Fernanda Miranda – Nanda Scarllat

1
330
  1. Fale-nos um pouco de você.

“Sou a antítese do paradoxo com períodos de instabilidade e premissas de incerteza…”

Não costumo realizar muito bem (nada bem, na verdade) a tarefa de falar de mim mesma… Então tentarei fazê-lo da forma que conseguir… Bom, sou basicamente vez ou outra notada  por certa dose de excentricidade, mas aprecio isto em mim e nos outros… Afinal, dizem que “a excentricidade é mãe da melhor criatividade”…

Costumo também possuir uma visão peculiar sobre assuntos corriqueiros…Mas importante mesmo é dizer que  possuo um amor incondicional (às vezes impertinente, porém gratificante) por certos livros, músicas, filmes e séries qu costumam não ter importância para quase ninguém, certas bandas do rock alternativo e também pela ficção e pelo conhecimento em geral… Faço da minha insônia um espaço produtivo, sempre escrevendo e lendo sobre minhas maiores paixões, conflitos e ficções… Escrevo sempre de forma diletante.

Profissionalmente cursei Filosofia e atualmente curso Psicologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Busco me firmar, pesquisar e me aperfeiçoar a cada ano e talvez cursar mestrado… Contudo uma parte significativa de mim almeja trabalhar junto ao livros! Quer seja   arrumando-os, editando-os ou organizando-os nas partilheiras de uma biblioteca… Acho que estaria profissionalmente feliz de verdade em quaisquer destas possibilidades…

Costumo sempre dizer que sou a antítese do paradoxo com premissas de instabilidade e períodos de incerteza quando me descrevo, já há alguns anos… É um jogo de palavras feito por mim, mas ainda não encontrei até hoje uma forma melhor de me descrever… Acho que a característica mais relevante que posso dizer sobre minha personalidade é que não sei viver de máscara! Estas máscaras sociais que costumam ser algo tão natural para a esmagadora maioria das pessoas…

Tal qual sorrir quando por dentro se quer fechar o semblante, ou rir quando se quer chorar… Dizer palavras socialmente aceitas num discurso falso mesmo quando não se tem vontade ou se pensa o contrário… Entre  outros exemplos…Estas coisas tendem a me confundir… E creio jazer em tudo isto a essência paradoxal que carrego comigo…

Possuo interesse em mitologias e histórias em geral – bem contadas, ou simplesmente contadas com alma… Possuo às vezes uma visão idealizada das coisas, mas não considero isto um crime!

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou Universitária e estagiária atualmente, e oraculista nas horas vagas há alguns anos. Mas creio não utilizar muito nenhuma destas ocupações para escrever. Escrevo desde o mais ou menos 1999, embora sem publicar e sempre o fiz muito baseada em meus próprios sonhos e pesadelos, realmente acho que minhas melhores ideias vêm deles. Sempre fui uma pessoas imaginativa, e com tendência a usar as vezes alguns conflitos e ansesios para trabalha-Los através da escrita ainda que de forma indireta, os quais aparecem sempre de maneira muito simbólica nos textos, com raras exceções. Costumo criar algumas cenas baseadas em filmes favoritos de diretores como Wes Craven e John Carpenter também, que me inspiram desde bem nova embora não seja algo  proposital… As narrativas procuro aperfeiçoar a cada ano baseada nos autores e autoras que leio, os quais ainda mencionarei ao longo desta…

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Exatamente poder criar personagens e situações para trabalhar sentimentos, ideias e questões através de metáforas e simbolismos… Criar mundos onde possuo voz e o controle das situações, rumo e desfecho delas. Criar possibilidades, realmente “viajar” na escrita como costumo fazer também com os mundos criados por outros autores na leitura… Me pergunto se algum dia minhas histórias também encontrarão seus “viajantes” na leitura páginas à fora? Ao menos as que eu for publicar…

