Garota, interrompida

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Susanna Kaysen, a autora, aos 18 anos foi internada em um hospital psiquiátrico e por lá permaneceu por 2 longos anos. Passou por todas as etapas para alcançar uma sanidade controlada por ela e seus pensamentos. Rotina rígida, 24h sob vigilância, medicação forte, visitas ao psiquiatra e terapeuta. Assim surge o desejo de ser escritora… assim surgiu “Garota, interrompida”.

 O livro relata a visão de uma vivência brutal e limítrofe. Uma narrativa profunda repleta de experiências vividas. Lendo e analisando cada momento é um livro assustador. Uma realidade despida dos tratamentos aplicados na década de 60 (eletrochoque, cobertores de gelo, etc.). Susanna foi diagnosticada com transtorno de personalidade, depressão e automutilação, além do agravante que foi a tentativa de suicídio.

 Um livro de leitura rápida e instigante. Momentos de descontração, mas em sua grande parte é um drama vivido pela autora/personagem e seus companheiros de corredor. Algo interessante foram as fichas de diagnósticos postadas, através delas conhecíamos o diagnóstico e o desenvolvimento do paciente.

 Uma narrativa nua onde a autora fala abertamente sobre cada um de seus companheiros e seus tratadores, enfermeiros e médicos, além de falar abertamente sobre temas até então ocultados entre as quatro paredes de um hospital psiquiátrico.

 “As cicatrizes não têm personalidades. Não são como a pele da gente: não mostram a idade ou alguma doença, a palidez ou o bronzeado. Não têm poros, pelos ou rugas. São uma espécie de fronha, que protege e esconde o que houver por baixo. Por isso a criamos. Porque temos algo a esconder.

 O livro “Garota, interrompida” não narra somente a vida de Susanna. Ele narra a vida de outros pacientes que em muitas vezes nos deixava duvidosos da necessidade da internação. Uma denúncia ao que pensamos daqueles que possuem algum distúrbio mental.

 Mas o livro não é só isso… ri muito com os relatos e as conversas entre pacientes. Seus questionamentos e certezas. Muitas das conversas chamam atenção pela lucidez, outras me faziam rir pelas besteiras faladas.

 “Garota, Interrompida” é um livro muito bom. Uma não ficção biográfica. Um livro de leitura fácil e que prende seu leitor a cada página. Uma leitura que nos faz refletir.

 Um livro que eu recomendo!

 

 Resenha de Ceiça Carvalho

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