Eternidade – Vina Ferreira

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Uma mulher bem sucedida no trabalho, uma viagem para Portugal e uma mudança completa em tudo que se acredita haver na Terra de Camões. Luna, apelido de Lunayane, é uma mulher independente e que por não ter tido êxito em muitas relações sociais, incluindo as amorosas, acabou por adotar o ostracismo. Na verdade, como sempre fora/se sentira diferente das demais pessoas de seu convívio, Luna encontrou refúgio em seu trabalho e no ostracismo, e foi daí que conseguiu entrar na TDC/BP, companhia dirigida por Armando, e assim acaba sendo enviada para Portugal a fim de trazer para o Brasil um grande projeto e buscar a implantação dele no país.

Armando é o cara dos sonhos da maioria das mulheres, gentil, inteligente e cheio de personalidade, também é dedicado as necessidades humanas e… é um vampiro de quase dois metros, delicioso e que deixa Luna ensandecida de desejo (eu te entendo, Luna!).  A história de Armando começa há mais de um século e durante esse tempo ele adquire amigos como Andrew, Gustavo, Jussara, Bob, Angel e Marina. Transformado de  forma vil, em um contexto doloroso, o vampiro de 135 anos precisou aprender a dura pena sua nova realidade, causando traumas que o acompanham até os dias de hoje, e vão interferir diretamente no relacionamento entre ele e Luna.

Eternidade aborda o conceito de vampiro de uma forma tradicional: tem poucos pelos no corpo, regeneram-se, se alimentam de sangue humano para manter-se, embora cacem animais como manutenção das habilidades, da força e controle das energias, mas com uma novidade, a os vamp de Vina podem sair a luz do dia. Não tem dificuldades em manter relações com humanos, embora possam ser plenos no sexo apenas com outros vampiros, já que a relação com humanos precisa ser comedida a fim de não agredir o humano, e os olhos mudam de cor conforme a emoção, preto, vermelho…

O começo da história evolui rapidamente para o namoro entre os dois, e meu pensamento foi “puxa, eles já estão juntos rápido assim? E depois? Tem tantas páginas e eles tão juntos, será que vai haver algum enrolation? ”. Mas não há, cada página é super bem aproveitada,  e embora os parágrafos sejam enormes e o começo pareça apontar um livro cansativo, a leitura flui super bem.

O enredo criado por Vina Ferreira é bem original, e surpreende ao curso da leitura. Você espera uma transformação, espera que ela vá para o mundo dele, espera que ela largue a porra do mundo humano de merda mas… acaba sendo surpreendido com tudo que ocorre, porque simplesmente não é clichê. E aí é que está o valor da história de Vina, a história não segue o que achamos que vai seguir como ocorre nas novelas daquela grande emissora de canal aberto, tá mais para mitologia grega e suas reviravoltas. Ao mesmo tempo, é possível sentir o cotidiano e as relações normais do dia a dia nele.

As dúvidas que ficaram foi a falta de sotaque/construções frasais em português europeu. A explicação é dada para Armando, mas e todo o resto? E Mariana? A mim ficou desconfortável, embora não atrapalhe em nada a leitura. Mas volto a afirmar, são dúvidas que podem ser sanadas pela autora em algum momento ou podem ser complementadas em uma a edição e não são ponto negativo para a obra.

Eu fiquei encantada com a leitura e confesso que não queria terminar. O choro foi inevitável em algumas cenas, principalmente nas despedidas existentes, dá aquele aérto no peito que não se sabe se a dor é sua ou da personagem e, embora eu seja das tais que lê o fim do livro antes ou durante a leitura e ame spoilers, já sabendo então o que iria acontecer no final, não deu para evitar assim mesmo.

Particularmente ficou aquela sensação de “o que vou fazer da vida depois de desvendar essas páginas?”, e não me arrependo da leitura, me arrependo de ter enrolado com as tarefas cotidianas e não ter parado para ler muito antes. De 1 a 5 eu dou 4,75, porque professora tem dessas xD.

Resenha de Joane de Souza, resenhista do Arca Literária

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