Entrevista com Leonardo Nóbrega

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1. Leonardo para nós é um grande prazer entrevista-lo. Conte-nos quem é Leonardo Nóbrega?

Eu agradeço pelo convite, é sempre bom conversar com pessoas que gostam, se interessam e apoiam a literatura, em especial a nacional. Bem, quanto a quem sou eu essa é uma questão sempre difícil de responder, então vamos ao básico. Nasci no ano de 1960, em uma casa no centro de Fortaleza, capital do estado do Ceará numa família de seis irmãos onde eu era o quinto. Na nossa casa todos eram absolutamente apaixonados por livros e pela diferença de idade entre nós havia pela casa livros de todos os gêneros, de Júlio Verne a Nietzsche, de José de Alencar a Sidney Sheldon. Graduei-me em Geografia e cursei Psicologia e Psicanálise. Sou professor (Há 28 anos) por vocação e escritor por teimosia rsrsrsrs. Sou casado com Dulce Nóbrega com quem namoro desde os meus dezesseis anos, com uma breve interrupção para conhecer o mundo e retorno para casar, e temos três filhos. Gosto muito de ler, escrever, montanha, camarões, dirigir na estrada, viajar (mas não gosto de aviões). Ah! Sou grão-mestre da Confraria Magistri Paputitis, uma sociedade nada secreta que reúne professores em longas conversas filosóficas, ou fofocas triviais rsrsrs.

2. Qual seu estilo literário?

O meu primeiro romance publicado foi o Outros Tempos, ele pode ser classificado como um romance histórico/policial, já o segundo que será lançado em dezembro próximo (Crimes do Tarô) é um policial/social, porém os dois (e o que está em produção paralela) têm em comum o mistério, todos têm códigos e suspense. Acho que ainda não tenho exatamente claro um estilo, mas o policial/histórico é bem saboroso para mim.

3. Qual seu público alvo?

Quando comecei a escrever confesso que não pensei nisso, na verdade eu nem sabia que dali sairia um romance, apenas queria contar uma história. Fiquei surpreso com a aceitação do livro por pessoas tão díspares. Meus alunos do ensino médio aprovaram, os universitários amigos dos meus filhos também, pessoas mais velhas que conhecem Fortaleza de antigamente adoraram, os blogueiros que são em sua maioria jovens gostaram. Porém, o Crimes do Tarô se destina a um público acima de dezesseis anos, que goste de suspense policial e tenha alguma crítica social.

4. Quais seus autores e estilo favoritos?

José Saramago, Albert Cossery, Aravind Adiga, Machado de Assis, J. R. R. Tolkien e, óbvio, Agatha Christie.

5. O que te motivou a escrever o livro “Outros tempos”? Quando sentiu que estava pronto para publicar seu primeiro livro? Alguém o incentivou, como foi esta iniciativa?

O Outros Tempos surgiu da afirmação que muitas pessoas fazem de que seria melhor ter vivido em outra época, que nasceram no momento errado e que deveriam ter sua vida em outros tempos. Mas também pelo meu próprio desejo de experimentar um passado que nunca vivi, tentar na ficção obter impressões do que não foi possível na realidade. Afinal um pouco de esCrizofrenia não faz mal rsrsrsrs. Quanto a estar pronto, tem uma frase atribuída a Nietzsche que eu gosto muito e que, acho, responde magistralmente essa pergunta. Ele diz que fica grávido de um livro. É mais ou menos isso, acho que chegamos a sentir fisicamente quando é chagada a hora, como uma mãe sente quando vai parir nós sentimos quando chega o momento do livro. No meu caso, como foi uma auto publicação, mesmo quando achei que estava pronto ainda adiei um pouco por causa dos gastos, mas, aí entra o incentivo, minha esposa/mulher/companheira/amante me convenceu de que eu não poderia mais privar o mundo de tão importante obra rsrs. É preciso deixar claro que para mim esse livro é realmente o mais importante já publicado.

6. Fale-nos um pouco sobre os livros “Outros tempos”

O livro conta a história de um jovem jornalista que vive na agitada cidade de Fortaleza do ano de 2013, mas que um dia, sem saber por que, acorda em uma casa estranha no ano de 1942 em plena II Guerra. Então tendo a cidade dos anos 1940 como cenário e referência de costumes, tecnologias e relações sociais. Depois de receber um pacote de uma linda francesa, com códigos e objetos misteriosos, ele vai se envolver, nos esforços de uma resistência brasileira ao nazismo. Com o tempo Ulisses vai acreditar que vive realmente em duas épocas distintas ao mesmo tempo, mas não sabe como controlar essas idas e vindas. Ele conta com a ajuda de um colega e de uma namorada para descobrir o que acontece realmente, mas nem neles confia totalmente. Ele viaja por um labirinto angustiante de segredos, códigos, traições e mortes, mas também de poesia, festas e romance com um final surpreendente.

