Escrava Isaura – Bernardo Guimarães

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Antes de começar vou dar uma breve introdução sobre a personagem:

     Isaura é uma escrava branca filha de Miguel – um português – que se encantou por uma escrava negra, esta que seu dono, comendador Almeida, tinha afeição e interesses promíscuos, os quais a escrava se negava aos desejos se seu senhor e logo sofrera as consequências após engravidar de Isaura e tê-la. Miguel acaba por perder tudo, e a escrava mãe acaba por morrer.

     Isaura termina sendo “adotada” pela esposa do comendador Almeida, a qual nunca tivera uma filha e por ser infeliz no casamento toma Isaura para si como uma salvação para sua vida; algo para ter apreço; uma luz para ela desfrutar de amor e carinho.

Agora iniciando:

     No início o leitor se depara com uma Isaura que se vitimiza e que mesmo assim aceita sua condição sem reclamar, isso fica bem claro nos primeiros parágrafos, como por exemplo, quando sua Sinhá (Malvina) ressalta sobre ela ser muito bonita e merecer liberdade para viver e amar, e Isaura responde:

Deixe disso, senhora, eu não penso em amores e muito menos em liberdade, às vezes, fico triste à toa, sem motivo nenhum...”

     Ela é uma escrava branca, descrita como belíssima, educadíssima e a contraponto infeliz e triste. E nesse contexto Malvina decide por libertar Isaura para que viva sua vida e desfrute de amor, algo que será decidido após a chegada de Leôncio.

     A narrativa se concentra no período do reinado de D. Pedro II, logo nos primeiros anos.

     Antes que Isaura pudesse ser libertada a mãe de Leôncio acaba por falecer deixando-a nas mãos de cruéis senhores.

     Leôncio é o nome do filho da família que toma Isaura como escrava, filho do rico comendador Almeida, dono da fazenda onde se passa a história. É apaixonado por Isaura, embora esteja casado com Malvina o que é por total interesse social.

     Existe um clímax logo no início, na visita de Henrique (irmão de Malvina) a casa da irmã a convite de seu cunhado Leôncio e lá ele se encanta pela escrava de pele clara que logo de cara o trata mal como forma de se defender, e ao mesmo tempo o leitor se depara com a declaração que o autor dar sobre o amor que Leôncio guarda pela Isaura e logo sendo escancaro para Henrique que o ameaça.

     O interessante de Leôncio – no meu ponto de vista – é que embora seja o vilão da história, e vilões sempre forçam as coisas para que tudo fique ao seu favor através de maneiras erradas, ele usa argumentos reais e coerentes para conseguir o que quer. Cheio de artifícios verdadeiros, que ele manuseia para não libertar Isaura, deixando a razão ao seu lado.

     Já diferente de Rosa (escrava) que distorce a verdade para derrubar Isaura e acabar sendo mal vista por sua Sinhá.

     Bernardo Guimarães mostra como era a vida de uma escrava, porém não é muito focado no sofrimento real da escravidão, mas sim mais na perseguição de Leôncio para com Isaura. E outra coisa é que ficou uma interrogação na minha cabeça: Ao definir Isaura como escrava branca ele quis mostrar que ninguém é diferente de ninguém, que a maior prisão está em nossas cabeças? Ou foi um ato inconsciente do preconceito contra alguém de pele negra? Ou ele só quis ser original mostrando que a escravidão atingiria pessoas em qualquer etnia? Bom, morrerei com essa dúvida.

     Num segundo momento da trama, Isaura foge com seu pai após tal não conseguir comprar sua alforria e ambos mudam de nome e de estado, e nesta segunda parte o leitor também se depara com a seguinte situação: o ponto de vista de vida de uma escrava na vida rural versus o de uma escrava na vida urbana.

     Mesmo que escondida, é notável a maneira como ela se porta diante da sociedade urbana: com medo, dificuldade em se adaptar-se.

      E é nessa segunda parte em que ela conhece o amor de sua vida: Álvaro. Homem que luta para conquistá-la e que mesmo após a descoberta dela ser escrava, luta por esse amor. E mesmo com essa reviravolta, Isaura não deixa de se vitimizar, é uma personagem totalmente submissa a sua realidade e que parece não ter força de vontade de lutar para mudar seu destino, embora tenha fugido, porém, no fundo nunca deixou de se sentir uma escrava, marcada para sempre.

     A obra contém uma linguagem de época, o que é necessário (para quem não conhece os termos) ter de pesquisar o que significa específicas palavras. É narrado em terceira pessoas dando a oportunidade de ver as facetas de todos os personagens principais.

     A estruturação dos personagens dão um ar de peculiaridade a cada um deles, onde o leitor se depara com características distintas e marcantes.

     E por se tratar de um clássico ele é rico em cultura e história.

     Não deixem de conferir.

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