FERNANDO PESSOA – O MAIOR POETA DA LíNGUA PORTUGUESA, SUA OBRA E SUA INTRIGANTE PERSONALIDADE

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Fernando Pessoa é considerado o maior poeta da língua portuguesa. Ele nasceu em Lisboa, Portugal em 13 de junho de 1888. Ainda  muito criança se mudou com a mãe e o padrasto para a África do Sul, onde viveu por muitos anos e aprendeu a falar inglês praticamente como um nativo da língua inglesa. Por dominar tão bem o inglês e o português, além de poeta foi também  tradutor.

Traduziu de Edgar Allan Poe o famoso poema “The Raven”, “O Corvo”. Ele também dirigiu a revista “Orpheu”, e foi responsável por lançar o movimento Modernista em Portugal. Uma das caracteríscas desse movimento é a liberdade criadora que dá vasão à subjetividade, visão que não mais explica o mundo através da lógica. Em vida teve apenas 4 livros publicados sendo que três deles em inglês, o único em português foi “Mensagem”, considerado sua obra-prima. Fernando Pessoa gostava de ler Byron, Tennyson e Edgar Allan Poe entre outros escritores ingleses. A leitura desses clássicos reforçou seu gosto pela poesia.

Em 1905 Fernando Pessoa voltou para Portugal e se matriculou no curso de Letras da Universidade de Lisboa que não chegou a concluir. Para se manter ele abriu uma tipografia mas a pequena empresa não foi bem sucedida, então passou a traduzir cartas comerciais para empresas estrangeiras e foi desse trabalho que ele viveu até o final da vida. O grande poeta, apesar da sua importância dentro da literatura Portuguesa e mundial, teve uma vida modesta e obscura, semelhante ao que já aconteceu com outros gênios da arte e da literatura, seu talento e sua contribuição para a cultura só foram devidamente reconhecidos muito tempo depois de sua morte.

Fernando Pessoa foi um poeta absolutamente genial e singular dentro da literatura. Não bastasse ser quem foi, com todo seu talento, ele ainda criou os chamados “heterônimos”, que são verdadeiros desdobramentos de sua personalidade, “pessoas” com nome e sobrenome, biografias próprias e distintas, com características e estilos diferentes uns dos outros. O  “heterônimo” é muito diferente do “pseudônimo” . Este último se refere apenas ao uso de um outro nome, pelo escritor, ao assinar um texto quando ele não quer que seu verdadeiro nome seja associado à determinado trabalho. Já o heterônimo é um verdadeiro “desdobramento “do “eu” do autor, ele se multiplica, se desdobra em várias pessoas, podendo assim manifestar todas as facetas do seu trabalho. A criação de heterônimos é uma característica marcante da obra de Fernando Pessoa, característica que intriga os estudiosos e que dá ao poeta um ar de mistério. Sua personalidade é tão interessante quanto a sua grandiosa obra. Alguém já disse que “Fernando Pessoa não é um mas são vários homens”. Todos parte de uma mesma pessoa, mas tão bem construídos, que chegam a confundir os menos avisados. Seus heterônomos mais famosos são: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Alberto Caeiro é o poeta com pouca instrução, que escreve poesias simples, diretas e concretas. Sua poesia tem uma simplicidade apenas aparente, na verdade por trás dela há questões filosóficas muito complexas que discutem a visão de mundo e a dificuldade que o ser humano tem de compreender o verdadeiro significado de tudo que o cerca.

Ricardo Reis é o autor que tem sua obra influenciada pelos clássicos gregos e latinos, com a constante preocupação de aproveitar o momento presente porque a vida é algo que passa muito rápido caminhando rumo ao fim, à morte.

Álvaro de Campos é o “alter ego” de Fernando Pessoa, ou seja, seu “outro eu”, sua outra identidade, aquela pessoa que o poeta usa para mostrar sua face escondida, ele fala através do outro, diz o que normalmente sendo ele próprio não teria coragem de dizer, um outro  exemplo de alter ego de um escritor, acontece na obra de Monteiro Lobato onde a boneca Emília é o alter ego de Lobato.

O poeta teve uma vida breve, faleceu com 47 anos. Como normalmente acontece aos escritores e artistas que vivem e enxergam muito além do seu tempo. Sua trajetória na Terra foi rápida como um cometa, mas trouxe muita beleza para quem conhece sua obra. Sua vida foi breve mas seu trabalho de escritor e de poeta marcou e influenciou a cultura mundial.

Fernando Pessoa é um escritor e poeta de múltiplos talentos. Uma personalidade irrequieta e criativa que instiga o leitor já nas primeiras páginas de seus livros. Semelhante a uma Esfinge que precisa ser decifrada, ele permanece uma incógnita, seus heterônomos são tão fortes e verdadeiros que confundem a nossa compreensão sobre a figura de Fernando Pessoa. Há muito que se estudar sobre esse grande poeta, muito que se descobrir. Mas a parte melhor que cabe ao leitor é poder desfrutar de seus versos e aprender a se apaixonar pela sua poesia.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista, estão todos convidados a conhecer minha página de trabalho no facebook : Tradutora Ivana Lopes

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Fontes de pesquisa:

www.educacao.uol.com.br/biografias
www.brasilescola.uol.com.br
www.ebiografias.com
www.educacao.globo.com

Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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