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Pior é que fica meio difícil fotografar meu “cantinho especial”, pois se ele existe é mais mental que concreto… Escrevo em meu quarto, nos intervalos da faculdade, em ônibus usando celular ou tablet nos engarrafamentos – enquanto muita gente pensa que estou em redes sociais estou com “o .doc” aberto (rsrs)… Lá na adolescência escrevia nos fichários e cadernos de escola, usava blocos de notas no intervalo do trabalho, sala de espera de hospital, já escrevi até em filas… Aonde aparecer uma ideia pedindo para ser escrita, eu escrevo… Não importa o lugar. E costuma me ajudar a me tranquilizar se for um lugar desagradável.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Tenho passeado por vários gêneros, mas possuo notória preferência por sobrenatural, fantasia  e surrealismo…Quando por ocasião escrevo sobre realidade a visão desta expressa na escrita tende a ser sempre bem crítica e aterradora. Gosto também de poesia, embora as minhas fujam bastante do tradicional “água com açúcar” que se costuma a associar à este gênero… Pois os faço quase sempre como desabafo ou coisa semelhante… Ou voltadas à faceta sombria do romantismo. Escrever terror e policial também me agrada. Gosto por exemplo de mesclar gêneros que talvez não se encontrem com frequência – o meu conto que estará na antologia “Meu Lado Serial Killer” é um bom exemplo, mesclando policial com pitadas de poesia… Possuo histórias não publicadas que talvez seriam difíceis serem encaixadas em um único gênero, tal qual poesias sensíveis e apocalípticas ao mesmo tempo…

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

    Publicações possuo por hora contos: “O Caso das Rosas de Sangue”, selecionado para a antologia “Meu Lado Serial Killer”, da editora Rico, é parte de uma história que fiz em 2001, onde minha personagem Raiessa se torna uma assassina serial após viver uma lamentável experiência em seu passado. “Cupendipe e a Índia-lua”, em breve na antologia“Vozes da Terra”, da editora Publiquei, é ambientado na mescla de duas lendas indígenas com as quais adorei trabalhar : Cupendipe e Vitória Régia, foi realmente um trabalho que julgo me representar de várias maneiras, e principalmente à uma faceta mais séria da nossa própria mitologia que costuma ser esquecida ou vítima da infantilização… Me orgulho muito também do “Reflexões Estritas” que estará na “Indestrutível“, antologia LGBT+ da editora Sinna, e conta os relatos e reflexões de uma garota assexual – o que significa ser parte da parcela da população que não se interessa em ter relações sexuais ou relacionamentos amorosos o que,  numa sociedade normativa como a nossa, incomoda quem não compreende. O conto fala  sobre seus desafios e resistências cotidianas pelo simples direito de ser feliz sendo quem ela é.

    Tive a alegria também de fazer parte de uma antologia de poesias contemporâneas de temática sombria chamada “Soturnos“, da Círculo Soturnos, descrita como uma publicação para aqueles que possuam verdadeiro amor à arte e à literatura e com propostas bem fora dos padrões convencionais. Incluí nesta última três poesias sombrias inéditas, apesar de duas terem sido escritas e arquivadas há alguns anos.  Alguns de meus  contos e poemas ainda não usados em livros estão em plataformas como Wattpad (https://www.wattpad.com/NandaScarllett) e Sweek… Mas publicar seriamente o tenho feito por hora apenas nas antologias mais recentemente… Os que pretendo finalizar nos próximos meses incluem alguns de terror, ficção fantástica, e um de fantasia steampunk (este último tem me sido bem desafiador)…

    Quanto à inspiração para nomes de personagens, pode parecer estranho talvez o que direi, mas as personagens principais das minhas tramas costumam já me chegar à mente com os nomes… Já  aconteceu até de eu tentar mudar tais nomes durante a escrita e não conseguir que a história em questão continuasse fluindo enquanto não restitui os nomes originais… Os títulos quase sempre uso algo que representa a história simbolicamente ou algum trecho de música… Sobre as tramas em si, como citei acima, possuo histórias que seriam difíceis de enquadrar em um só gênero…]

