Entrevista com o vampiro: A história de Cláudia – Anne Rice

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Qual o tamanho da sua solidão?

Estranho quando paramos para pensar sobre isso, não é? Por que assim como quase tudo na vida, a solidão também é de mensura individual, nunca será igual, de mesma intensidade…

O que você faria para pôr um fim a sua solidão?

Alguns seriam egoístas ao ponto de carregar outros para dentro do mesmo ciclo vicioso, outros sofreriam eternamente e se maldiriam por esse calvário, ainda aqueles que se deleitariam com as possibilidades que somente a solidão pode nos trazer.

São exatamente essas questões que circundam Entrevista com o vampiro em: A história de Cláudia; as constantes linhas tênues entre o egoísmo, amor e a piedade andam de mãos dadas em toda a trama envolvente escrita de maneira hipnotizante por Anne Rice e adaptada de forma delicada e encantadora por Ashley Marie Witter, a delicadeza dos traços em seus desenhos entra em total harmonia com a história e o caráter de cada personagem, dançando em uma consonância que nos transporta para dentro da história de modo silencioso e simplesmente nós pegamos embriagados na impetuosidade de Lestat com sua fome por viver o Dom da escuridão e não reclama-lo, em contraponto com a melancolia e martírio de Louis que por um momento o faz cometer um ato o qual jamais poderá ser reparado, chocando-se com a personalidade forte e marcante de Cláudia, que sem delongas exige seu quinhão neste mundo de sombras.

 O laço de amor entre os três nos faz questionar até que ponto amamos alguém de forma saudável para sua existência, até onde posso amar alguém sem afetar seu livre arbítrio e ainda sim me entrelaçar em sua vida?

 A autora sabe como ninguém seduzir com sua escrita, tornando a leitura mentalmente palpável, a partir do momento que suas emoções se confundem com as das próprias personagens, e a adaptação feita de modo mais jovial através de desenhos que remetem aos inesquecíveis mangás, desde a suavidade dos traços em sua capa com letras em leve relevo, suas folhas lisas e delicadas ao toque, traz remotas lembranças de livros de terror para adolescentes, mas sem nunca perder a verdadeira essência do terror sobrenatural que existem nas Crônicas Vampirescas de Anne.

Ame, odeie, comova-se, questione sobre si mesmo, com mais este instigante conto.

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Um comentário

  1. Ler você, é ter a certeza de que, o que nos é intrínseco, permanece em nós, Imutável!!!
    É feito a Alma Imortal que habita a pedra bruta, e lá permanece, mesmo após a lapidação!!!
    Nada e nem ninguém é capaz de tocá-la.
    Apenas limpar a Moldura para que Ela possa Brilhar Esplendorosa!!!
    Lendo você, faz um tempo, descobri “… quem herdará Minhas Jóias”?

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