ERICO VERISSIMO E SUA OBRA – UM RETRATO DO NOSSO POVO

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Erico Verissimo antes de se tornar reconhecido como grande escritor, foi tradutor, deu aulas de literatura e inglês, foi bancário, trabalhou numa seguradora e ainda jovem chegou a ser proprietário de uma farmácia.

O escritor nasceu no Rio Grande do Sul na cidade de Cruz Alta em 1905. Desde criança lia muito. Com apenas 13 anos, além dos autores nacionais, lia também Walter Scott, Tolstoi, Émile Zola, Dostoievski e Eça de Queirós. Estudante de um colégio interno, se destacava nas aulas de literatura, inglês e francês.

Em 1922, com a separação dos pais, arranjou emprego como balconista no armazém de seu tio para ajudar a família. Apesar das dificuldades continuava lendo muito nas horas vagas. Foi neste período que Verissimo escreveu seus primeiros textos, enquanto paralelamente  traduzia  do francês e do inglês trechos de obras de escritores estrangeiros. Nessa mesma época largou o trabalho no armazém para trabalhar no Banco Nacional do Comércio.

Com 18 anos Erico Verissimo lia Oswald e Mário de Andrade e além deles, Nietzsche e Ibsen. Era sem dúvida um leitor com gosto e interesse muito diferenciados para alguém da sua idade.

Erico e a família se mudaram para Porto Alegre e devido a problemas de saúde ele perdeu o emprego de bancário, a família voltou para Cruz Alta e lá ele se tornou sócio de uma farmácia com um amigo. Passou também a dar aulas de literatura e inglês. Sem nunca ter deixado o hábito da leitura e cada vez mais interessado pela literatura mundial ele lia Oscar Wilde, Bernard Shaw, Anatole France e muitos outros.

Em 1929 foi publicado pela primeira vez um conto seu: “Chico: um conto de Natal”. No mesmo ano em Porto Alegre foram publicados mais três contos do escritor. Ao enviar um conto para o jornal “Correio do Povo” ele foi publicado sem nem mesmo ter sido lido, tal era já o seu prestígio no meio literário da região.

Em 1930, com o propósito de viver exclusivamente de seu trabalho como escritor, Erico Verissimo se mudou para Porto Alegre, onde conheceu, entre outros nomes da literatura local, o escritor Mario Quintana e se tornou redator na Revista do Globo. Se casou no ano seguinte e teve pela primeira vez uma tradução sua publicada: “O sineiro” de Edgar Wallace.

Durante o governo de Getúlio Vargas o escritor Erico Verissimo chegou a ser acusado de comunista sendo obrigado a depor. Mesmo em meio a esses incidentes ele publicou nessa época vários romances que ganharam prêmios importantes. Numa viagem ao Rio de Janeiro conheceu Carlos Drummond de Andrade e José Lins do Rego.

Em 1936 foi publicado seu primeiro livro infantil: “As aventuras do avião vermelho” e o escritor lançou na Rádio Farroupilha, um programa de auditório para crianças chamado “Clube dos três porquinhos” . Neste mesmo ano nasceu seu primeiro filho Luís Fernando Verissimo, que se tornou escritor como o pai.

A partir de 1937, durante o “Estado Novo”, o governo impôs a Verissimo que todas as histórias criadas por ele para seu programa de Rádio teriam que passar pela aprovação da censura antes de irem ao ar. Não se submetendo a isso, numa atitude de protesto, ele encerrou o programa.

Em 1938 Erico Verissimo lançou o livro “Olhai os lírios do Campo” que foi um de seus maiores sucessos, esse livro foi adaptado para o cinema e muitos anos mais tarde para a TV, se tornando uma novela exibida pela Rede Globo. Trabalhando para a Editora Globo, o escritor foi um dos responsáveis pela criação de séries que fizeram muito sucesso como a “Nobel” e “Biblioteca dos Séculos”  com traduções de livros de Virginia Wolf, Balzac e Proust entre outros. Mas a censura no país continuava atuante e para escapar dela o escritor publicou dois de seus livros numa editora “secreta”, onde eram publicados livros que sabidamente desagradariam o governo. Para proteger a família da ditadura de Vargas ele se mudou com eles para os Estados Unidos e passou a dar aulas de Literatura e História do Brasil na Universidade da Califórnia onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa.

Erico Verissimo escreveu uma trilogia chamada de “O tempo e o vento” que foi muito elogiada pela crítica e que levou 15 anos para ser concluída. Essa trilogia foi adaptada, muitos anos mais tarde, para a TV, como minissérie e exibida pela Globo. O autor teve outro trabalho seu, o livro: Incidente em Antares, transformado em minissérie pela mesma emissora e estrelado pela atriz Fernanda Montenegro.

O escritor faleceu em 1975 com 70 anos vitimado por um infarto fulminante.

Erico Veríssimo foi um homem culto, e um escritor diferenciado, que desde muito cedo leu muito, tanto os grandes autores nacionais quanto os internacionais e essa “cultura literária” influenciou diretamente a sua obra, que foi traduzida em mais de 10 idiomas. Ele foi reconhecido e admirado inclusive dentro do próprio meio literário. Entre seus leitores estão grandes nomes, como Jorge Amado, que se confessou um grande admirador de seus livros. Nas palavras do próprio Jorge Amado, “…tenho reencontrado minha gente, o bom e o ruim, a alegria e a tristeza, a opressão e a luta pela liberdade, o Brasil inteiro, cerne da obra de Erico Verissimo, pelo mundo…” (trecho extraído de Contador de Histórias, Erico Verissimo pelo mundo afora, Jorge Amado p.34).

Erico Veríssimo é um dos maiores escritores do século XX e um dos poucos escritores brasileiros que conseguiu, após ter conquistado o reconhecimento, viver exclusivamente de seus livros. Apesar de ter escrito um grande épico gaúcho “O tempo e o vento”, sua obra não é regionalista, mas legitimamente brasileira. Pertencente à corrente Modernista, seus livros retratam a realidade urbana, muitos de seus personagens são pessoas que deixaram o interior para viver na cidade grande. Há sempre, em todo o seu trabalho, uma evidente crítica à sociedade. Em seus romances e contos o escritor mostra ao mundo a cara do Brasil, com as gritantes diferenças e injustiças sociais. O conjunto da obra de Erico Veríssimo permanece atualíssima, porque a razão de suas críticas, os problemas sociais em nosso país, continuam existindo e muitos com o passar dos anos foram até agravados. A beleza de seu trabalho está em que, através de seu olhar de escritor, podemos aprender muito sobre o Brasil, sobre nossa história, nossas origens. Um olhar que não para no macro cosmos da trama, mas vai ao fundo da alma de cada personagem, revelando as fraquezas de caráter de cada um, seus conflitos íntimos, os pequenos grandes atos de heroísmo anônimos do cidadão comum. Seus livros nos prendem e cativam por que conseguimos, enquanto leitores, nos ver e nos identificar com a humanidade dos personagens e de suas histórias.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista

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Fontes de Pesquisa:

www.releituras.com (Projeto releituras Arnaldo Nogueira Jr.)

www.ebiografia.com

www.educacao.uol.com.br

www.redes.modernas.com.br

www.estudopratico.com.br/biografia-de-erico-verissimo

miltonribeiro.sul21.com.br

Foto de livre domínio público

 

 

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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