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Bom, acho que posso dizer que tenho um universo imaginado próprio na mente desde que me entendo por gente, até mesmas personagens que “atuam” em várias histórias diferentes,  tal como ter um “elenco fixo” sempre à espera de “novos papéis”… Mas certamente às vezes precisamos pesquisar para descrever melhor as coisas e criar uma narrativa coesa. Minhas pesquisas tendem a ser em sua maioria sobre lendas, mitos, cultura ou idiomas de outros países ou civilizações antigas, objetos cotidianos e vestuário de séculos atrás, e às vezes alguns dados históricos apenas para localizar algum aspecto de uma história ou vida de personagens. Gosto muito de fazer referências indiretas quando uso como universo o nosso mesmo mundo real, ainda que este obviamente tenda a aparecer com facetas subjetivas ou fantasiosas, e sejam raríssimas referências explícitas a fatos reais, mas não impossíveis. Há locações que fotógrafo ou registro mentalmente na vida cotidiana também, quando às vezes passo por algum lugar que me inspira para uma cena ou para ser “residência” de personagens dentro de uma trama que esteja em desenvolvimento naquele momento…

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
    [Se o faço costuma não ser proposital, mas certamente um autor que me inspirou MUITO desde a infância com um texto muito bem bolado num livro chamado “PPP – Ponte Para o Passado” (devidamente “roubado” da biblioteca da escola por ter mudado minha vida), e posteriormente com sua maravilhosa utilização da mitologia vampírica mesclada à fatos históricos, é o Ivan Jaf. A própria postura dele, que me parece “ser mais autor do que homem de negócios” é algo com que também confesso me identificar até hoje…  Na mesma época Edson Gabriel Garcia e o seus contos em “Sete Gritos de Terror” também tiveram um papel importante ao lado dos personagens de André Vianco, e as narrativas maravilhosas  de Philip Pullman (que me ajudou a amadurecer minha escrita). Certamente Giulia Moon foi quem me ensinou a fazer CONTOS…Os dela são impressionantes de verdade! E mais tardiamente me inspiro muito na visão de processo criativo da Ana Maria Gonçalves (a quem tive o prazer de conhecer, de conversar, e já escrevi sobre), e também as tramas de Catherine Fisher… Contudo a cada livro que me marca, em meu cotidiano esta lista vai crescendo, e as adições mais recentes foram o surrealismo realista, muito bem elaborado, e deliciosamente sombrio da J.R. Ward, a escrita descontraída e gostosa de Chiara Ciodarot, e o modo incrível de construir a estrutura de uma trama surreal dentro de uma realidade cotidiana da  Daniella  Rosa…  Provavelmente devo estar esquecendo mais alguém, mas creio ser suficiente…rs]
  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Se me permitirem, minha franqueza me impele a dizer que esta pergunta é bem capciosa…rs E DIFÍCIL! A resposta é SIM, mas isto causou sequelas emocionais e profissionais tão fortes e graves em meu passado, que prefiro nao entrar em detalhes…O assunto é incômodo, possuo algumas feridas abertas deste passado, mas agora prefiro que fiquem lá, NO PASSADO! Para poder me concentrar em oportunidades presentes…

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional

Talvez mais como leitora do que como autora tenho aproveitado bastante os eventos que estão pipocando com mais frequência do que certamente como era há décadas atrás… A internet também tem exercido um papel importante neste novo cenário, porém ainda podemos galgar degraus mais elevados… Pois nem de longe ainda podemos nos comparar com a literatura estrangeira ou como o próprio meio literário se faz no exterior… Edson Gabriel Garcia, que citei numa resposta anterior, dizia na década de 90 que “o escritor no Brasil é um profissional desvalorizado e mal pago”, e convenhamos que aí hoje, com exceção dos best-sellers (e talvez nem eles sejam poupados), ISTO AINDA É UM FATO! Converso sempre com autoras que publicam há mais tempo que eu e as vejo com frequência dizerem que estão exercendo outras profissões juntamente à escrita por ainda não ser possível viver dos livros… Sei lá… No mínimo ao meu ver nosso mercado literário sempre foi meio estranho, apesar de ser inegável um crescimento atual do mesmo, e embora haja mais oportunidades, ainda é bem complicado…

