ESCREVER BEM

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Escrever bem.

 

Por que é tão difícil fazer uma redação? A resposta para essa pergunta é difícil… E simples ao mesmo tempo.

Primeiro: parece que há um acordo tácito entre professores e alunos, algo como eu finjo que ensino e você finge que estuda. E antes que me venham com pedras e paus para cima de mim, eu explico. Faz algum tempo que as escolas, por conta de estatísticas, para não ficar ruim com o resto do mundo têm que evitar as reprovações, oferecendo mil e uma maneiras para o aluno não ser reprovado.

Segundo: Claro que a questão da falta da educação dos pais aos seus filhos que querem transferir a sua parte para os professores não ajuda. Os professores ficam com uma responsabilidade muito maior do que deveriam. Não tem salário que ajude nisso. Além disso, o salário não ajuda mesmo. Um dos piores do mundo.

Terceiro: Professores não têm incentivos. O ensino é ruim, as condições são ruins e os investimentos são brincadeira.

Mas isso é só a ponta do iceberg. O problema é antigo e parece que ainda não tem solução. Enquanto o Governo trabalhar com números, estatísticas e não atacar o problema só vai aumentar.

Quando eu estudei (tá, faz um tempinho) estudava-se a língua portuguesa e ainda fazíamos ditado que seria corrigido pelo (a) professor (a). Ali aprendíamos a escrever certo. Havia correção de caderno de caligrafia, ou seja, também aprendíamos a escrever bem, sem garranchos.

Estudei onze anos e em todos estes anos de escola estudei Língua Portuguesa, e em alguns anos teve muita ênfase na análise sintática que eu detestava e passei a amar na faculdade de Letras.

Bom, esse é o âmago da questão.

Se hoje os professores não querem, não podem, ou não tem como ensinar, e os alunos continuam passando, o resultado só pode ser o que nós vimos no ENEM.

529 mil (MIL) alunos tiraram zero em redação. E apenas 250 alunos tiraram nota máxima na mesma prova. E isso em um mar de mais de seis milhões de pessoas que fizeram as provas do ENEM.

Nosso país não ensina. Apenas finge que ensina e foca nas estatísticas quando deveram focar verdadeiramente na educação. Na base. Não tenho nada contra investir no ensino superior, mas se não tiver base, quantos conseguirão fazer uma faculdade com qualidade. Estão interligadas, não há como fazer distinção, ou trabalhar com uma e deixar a outra de lado.

Se você tem uma boa base, conseguirá fazer uma faculdade sem problemas, pois conseguirá LER e INTERPRETAR um texto; conseguirá ESCREVER com clareza e ser entendido.

Um texto precisa ter concordância, nominal ou verbal, o sujeito tem que estar amarrado ao predicado. O verbo precisa ser bem conjugado. O plural bem usado.

Não é preciso ser um doutor em letras, mas se prestar atenção, nos 11 (agora doze) anos de vida escolar o estudo da Língua Portuguesa não muda muito, e mesmo assim muitos não conseguem aprender.

Escrever e falar bem a nossa língua deveria ser primordial.

Mas o resultado do ENEM mostra que estamos bem longe disso. É para se pensar.

Antonio Henrique Fernandes

Colunista

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