Nando Moul

0
571
  1. Fale-nos um pouco de você.

Nasci no ano de 1985, ano do último governo militar, anos em que as pessoas voltavam a sonhar com um futuro melhor para o país. Pelo que vemos estamos sonhando até hoje. Sou fascinado em escrever, criar histórias mirabolantes e personagens complexos, dar emoções a eles, sofrer com eles. Tenho uma linda filha nascida em 2008 que está seguindo meus passos nesse caminho nada fácil.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou técnico de Informática formado, mas também sou músico. Já dei aulas de cantos, violão e teoria musical. Faço composições e arranjos também, vez ou outra, quando me pedem. Mas tenho composições próprias também.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Acredito que é você criar um mundo diferente daquele que estamos acostumados. Mesmo, por exemplo, colocando fatos parecidos com que vivemos. No entanto o mais bacana disso é dar rumos diferentes, rumos que talvez gostaríamos que acontecesse em nossas vidas, amores não correspondidos, doenças irreversíveis… tudo desencadeando de maneira diferente. A gente pode manipular o mundo que criamos.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Escrevo especialmente em casa, na minha escrivaninha, no meu notebook. Mas já escrevi, em cadernos inteiros, celular, papel higiênico no shopping, tudo para não esquecer o desenrolar da história. A Guerra de Herbert Leman, especificamente, escrevi até numa parede, certa vez, para não esquecer um trecho. IMG-20150904-WA0009

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Meu gênero é prosa, mas especificamente romance policial/drama. Tentei passear pela comédia, mas sempre acaba em drama. Se você pegar uns dos meus livros, vai perceber que misturo os gêneros, pode-se encontrar de tudo um pouco, mas prevalece o drama.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Olha, encontro inspiração no dia-a-dia, em personagens reais do nosso mundo, em fatos que acontecessem com as pessoas. Bom, todo o escritor é assim, mas acho que meu diferencial é expor minha opinião, minha crítica sobre cada fato relatado. Todas as história são fictícias, mas algumas opiniões de determinados personagens são opiniões minhas, são digamos, protestos.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Todo tipo possível. Logicamente que a internet está aí pra mergulharmos nos assuntos, sempre tomando cuidado com informações duvidosas. Mas já entrevistei delegados, juízes, garis, moradores de rua, enfim, professores, jornalistas. Um detalhe: ainda sou daqueles que vai à biblioteca consultar um livro, acho que essa é uma essência do escritor. Não importa toda a informação trazida até você através de toda essa parafernália tecnológica, que com certeza nos ajuda muito, mas acredito que trás mais autenticidade, mais vida às histórias.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sim. Sidney Sheldon. Mas antes disso já gostava de desenvolver minhas historinhas. Lia muitos livros desde que comecei a ler. Série vaga-lume, devorava tudo. Mas quando comecei a ler Sidney, fiquei fascinado em como ele abrange os assuntos, em como ele coloca as palavras, desenvolve as frases, sabe, fiquei intrigado e prometi a mim mesmo que era daquilo que eu queria viver. Já li muitos autores incríveis e continuo lendo, mas a maneira irônica em como Sidney desenvolvia suas histórias é fascinante e nenhum autor se aproximou dele, ele não dificultava. Era claro, irônico e surpreendente. Foi muito criticado pela sua forma de escrever, por que não cativava os intelectuais da literatura, mas sim o povão, as pessoas que queria “ler um filme” no metrô, ônibus, no horário de almoço. Outros autores você consegue para facilmente em qualquer parte do livro, Sidney Sheldon é impossível.anuncio do livro 02