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Se esta pergunta se refere ao “boom” das antologias, é um momento auspicioso, mas que eu creio quem seja isto: um momento! Tendo a ser bem realista fora de minhas leituras e escritas, ou seja, nas minhas opiniões sobre a vida real, e digo que de fato devemos aproveitar este momento pois ele pode durar ou não… De fato não sabemos! Tudo parece muito promissor e é bom aproveitar o agora… Mas uma coisa eu sei, e falo empiricamente : é preciso tomar cuidado com editoras inescrupulosas, que pretendem apenas  seguir a “moda” sem terem comprometimento algum nem com seus autores e nem com as causas defendidas em suas antologias. E podem ainda tratar de má fé ou com descaso seus autores nos bastidores fingindo publicamente adora-Los, ou ainda denegrir a imagem de autores iniciantes sem sequer lhes informar o que está acontecendo até que já seja tarde demais. Creio ser fundamental uma relação de mútua e real consideração editora-autor, pois somente assim conseguiremos tornar este “boom” algo realmente bom e duradouro para a literatura nacional…

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Bom, há casos e casos, ao menos é o que observo na prática. Mas de fato os valores do próprio processo editorial e a fatia demasiado gorda das livrarias, crei serem a principal causa dos valores elevados…Tanto que diversas editoras já nem trabalham com livrarias, nem repassam para elas o que produzem… Piora com o fato de que a maioria dos leitores infelizmente não se interessa por livros que não possuam nomes já conhecidos, e tantas histórias acabam nunca chegando às estantes deles por não serem escritas por dedos famosos. Ou se chegam é mediante à dupla função dos escritores que acabam tendo de se tornar empresários de vendas e obter fama a qualquer custo… Até os autores renomados não teriam tanto trabalho em se manterem na fama se não fossem tão dependentes dela… Um processo ruim para TODO MUNDO no final! Falo baseada no que vejo os mais experientes falarem… Principalmente os que têm experiência em mercado de anos sem ter infelizmente conquistado status na carreira… Por mais tola que eu ainda seja para opinar sobre isto (e sobre muitas coisas na verdade), sei que é uma questão realmente difícil e complicada…

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Perguntinha difícil! E meio perigosa… Será que consigo responder com sinceridade sem me comprometer? rsrs Pois o primeiro nome que me vem à cabeça é OS SETE… Por mais fria que pareça a resposta! rs

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Na verdade utilizo MUITO trilhas sonoras em praticamente tudo que escrevo e leio (inclusive agora enquanto respondo)… Se eu for fazer uma lista aqui as bandas serão muitas, pois é difícil para mim escrever ou ler sem música… Embora eu tente variar entre mais lenta ou vibrante de acordo com o ritmo da história, tenho um ouvido bem acostumado à música alternativa, e a maioria de décadas passadas… Melhor então apenas citar algumas mais usadas: Sisters of Mercy, Rain Fell Within, Arte no Escuro, e outras músicas na mesma cadência ou mais atmosféricas.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Bom, já foi mencionado na pergunta de número 13, mas novamente me vem à mente “Os Sete” (André Vianco), que seria certamente a trama com os capítulos que mais li na vida, devo confessar! Mas não posso deixar de mencionar “O Oráculo” (Catherine Fisher) e “A Bússola de Ouro” (Philip Pullman)… O último me ajudou na época a evoluir muito a minha narrativa e voltar a escrever com frequência, os três ajudaram na minha escrita na verdade… Mas os dois primeiros se tornaram algo como “aquele livro que a gente consulta os trechos favoritos quando está triste ou tendo um dia ruim”, e meu vínculo foi tanto que tenho duas tatuagens com símbolos que, para quem também leu, fica claro que remetem à tais histórias… Poderia citar aqui também todo o universo de Harry Potter, mas infelizmente J.K. não é mais a mesma agora, e acho que já citei muita coisa…

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Projetos para publicar por hora tenho me centrado em poesias e contos… Como citei anteriormente possuo sempre novas histórias na cabeça e nos meus cadernos, celular e emails… Embora algumas faça mais por prazer e até mesmo como forma de terapia mesmo… Tal qual uma saga sobrenatural que escrevo intercaladamente iniciada desde 2004 (apesar de te-la parado por alguns anos e retomado ano passado)… Mas não sei se tenho pretensão de terminar e publicar em breve, até porque o tema que ela aborda talvez esteja meio fora de moda – inclui vampirismo, romance, aventura e um pouco de ocultismo… Há também uma outra menor iniciada em 2013 que é mais voltada para fantasias míticas, com pitadas de Grécia Antiga, segredos e misticismo (influência de Catherine Fisher talvez), mas ainda inacabada… Na mesma época tinha também um projeto com anjos e demônios baseado em um mangá que eu amava, mas era algo com romance e terror, sem muito foco nas batalhas épicas que abordam as histórias com anjos mais conhecidas na literatura nacional…

