Geraldo Medeiros Jr

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Entrevista

  1. Fale-nos um pouco de você.

R.: Difícil falar de mim. Fico tão imerso na criação de personagens que muitas vezes esqueço de quem eu sou. Contudo, no meio de uma faísca de consciência de mim, lembro de que sou um cara que adora fazer o que faz. Aprecio também uma boa conversa, daquelas que te eleva. Penso muito e imagino demais.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R.: Observo muito as pessoas. Gosto de me dissociar do meio para poder observar. Estudo o comportamento humano e suas características mais profundas. E a partir disso, surge a matéria-prima com a qual forjo meus personagens e as histórias. Costumo dizer que não busco a inspiração. O livro quando está pronto, aparece.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R.: É a aventura de se viver num mundo criado por mim. Interagir com aquela gente toda e perceber que os personagens acabam assumindo o controle de seus atos. Considero isso um ato de criação.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

R.: Tenho sim. É lá que me teletransporto para outras realidades. Gostaria de postar uma foto, mas não posso. É meu esconderijo.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R.: Gosto muito do realismo-fantástico. Mas transito por outros. Já escrevi vários livros, muito deles ainda inéditos. Não me prendo a um gênero. Gosto de arriscar.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R.: É uma pergunta bem interessante. Jamais tento nomear o livro ou dar nomes a personagens. Eles se apresentam. O título, por exemplo, simplesmente surge. Por sua vez, os personagens saem do umbral do desconhecimento e emergem prontos. Com nomes e tudo que os caracterizam.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R.: Se vou escrever sobre algo relacionado a alguma época específica, ou alguma região a qual desconheço, então, procuro saber o máximo sobre aquilo. Por exemplo: No livro Geena: Eles voltaram – Editora Alfa do Cruzeiro, eu não conhecia detalhes sobre uma região específica da Antártida. Então, pesquisei a região através de livros e internet. No entanto, como seria sentir-se naquele lugar? Foi aí que procurei conversar com pesquisadores que estiveram na região. Precisei saber sobre suas impressões do ambiente. Às vezes, isso leva mais de ano até sentir-me seguro para escrever a respeito.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R.: Não. Mas aprecio muitos autores, especialmente os nacionais. Temos talentos magníficos em nossa terra. Eu mesmo sou membro de um grupo denominado Literatvs (é com “v” mesmo como na antiga Grécia), o qual é formado por escritores maravilhosos, cheios de criatividade e altamente capazes. O mundo precisa conhecê-los.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R.: A luta é árdua. O mercado literário é um mistério. Difícil entendê-lo. A trajetória é longa e o sucesso obscuro. Acredito que o escritor é o puro exemplo de automotivação e perseverança, pois, apesar de levar tantos “nãos”, ele continua a acreditar que pode. Eu sou assim. Se não fosse a paixão pela escrita não estaria aqui.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R.: Como disse anteriormente, um mistério. E um país que ainda luta para ter o mínimo, comprar um livro é um luxo. Sempre foi assim e não sei se mudará. Espero que sim. Os empresários do mercado editorial ainda não se deram conta de que o conhecimento vale mais do que ouro. Quantos talentos desperdiçados por esse Brasil afora! Um conselho ao mercado editorial: Parem de dar tantos créditos a autores estrangeiros e olhem para nós aqui. Exportem o que há de bom nesse país cheio de ideias e de vontade de se expressar. Não repitam o que já foi feito nos séculos 18, 19 e 20. Antes eram os franceses, depois os britânicos e agora os americanos. Olhem para nós!!!

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R.: Penso ser ótimo. Arte é arte. Mesmo a mais fuleira tem seu papel na sociedade. O que vale é o conhecimento que aquela obra tenta transmitir. Muitas vezes o livro ruim de hoje, poderá tornar-se um clássico amanhã. Vide as obras de Isaac Asimov, um escritor de ficção científica, cuja obra inicial tive a oportunidade de ler. Desesperador. No entanto, hoje é uma referência para todos aqueles que curtem o gênero. Arte é arte, e a escrita não foge disso. Não deveríamos enquadrar a arte de um escritor em padrões editoriais. Temos de aprender a apreciar a arte da escrita da mesma forma que apreciamos um quadro. Para uns aquela tela pode dizer alguma, para outros, nem tanto, e para outros ainda, nada. Mas deixe-a existir.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R.: Algum dia já foi barato?

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R.: Viagem à aurora do mundo – Érico Veríssimo.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

R.: Nem faço ideia.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R.: Os miseráveis de Vitor Hugo. Muito articulado e observador. O autor mergulha na mente dos personagens. Gosto disso.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R.: Muitos. Atualmente escrevo um livro bastante interessante, de época. É um romance histórico longo. Já estou envolvido com ele há três anos e estou longe de terminar. Também tenho um outro engatilhado. Estou na fase de começar a ver os personagens ainda como espectros. Logo saem do esconderijo.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R.: Não acompanho e nem quero. Alguns são despreparados para criticar uma obra. Aliás, são poucos que realmente sabem ler e entender uma obra literária. As observações são superficiais e sem consistências. Já vi youtubers e alguns blogueiros muito jovens com muito mais precisão em fornecer suas impressões que gente que se diz qualificada. Aliás, o que os críticos dizem é problema deles.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R.: Murilo Rubião. O primeiro escritor-contista de realismo fantástico do Brasil.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R.: Escrever.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R.: Leiam, leiam, leiam e escrevam muito. Não se preocupem com regras, fórmulas, padrões. Sejam livres para criar mundos.

Um comentário

  1. Amei a entrevista, admiro muito o autor Geraldo Medeiros JR. Suas histórias são encantadoras. Talento indiscutível. Sou muito fã! parabéns e sucesso!

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