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Tive muita dificuldade em publicar meu primeiro livro, batalhei muito, sofri demais. Fui, inclusive trapaceado por um editora fundo de quintal, que não se importava com nada a respeito do conteúdo, só queria grana, grana e grana. Acredito que não tenham lido dois capítulos do meu livro. Quando chegaram os primeiros exemplares fiquei extasiado, fui pra rua de bicicleta, tentar patrocínio para conseguir mais, saía batendo de porta em porta para vende-los, debaixo de chuva, sol quente ou frio intenso. Mas não me importava queria realizar o sonho de ser lido, ter meu trabalho apreciado. Quase desisti de tudo, pois eu pagava os exemplares e os vendia pelo mesmo preço que os pegava, para apenas divulga-los. E eram depósitos atrás de depósitos. Tive que fazer tudo, capa, miolo, diagramação, revisão… hoje poderia abrir uma gráfica, pois aprendi a fazer tudo isso. E eles não se importavam com a história, sabe? Nem sabiam sobre o que eu escrevia, só queriam lucrar. Gastei muito dinheiro comprando meus próprios livros. Foi uma decepção. Fiquei muito mal na época e entrei em depressão, pensamentos suicidas passaram pela minha cabeça, acabei me separando e isso piorou minha situação. Mas não conseguia ficar sem escrever por que isso estava (e está) cravado na minha alma, eu sou isso e pronto.  Dei a volta por cima e tenho, além desse ( A Guerra de Herbert Leman) Mais quatro originais, na editora esperando alguns trâmites para saírem. Ainda estou buscando um bom lugar ao sol, recebi algumas propostas de roteiros de algumas produtoras e sendo assim acredito que todo meu sacrifício não fora em vão. Esse ano coisas boas acontecerão.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Olha, pra ser bem sincero, nunca teve cenário bom na nossa literatura, principalmente se referindo aos incentivos que os governantes nos proporcionam, que é beirando o nada. Temos bons escritores, alguns ganhando espaço com gêneros que fazem sucesso lá fora, como  a literatura fantástica, mas o escritor tem que ralar muito, é um caminho tortuoso. A internet deu um grande impulso para esses “guerreiros”. Você escreve e apresenta seu trabalho nas dezenas de redes sociais, alguns mais famosos estão despontando daí, como a Luisa Geisler, Raphael Montes, Tatiana Salem entre outros. Mas há muita gente talentosa que está oculta. E o Brasil é um país rico, tratando-se de talentos literários desde os tempos mais remotos, mas não se valoriza. Está aí outro protesto. Os incentivos culturais que vemos sendo divulgados e explorados com ênfase está muito mais ligados à música, filmes e dança. Até o teatro está sendo, de certa forma, esnobado. Imagine você a literatura? Não se vê falar, divulgar explicitamente programas de incentivo, laboratórios… difícil. Acho que os grandes eventos que realmente divulgam é as bienais, que acho ainda muito tímidas as divulgações.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que tem dois lados. Muitas editoras despreparadas querendo ganhar dinheiro e incentivando escritores inocentes e igualmente despreparados, onde  a maioria publicará no máximo um livro e vai esquecer a febre repentina, mas por outro lado, você está exercendo uma cultura que de certa forma está sendo esquecida, ao menos mansamente. Isso é bom, mas acontece que publicar é outra história, outro patamar. Todo mundo quer publicar um livro, quer escrever sua história, mas não tem fôlego para continuar, para seguir a carreira. Você pode publicar um livro independente, mas seu barquinho vai ter que ter estruturas de aço o suficiente forte para enfrentar as ondas e as tempestades que lhe acolheram a medida que navega. Como já disse acima: Não é fácil, mesmo! Por isso a maioria vai parar antes de começar. E é uma pena, é lamentável, por que existem muitas pessoas de muito talento sem qualquer incentivo. Eu mesmo continuei, tendo uma família humilde e batalhadora, por amor, por que amo o que faço independente do sucesso do dinheiro ou fama.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Mais um detalhe da falta de incentivo, Talvez é um dos pontos fundamentais que deixam de alimentar esse setor cultural. A maioria da população brasileira é pobre, pessoas que ralam todos os dias do amanhecer ao pôr-do-sol para trazer o básico para suas famílias. Muitas vezes não sobram sequer alguns reais para um básico lazer no final de semana, muito menos para se comprar um livro. E com os livros caros então nem se fala. Menos leitores, menos escritores motivados. E então se desencadeia na dificuldade que eu disse sobre o incentivo no país.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Olha, tem muitos, mesmo! O Caçador de Pipas é fantástico,  a Sombra do Vento é fenomenal. Agora, se eu começar a falar dos mais antigos como Sidney Sheldon ficaremos até amanhã. Mas vou destacar apenas um deles. “Se Houver Amanha”.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Há dezenas.

Sailing – London Symphony Orchestra

Réquien – Mozart

Crazy (Gnarls Barkley Cover) – Ray Lamontagne

Entre outras.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Olha, li muitos livros emocionantes, mas não cheguei a essa conclusão ainda. Não se se seria necessário, talvez se eu fosse só leitor, não sei. Há alguns que admirei tanto o autor que fiquei abismado com sua criatividade.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim. Publicar os demais originais e os que estou desenvolvendo também, além dos roteiros e das músicas.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Olha procuro filtrar mas falando bem ou mal a gente tem que tirar algo de útil daquilo sempre.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Só um? Posso citar alguns. Gostaria que Sidney Sheldon lesse um dos meus livros, mas sei que isso não será possível. Mas gostaria que Jô Soares, Steve Spielberg, Will Smith, Martin Scorcese, Francis Ford Coppola me lessem.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ver as pessoas apreciando seu trabalho. Poder saber que seu livro está chegando onde gostaria e receber os comentários das pessoas sobre seu trabalho. Isso é fantástico!

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Bom, para os leitores aconselho a não deixarem de ler. Leiam tudo que puder e quiser e lhe agradar, não tirem conclusões precipitadas de determinada obra sem conhecê-la e procurem a literatura brasileira que é muito rica, temos nossa maneira de escrever, mas que pode cativar muito. Quanto as escritores, não desistam dos seus sonhos, vão até o fim, como eu disse, fortaleçam seus barcos e não hesitem, coloquem para navegar com toda força, inteligência e paciência de um bom guerreiro. Nenhum esforço é em vão, acreditem! Nada que fizerem será esquecido ou inútil, tudo voltará para você, então não desistam! O caminho é árduo, mas nada que é muito fácil é bom pra gente, nada mesmo.

Seja divulgado por nossa equipe!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here