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Bom, eu no momento SOU blogueira… Colaboro com um site onde inclusive fiz no mês da mulher um especial voltado à autoras nacionais (https://nomeumundo.com/2018/03/20/abrace-uma-autora-nacional-marih-macar/)… E as continuo apoiando sempre que posso, tanto neste site quanto em meu blogue pessoal (https://essenciadiletante.wordpress.com )… Acho que com o advento da internet, não que a vida de escritor ou escritora tenha ficado tão fácil, mas com certeza o papel dos blogues se tornou fundamental! E tento na medida do meu possível fazer minha parte e colaborar, ao menos um pouquinho, com tudo isto…

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Bom, um apenas é sempre difícil escolher, talvez Ana Maria Gonçalves… Mas meu estilo não a agradaria, então escolheria pessoas como Chiara Ciodarot, Daniella Rosa, Alice Maulaz, Ana Monteiro, Mione Lefay, Marcia Medeiros ou Kel Costa… E eu teria ainda curiosidade em saber o que Ivan Jaf e Giulia Moon achariam de um texto meu… Acrescentaria mais algum nome…? rs

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Vai parecer meio besteira romântica a minha resposta a isto, mas é o que penso e não quero inventar outra coisa para dizer… Ao menos para mim seria poder ser lida décadas depois de já ter deixado este mundo e com isto ter deixado nele o registro de minha existência. Ao menos era o que mais me importava quando pensei nesta loucura de querer ser escritora…rs Mas por hora, imagino que já seria uma alegria muito grande ver uma história minha levar alegria à alguém (como as vezes já acontece) e se tornar significativa como as de outros autores se tornaram para mim! O triste é quando sinto que há autores que pouco se importam com os sentimentos dos leitores e fãs, inclusive às vezes até os ironizam… Espero de coração nunca ser assim! Um deles inclusive já vi mais de uma vez menosprezar autores iniciantes em eventos, chamando desdenhosamente de amadores quem não se torna um best-seller ou não se foca em ser um… É triste! Baseada nisso complemento dizendo que a alegria REAL para mim como escritora seria ver que HÁ ESPAÇO para TODAS as diferentes visões de literatura  – quer seja pela técnica, marketing e produtividade, quer seja pela arte, amor às histórias e à inspiração – e que uma delas não tentasse se colocar como verdade única e absoluta para eliminar a outra… Ainda que isto seja utopia…

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Bom, não consegui perder ainda meus idealismos apesar da passagem dos anos… Sou do tipo que NUNCA me coloco como “consumidora” quando estou falando de livros, e sim LEITORA! Eu não me envergonho de dizer que não consumo livros, eu crio laços com as histórias… Sejam as minhas ou as dos outros… Pois este foi (e ainda está sendo) meu caminho… Escolha o TEU CAMINHO, e tente ser e fazer aquilo que te dê liberdade de olhar os seus próprios olhos no espelho sem receio, independentemente de que tentem te julgar… Faço minhas então as palavras de Rúbeo Hagrid em Harry Potter e o cálice de fogo: eu sou o que sou e não me envergonho disso. Nunca se envergonhe, meu velho pai costumava dizer, tem gente que vai usar isso contra você, mas não vale a pena se preocupar com eles. E ele tinha razão.

Apenas tomem MUITO cuidado porque os bastidores do meio literário (como aliás, tudo onde se envolvem seres humanos) é um meio bem mais sujo do que parece! Onde infelizmente poucos estão pela literatura, e você deve ser muito desconfiado para não ser apanhado por quem queira se aproveitar de sua arte… Mas não se desespere ou desista! Fique e faça parte exatamente para experienciar e mostrar para quem vier depois que ainda vale à pena preservar na escrita literária o que ela tem de maravilhoso…

Enfim… Mais ou menos isto… Perseverança, sorte e forte abraço!

Gostaria também de agradecer à Arca Literária por me dar direito à voz…

 

Um comentário

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here