Fragmentados – Neal Shusterman

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Connor, Risa e Lev, três jovens, cada um deles com uma história diferente de vida. O que eles têm em comum? Ambos são fragmentários. Assim é chamado todas as pessoas que são entregues à fragmentação, um processo sustentado pelo estado que permite que todos os pais que não desejam mais seus filhos os entreguem para o procedimento de retirada de órgãos, tecidos, músculos, sangue…enfim, o jovem é “fragmentado”. Uma vez assinada a ordem de fragmentação é irreversível e essa é a situação em que se encontram os três personagens acima. A opção? Fugir, esconder-se, sobreviver até completar 18 anos, quando o procedimento não será mais permitido.

“- Porque os fragmentários não estão mortos de verdade. Ainda estão vivos… mais ou menos. Quero dizer, eles têm que usar cada parte de nós em algum lugar, né? Essa é a lei. ”

O enredo é bastante original e acaba levantando muitas questões éticas que valem a pena ser pensadas. Narrada sob o ponto de vista de cada personagem, além de capítulos narrados por personagens secundários. Essa estratégia de escrita criou um ritmo intenso de leitura. Logo estamos completamente envolvidos com os protagonistas e seguindo um ritmo frenético de leitura.

O universo criado pelo autor é tão palpável que se torna crível, isso porque ao abordar questões atuais, ao trazer para o universo da ficção alguns embates éticos da medicina moderna o autor provoca a reflexão e mexe profundamente com o leitor, tornando o mundo construído por Neal Shusterman cruel, insano, aterrorizante e brutalmente reconhecível.

Os personagens são bem elaborados e é perceptível um amadurecimento gradual de cada um deles ao longo da trama, é impossível não se envolver com suas histórias, compreender suas razões, sentir seus medos, angústias, revoltas e desespero. Ao longo da trama muitos personagens são inseridos e ganham espaço importante no desenrolar do enredo. Alguns deles despertam em nós sentimentos dúbios, ora compaixão, ora raiva. Porém, muitas foram as emoções experimentadas por mim durante a leitura, a mais frequente foi a indignação.

O autor conseguiu amarrar todas as pontas e a história se encerra fechadinha, sem deixar perguntas pairando. Estou muito ansiosa pelo segundo livro desta série de quatro volumes. Recomendo muitíssimo e garanto que será uma leitura em ritmo acelerado que terminará deixando uma ressaca literária daquelas.

Resenha de Andreza Amarante, resenhista do Arca Literária e do blog Letras com Cafeína

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