Entrevista com a Escritora Raquel Pagno

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1. Raquel para nós é um grande prazer entrevista-lo. Fale-nos um pouco sobre quem é Raquel Pagno

R: Muito obrigada pela oportunidade de mostrar um pouquinho mais de mim e do meu trabalho.

Sou uma apaixonada por livros. Desde criança, quando aprendi a juntar as primeiras letras, comecei a criar meus próprios livrinhos, recortando os materiais escolares (o que me rendeu algumas broncas, rsrs). Nunca parei de escrever, acabei me tornando uma viciada em leitura e escrita.

2. Qual seu estilo literário?

Escrevo romances, geralmente com algo sobrenatural. Exceto por Seablue, que é o único romance onde não há bruxas, vampiros, demônios, anjos ou seres afins.

3. Qual seu público alvo?

Escrevo para o público jovem e adulto em geral. Também escrevi algumas obras infanto-juvenis e infantis.

4. Quais seus autores e estilo favoritos?

Gosto de romances sobrenaturais, justamente por isso escrevo sobre. Porém costumo ler um pouco de tudo e isso me serve como uma oficina de aprendizado.

Meus autores favoritos são Anne Rice e o meu eterno “muso” é Carlos Ruiz Zafón.

Tratando-se de literatura nacional, gosto muito da escrita do Décio Gomes (na minha opinião, uma das maiores revelações da literatura brasileira atual) e Carla Pachêco, que me conquistou e me arrebatou totalmente com histórias verídicas, apesar de não ser meu estilo favorito de literatura.

5. O que te inspira a escrever? Quando sentiu que estava pronta para publicar? Alguém a incentivou, como foi esta iniciativa?

Bom, eu sempre escrevi e sempre sonhei em ver algo publicado, mas nunca acreditei realmente que isso fosse possível. Eu nunca soube se estava ou não preparada para publicar. Aconteceu meio que por acaso, quando deixei que uma amiga lesse um dos meus originais (Rubi de Sangue/Legado de Sangue), e esta me aconselhou a colocar o texto no site A Mesa do Editor. A partir daí, comecei a receber propostas de editoras do Brasil e de Portugal. Optei por publicar em Portugal, devido aos custos de publicação no Brasil.

Sempre fui incentivada a ler, desde criança, minha mãe comprava livros pra mim, especialmente os clássicos contos de fadas. E eu amava cada um deles, ainda os conservo em meu acervo. Porém, o que eu escrevia, nunca mostrava pra ninguém e até sentia-me um tanto envergonhada em abrir para a família. Talvez por medo, pois as críticas quando vem de quem amamos, costumam machucar. rsrs

6. Fale-nos um pouco sobre “Seablue”, “Herdeiro da Névoa” e “Legado de Sangue”.

Seablue foi meu primeiro romance concluído na idade adulta. Nessa época, já tinha escrito algumas dezenas de livros na adolescência, mas acabei me desfazendo de todos os originais.

Este livro conta a história de dois casais, cujos destinos se cruzam em uma viagem no navio Seablue, um transatlântico dos maiores do mundo. Mas um imprevisto acaba tragicamente com a viagem e faz com que seus destinos se cruzem de uma forma muito intensa e que mudará a vida de todos eles.

Legado de Sangue é um romance de vampiros e bruxas. Criei uma mitologia diferente: vampiros não são seres mortos, mas sim, que passaram por uma metamorfose, como se fosse uma evolução da espécie. E podem se reproduzir, mas não com parceiras humanas, estas são fracas e não podem gerar vampiros. Eles podem se reproduzir com bruxas!

O grande porém de Legado de Sangue, é que Miguel é o último dos vampiros e precisa desesperadamente encontrar uma bruxa, ou a espécie estará extinta para sempre.

Esse livro tem causado opiniões diversas entre os leitores. Alguns amam, outros odeiam. Isso é muito interessante, me fascina.

Herdeiro da Névoa conta a história de Inácio Vaz, um brasileiro que ganha uma bolsa de estudos na Sorbonne e está prestes a realizar seu maior sonho: se tornar advogado. Quando Inácio chega pra fazera audição, depara-se com Chloé, uma ruiva estonteante, de olhos cinzas que lhe tira a concentração. Na hora de escolher seu curso, ele escolhe artes e não direito, para poder ficar perto de Chloé. É uma espécie de paixão platônica a primeira vista, e a partir daí, os documentos de Inácio são trocados e uma série de acontecimentos misteriosos passam a marcar a sua vida.

7. Raquel o que mais lhe inspira a escrever?

A inspiração está em toda parte. Qualquer coisa pode desencadear uma história. Sonhos, pessoas com características interessantes, acontecimentos do quotidiano… Absolutamente tudo é inspiração.

8. Fale-nos sobre o atual momento literário do Brasil. quais as principais dificuldades que você encontra, hoje, para publicação de livros?

Os valores cobrados pelas grandes editoras, que aceitam escritores iniciantes. O mercado literário brasileiro, assim como todas as áreas, é “comandado” por duas coisas: ou dinheiro, para auto patrocínio, ou contatos com as pessoas influentes. Por isso tantos livros e escritores medíocres endeusados e tantos livros e escritores maravilhosos penando na auto publicação ou com editoras pequenas que dão pouca visibilidade. Claro, há exceções, mas são raríssimas.

9. Quais são seus projetos literários? Teremos novidades para 2015? Quais?

Sim, teremos novidades, com toda certeza!

Este ano ainda, teremos o romance Senhores dos Sonhos entra em pré-venda e em 2015, além desse lançamento, o Voo d Fênix será publicado no Brasil, até o meio do ano!

Além disso, as novidades se estenderão a minha coluna “No Meu Mundo…” no blog As Leituras da Mila, e ao Wattpad, onde sempre postarei capítulos de histórias inéditas e contos, todas as sextas-feiras.

10. Quais os maiores problemas encontrados pelo autor na publicação de seu livro?

Ótima pergunta… Se vários autores forem questionados a respeito, certamente as respostas divergirão bastante. Eu volto a afirmar: o “dinheirismo” e o apadrinhamento que cerca o mercado literário brasileiro. Mas isso não é nenhuma novidade, sempre foi assim em todos os âmbitos.

11. Dê uma dica para os jovens escritores nacionais que querem ter seus livros publicados.

Primeiro: sejam livres pra escrever, sem se ater muito a regras e achismos. Com o temo, dominarão todas as técnicas por si só e as colocarão em prática, sem mesmo perceber. É a ordem natural das coisas.

Segundo: estudem muito, muito, muito! Sobre tudo, o escritor precisa ser generalista e não especialista em um único assunto ou tema.

Terceiro: escrevam à exaustão. A prática traz a perfeição, leve o tempo que levar.

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