui atras de uma nutróloga. Comecei a tomar remédio para tireoide e diminui a quantidade de comida. Mas as vezes eu me sabotava, sempre com muita coxinha e muito enrolado de salsicha.

Não engordei mas também não emagreci. Quando engravidei pela segunda vez eu ainda estava com os 107 kg. Com a ajuda da nutróloga eu cheguei a 113 kg no final da gravidez. Somente 6 kg numa gravidez em que o bebê nasceu com 3,6 kg, contando placenta e liquido quase não engordei. Canjica nunca mais! Foi meu lema. Uma semana depois do parto já tinha voltado aos 107 kg do inicio da gravidez. Fiquei muito feliz, comecei uma dieta de pontinhos que me fez chegar aos 92 kg. Ótimo? Sim, muito. Mas relaxei em uma viagem para casa da minha sogra e lá foi embora os meus pontinhos.

Não insisti mais, nada de dieta mais, satisfeita não estava. Sabe o que mais de deixava chateada? O fato de não encontrar roupa para vestir, fui do 46 para o 48, 50, 52, 54, 56 em menos de 2 anos. Só encontrava roupa numa loja de departamento que tem uma seção para plus. Eu adorava pois nunca usei leggie, me recusava, então tinha somente uma calça jeans. E roupa pra gordo é assim, não é bonita, é a que serve. Eu ficava p… da vida. Era um festival de onças com sacos de batata que ninguém merece.

Um dia minha irmã me contou a história de uma amiga que tinha feito bariátrica e como a vida dela mudou. Me fez ir a uma consulta com um médico de Belo Horizonte. Gostei muito, procurei no Rio e fui a consulta. Foi mais de 6 meses de exames, consultas e preparação. No auge dos meus 118 kg estava com IMC 40 e o plano de saúde, segundo o médico, iria autorizar a cirurgia. Neste meio tempo o plano começou a dar problemas, ameaçar falir. Medo total.

No dia 01 de abril eu entrei no hospital para a cirurgia, foi punk. Não tive direito a acompanhante e tive que ficar sozinha, era a terceira vez em um hospital (contando meus dois partos) mas a primeira vez sozinha. Chorava horrores.

Os dias que se seguiram forma piores, me arrependi muito de ter feito a cirurgia. Até hoje 1 ano e 1 mês de cirurgia não consigo beber em copinhos de café. Sentia tanta sede que colocava o celular para despertar pois era 1 copinho a cada 10 minutos.

Aos poucos fui reduzindo. Comecei a conseguir caminhar 100, 500 1000 metros até um local que precisava e chegava sem falta de ar.

Sentava no chão para brincar com meus filhos e a perna não formigava, eu até conseguia fazer “perninha de chines”.

O manequim começou a diminuir, do 56 foi para o 54, 52, 50…. meu sonho era o 44. Eu achava que nunca conseguiria. Hoje estou no 40. Tô caída, tô, mas tô nem aí. Quem tem que gostar do meu corpo sou eu. Arrependimento, sim as vezes, principalmente nos momentos festivos, pois tudo se resume a comer e eu não consigo comer, pelo menos o tanto que a cabeça manda.

Agora o bullyng é ao contrário “Nossa você tá magra demais”, “Você não vai engordar não”, “Você está parecendo uma caveira”.

Sinceramente, o povo precisa é falar, não importa sobre o que. Então, seja feliz, gorda ou magra, o que importa é estar bem consigo mesma e saudável.

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Resenha de Dani Cabral

4 Comentários

  1. Parabéns, Dani! Sua força de vontade e o desejo de estar bem é o que realmente importa! Isso incluindo saúde! Que você continue se sentindo bem e feliz.

  2. Tema bastante forte. Realmente as pessoas sempre acharão um motivo para falar, pois, para muitas pessoas o importante é fazer alguem se sentir mal. Mas o que importa mesmo é que todos sejamos felizes e que não nos importemos com a opinião dos outros. As pessoas são muito cruéis e a empatia passa longe de muita gente.

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