Entrevista com Leonardo Barros

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1. Para nós é um grande prazer entrevistá-lo. Conte-nos quem é Leonardo Barros?

Um médico anestesiologista que decidiu se entregar ao chamado da literatura. Um romancista apaixonado pelo trabalho, que não consegue passar uma semana sem escrever (nem mesmo quando termina uma nova obra). Um autor que ama ler e ouvir os comentários dos leitores sobre seus livros e que não poderia estar mais feliz com o resultado do seu trabalho.

 2. Qual seu estilo literário?

Meu estilo é a narrativa de suspense, o thriller. Mais que um gênero, o suspense é uma “forma” de escrever em que o autor prioriza o mistério e flerta com a curiosidade do leitor. Um dos comentários que mais escuto dos meus leitores é que “o livro o manteve preso” ou que “leu em dois dias”. É justamente isso que persigo, porque eu mesmo não consigo manter o interesse em um livro de ficção que não instigue minha curiosidade. Acho que isso é vital na cultura de entretenimento.

O texto imagético e dramático (que valoriza os diálogos e sentimentos dos personagens) também compõe meu estilo narrativo.

 3. Qual seu público alvo?

Para se manter no mercado, o escritor tem de conhecer seu público alvo, mas, às vezes, você atinge um leitor diferente do planejado. Escrevi meus primeiros livros pensando em leitores adultos, de ambos os sexos, mas devido ao grande número de parcerias literárias, percebi um viés de faixa etária e de sexo, já que os leitores de blogs tendem a ser mais jovens e predominantemente do sexo feminino. Meu próximo livro foca num público um pouco mais jovem, não por causa dessa mudança de resposta no público leitor, mas pela própria natureza da história, em que a tônica de fantasia é mais presente até que o suspense. Quem curte aventura, fantasia, jogos de ação e histórias de vampiros vai amar o livro, mas quem já é meu leitor vai encontrar muito suspense e um toque de sensualidade, que são comuns a todos os meus livros.

 4. Quais seus autores e estilo favoritos?

Acho que o autor escreve o que gostaria de ler. Sou bem eclético, mas as leituras que mais me agradam são as de suspense e fantasia. Stephen King, Neil Gaiman e George R. R. Martin são meus estrangeiros preferidos. No Brasil, Eduardo Spohr, Giulia Moon, Kizzy Ysatis e Max Mallmann são autores que me impressionam pela qualidade do texto e pela criatividade. Vejo neles muito do que escrevo.

 5. O que te motivou a escrever os livros Presságio – O Assassinato da Freira Nua e O Maníaco do Circo – E o menino que tinha medo de palhaços? Quando sentiu que estava pronto para publicar seu primeiro livro? Alguém o incentivou, como foi esta iniciativa?

O Maníaco é um livro de 2009. É meu primeiro romance policial e foi a segunda história que concebi. É visceral, intuitivo e intimista, tanto para o leitor, quanto para mim mesmo, que “surtei” ao escrevê-lo, numa espécie de transe literário que durou três meses. Apesar dessas características que o tornam único, foi meu primeiro livro escrito depois que li manuais de construção narrativa e estruturação de romance. Acho que essa mistura entre intuição e técnica fez do livro um ícone, um marco. Produzido independentemente, em pequena tiragem de 500 exemplares, o livro esgotou bem rápido, mas não o reimprimi, porque estava trabalhando em outro título. Depois que o publiquei na Amazon, tive a agradável surpresa em ver que, em dois anos, atingi um público dez vezes maior que com a publicação impressa. O mote da história surgiu de uma conversa com amigos, em que revelei meu medo de palhaços. Alguém brincou ao sugerir que eu era um serial killer de palhaços. Essa foi a semente. O resto é trabalho.

O Presságio é outro divisor de águas em minha carreira. Foi minha primeira obra editada e distribuída por uma grande editora, e foi com ela que conheci os blogs literários, que me projetaram de uma forma assombrosa. Sua história nasceu de uma conversa íntima, com a namorada, em que, sei lá por que motivo, a ideia de uma protagonista que tem visões durante o orgasmo me veio à cabeça. Nossa, falei demais (risos)!

 6. Leonardo, o que mais o inspira a escrever?

Personagens, eu acho. Acredito que meus personagens são reais e gosto de dedicar algum tempo para criá-los, antes mesmo de começar a escrever. Eu os desenho, com suas expressões, roupas e trejeitos. Há algo de sinestésico nessa relação, e alguns deles soam, em minha mente, com timbres de vozes bem distintos. Já usei avatares de pessoas, amigos ou desafetos, mas hoje gozo de uma experiência que me permite usar um processo mais criativo e menos associativo. Outra grande inspiração é saber que posso ser lido por milhares de pessoas, que minhas histórias já são parte de um inconsciente coletivo em que meus personagens vivem, revivem, morrem e renascem, para de novo morrer.

 7. Fale-nos sobre o atual momento literário do Brasil. Quais as principais dificuldades que você encontra, hoje, para publicação de livros?

Acho que, para mim, o pior já passou. Depois de cinco livros lançados em publicações independentes, e-books lançados na Amazon e um livro com editora, concluí que, mais difícil que publicar é atingir seu público e ser lido. Isso pode acontecer de várias formas, mas acho importante que o autor invista em “todos” os formatos disponíveis, até que tenha maturidade para escolher que caminho deve triar. Livros digitais vendem livros impressos e servem de portfólio para grandes casas editoriais, mas é preciso galgar espaço participando de concursos e submetendo seus escritos às editoras (mesmo demorando meses para ter resposta). Tive um ano difícil, em que decidi submeter um novo original a um número pequeno de editoras, todas grandes e tradicionais, pois percebi que era o passo necessário à minha carreira. Recentemente, comecei a receber respostas e pude escolher. Estou muito feliz!

 8. Quais são seus projetos literários? Teremos novidades para 2015? Quais?

A grande novidade para 2015 é o lançamento do meu novo livro, O Vampiro Imperador – Da destruição de Sodoma ao incêndio de Roma, que será lançado pela editora Novo Século, em seu selo principal. A tiragem inicial será bem maior que a do Presságio (lançado pelo selo de novos autores da mesma editora). Já começamos a editá-lo!

 9. Dê uma dica para os jovens escritores nacionais que querem ter seus livros publicados.

Procure seu público, seja lido antes de pensar em ser publicado ou em ser um escritor famoso. Descubra se tem talento e, se tiver, acredite nele! Escreva em blogs, faça vídeos para o YouTube e siga o canal Sente e Escreva, do autor Leonardo Barros. Seja humilde e medite sobre as críticas. Revise seu texto um milhão de vezes antes de enviar originais à editora e tenha certeza de que e-mails com erros de ortografia são o pior e mais venenoso cartão de visitas do escritor mal sucedido. Aprenda a escolher um bom título e uma boa sinopse, respeite seu leitor, valorize-o e faça parcerias com blogs literários! Esse será apenas o começo! O resto você aprende fazendo!

Obrigado à Ceiça por mais uma oportunidade em divulgar meu trabalho e um forte abraço para todos os leitores do site e da revista Arca Literária!

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