Giordano Mochel

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Apesar de viver o mundo nerd e participar da sua cultura, sempre tive hábitos aversos a introversão, saindo muito e frequentando ambiente absolutamente heterogêneos. Isso pode ser devido a minha natureza inquieta. Só para ter uma ideia, depois de me formar em Ciência da Computação, fiz especializações em mobilidade urbana, transporte público e contabilidade pública. Ainda arrumei tempo para fazer direito e hoje também advogo. Por incrível que pareça ainda atuo em todas essas áreas. Só Deus pra saber onde arrumei tempo para escrever esse livro.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Eu escrevo desde criança, mas quando jovem não pus pra frente essa paixão. Muito estudo e a exigência do meio de informática de trabalhar cedo me deixaram bem distante disso. Ainda assim escrevo artigos quase sempre. O livro saiu mais de uma sequência de ideias acumuladas durante os anos. A realidade distópica mostrada na história surgiu exatamente desse conjunto adquirido de vivências. Procurei enaltecer a política mas sem poupar nenhuma corrente ideológica e sim expor as falhas de todas, quase igualmente, assim como ressaltar as pouquíssimas virtudes.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A sensação é indescritível. Creio que todos tem essa capacidade inerente de escrever, basta que mergulhem no mundo imaginário e consigam transportá-lo para as letras. É maravilhoso quando você vive um personagem totalmente diferente de você e quando relê o que foi escrito, não consegue imaginar como aquilo saiu. Uma outra personalidade.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Todo o livro foi escrito sobre um colchão desconfortável e um notebook, na maioria do tempo com minha filha que agora tem 6 anos pulando sobre minha cabeça. Mas isso não influenciou em nada, pois eu me transpunha do plano material para o imaginário e nem sabia o que acontecia no mundo exterior.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo ficção científica e distopias. Fora disso nada de livros, apenas artigos políticos e técnicos.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Condão é uma distopia, apesar de aparentemente se apresentar como uma utopia. A face oculta da sociedade manipulada vai se mostrando durante o enredo, a medida que os personagens vão desvendando os mistérios. Quanto aos personagens, tem uns que surgem durante a história e alguns que já existiam muito tempo atrás. Um amigo psicólogo diz que cada personagem é um pedaço de seu ego, de sua psique. Eu tenho tendência a acreditar nele.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Essa foi uma das partes mais difíceis. Como o livro aborda conteúdos bastante diferentes tive que pesquisar um certo número de assuntos. Na parte do direito, informática e engenharia tudo bem, mas em genética, geografia e alguns temas específicos eu tive que pesquisar. Veja, o livro não é um tratado científico, mas eu me cerquei de verossimilhança para que não ocorresse o que acontece com diversas obras hoje em dia, que de uma hora para outra nos mostram um fato impossível de se crer.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Orwel, Huxley, Asimov, Garcia Marques, Rubem Foseca, são muitos autores. E ainda tem George. R. R. Martin… O estilo literário dele é espantoso. Não duvido que algumas coisas minhas tenham saído dele, pois li todos os 5 livros de Crônicas de Gelo e Fogo em menos de 30 dias, poucos meses antes de escrever Condão. Acho Martin tão viciante quanto Tolkien.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Não tive esse problema porque estava com uma ideia fixa de publicá-lo. Em 2014 trabalhei em um projeto que me deu um excedente financeiro, portanto já estava disposto a gastar. Não queria passar 6 meses tentando convencer uma editora para publicar de graça, mesmo porque todos sabemos que não é bem assim. Mandei 5 originais para 5 editoras e todos foram aprovados, cada um com um valor. Mesmo sendo a mais cara, escolhi a Novo Século. Gostei da abrangência nacional e de alguns itens no contrato. Acho que foi uma questão de oportunidade e escolha. Não me arrependo.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que tem uma geração nova explodindo, principalmente no Brasil. Tenho visto muita coisa boa surgir. Obras de qualidade, cativantes e interessantes. Seria antiético citar alguns, pois relevaria outros. Então deixo livre para que pesquisem. Mas há muitos.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Como eu disse anteriormente tem muita coisa boa, mas realmente hoje se vê todo tipo de literatura, inclusive de baixa qualidade técnica. Mas não acho que isso seja ruim. É claro que a influência das redes sociais, onde muita coisa é escrita e lida, influencia um grande grupo a expressar as suas ideias. Como posso condenar isso, se meu próprio livro é fruto de uma inquietude expressiva? Apenas acho que se deve tomar bastante cuidado com a parte técnica, utilizar revisores e leitores críticos, se preocupar com a narrativa para que não se crie algo que não seja aproveitado futuramente.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Isso é reflexo da falta de incentivo de bibliotecas públicas, tanto para a sociedade como um todo quanto para os estudantes de escolas públicas e particulares. Veja que um livro de R$ 30,00 custa o mesmo que um ingresso de cinema, sendo que o livro pode ser compartilhado. Mas para uma parte importante e significativa da sociedade, a parte que não vai ao cinema de R$ 30,00 e nem lancha no Mc Donald’s esse valor é inacessível. Aí entra o poder público que deveria estimular com veemência a leitura onde há mais carência. Isso eu aprendi com Darcy Ribeiro.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Nenhum. Gosto de respeitar as manifestações criativas de todos. Essa frase soa meio egoísta. Existem várias ideias para serem “tidas”, não há necessidade de se por no lugar.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Nunca pensei nisso, mas com certeza algo relativo ao rock progressivo, possivelmente da nova geração, por se tratar de um livro no futuro.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Tenho dois livros da vida: 1984 e Cem Anos de Solidão.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Provavelmente a continuação deste livro. Não darei spoiler, mas já aviso que a abordagem será diferente.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acho ótimo, e tem crescido muito esse tipo de serviço. É excelente porque propicia um debate sobre as obras. Quanto eu escrevi Condão eu me preocupei bastante com a parte dialética. Adoro debater sobre as críticas e ideias do livro.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu admiro vários, mas escolheria dois: Antônio Faguntes e Wagner Moura. Além de admirar o trabalho de ambos, estão numa fantasiosa ideia cinematográfica do livro.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para outros eu não sei, mas para mim é poder debater as ideias do livro em fóruns públicos.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não há muito o que dizer, pois quem quer escrever vai acabar escrevendo de qualquer jeito. Só recomendo que tente se transpor para o mundo imaginário e viver seus personagens, assim o livro flui mais facilmente. Quanto à publicação, tem vários opções também. Aí vai da força de vontade de cada um e da disposição em encarar o desafio. Mas desistir de um sonho nunca é uma boa opção.

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