7. Leonardo o que mais lhe inspira a escrever?

Observar as pessoas. Desde muito cedo, ainda adolescente, eu tenho essa mania de olhar para as pessoas na rua, nos ônibus, nas filas e imaginar a vida delas. Acho um exercício de imaginação bem legal.

8. Fale-nos sobre o atual momento literário do Brasil. quais as principais dificuldades que você encontra, hoje, para publicação de livros?

O Brasil tem dois mitos que estão sendo destruídos. Primeiro o de que os brasileiros não gostam de ler, isso não é verdade, ao contrário, nunca se leu tanto nesse país, e de tudo; e segundo que os bons escritores brasileiros são os que já morreram, que não se produz mais boa literatura aqui nessas paragens. Tem uma turma enorme de jovens autores (e nem tão jovens, como eu rsrs) escrevendo livros da melhor qualidade literária e do próprio produto livro e, felizmente muitos estão conseguindo publicar, embora não seja tão fácil. Arriscando-me a esquecer de algum autor peço licença para citar alguns que considero brilhantes revelações dos últimos anos: Mateus Lins (O Reino de Mira), Kelly Cortez (O Farol do Porto da Paz), Ana Cristina Aguiar (Os Tronos da Luz) e não poderia faltar a ousada Lilian Farias (Mulheres que não sabem chorar). Acredito que as maiores dificuldades para a publicação de livros no Brasil não são muito diferentes das do resto do mundo: poucas editoras para muitos originais, os custos de edição e impressão altos, o interesse por autores consagrados, a necessidade óbvia dos lucros. Mas é preciso que se diga que, assim como na área musical, está cada vez mais fácil o próprio autor bancar a publicação do seu livro, mas vender não. Aproximadamente 90% das vendas do Outros Tempos foram feitas por mim mesmo e por conhecidos e com a ajuda da divulgação dos blogs.

9. Quais são seus projetos literários? Teremos novidades para 2014? Quais?

Teremos sim. O romance Crimes do Tarô está em fase de finalização e acredito que terá seu lançamento durante a Bienal do Livro do Ceará, no início de dezembro. O romance Crimes do Tarô tem como pano de fundo uma cidade litorânea fictícia, onde uma bela mulher comete diversos crimes deixando em cada cena uma carta de tarô, que é encontrada, interpretada e colecionada pelo detetive Tomás. É um romance policial que passeia pelos mistérios do Tarô, visita comunidades ciganas, investiga sociedades secretas, resgata alguns costumes da década de 1935. Toda a trama é costurada com ação, romance, mistério e suspense. Roubos, mortes e paixão levarão o leitor a um desfecho surpreendente e totalmente inesperado.

10. Quais os maiores problemas encontrados pelo autor na publicação de seu livro?

Olha, no meu caso não sofri muito porque banquei a publicação, mas escuto muitas reclamações de colegas quanto a aceitação pelas editoras que mesmo quando aprovados não têm garantida a publicação. Algumas usam estratégias como garantir a publicação em um prazo mínimo de seis meses não estabelecendo prazos máximos, por exemplo, o que confunde o autor iniciante. Mas é preciso muita auto crítica por parte dos autores também, ter o discernimento se a sua escrita é realmente boa e merece o investimento de uma editora ou não. É difícil para o próprio autor avaliar isso, mas ele pode pedir a outra pessoa, que não seja um fã é claro rsrs, para dar uma lida e fazer uma crítica honesta e equilibrada que o escritor deve receber sem tentar se explicar imediatamente, é preciso um tempo para digerir a crítica e reconhecer o que realmente precisa de ajustes ou, às vezes, até de recomeços. Eu sofri bastante por não ter esse leitor beta, mas, dizem que eu já sou muito crítico comigo mesmo rsrsrs

11. Dê uma dica para os jovens escritores nacionais que querem ter seus livros publicados.

Três dicas: 1) não atire para todos os lados. Pesquise as editoras que trabalham com o tipo de literatura que você produz e envie os originais apenas para elas e sempre seguindo as orientações que têm nos sites das editoras. 2) Pese as vantagens e desvantagens entre ser de uma editora ou ser auto publicado e 3) Seja profissional. Não importa se você publicou por uma editora ou não, seja profissional. Cuide da sua imagem e da do seu livro inclusive nas redes sociais, você não será um superstar instantâneo, mas terá lá os seus leitores e eles estarão de olho em você irão lhe admirar, odiar pelo que você fez com determinado personagem, se espelhar em você, querer ser você. Os leitores, poucos ou muitos, são a razão de ser de uma obra literária depois que o livro é impresso ele não lhe pertence mais, pertence aos leitores.

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