Emerson Dantas e Pimenta

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Oi pessoal, primeiramente boa tarde. É um grande prazer estar aqui na Arca, um site que eu admiro muito pela atenção aos autores nacionais e pelo profissionalismo. Bem, eu sou o Emerson, tenho 24 anos, sou advogado, e estudante de letras, nascido e criado em Montes Claros, interior de Minas. Sou muito fã de literatura, cinema, seriados, jogos, “nerdices” no geral.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? de onde veio a inspiração para a escrita?

Eu sou advogado, e faço letras-português na estadual da minha cidade.

Bem, acho que minha maior inspiração pra escrever vem das relações interpessoais que eu vivo e observo; claro que tenho que colocar um pouco de fantasia nelas, mas tudo ser resume à ‘pessoas’, em diferentes posições, situações, condições.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Acho a liberdade de criar fantástica. Expurgando no papel pensamentos, ideais, alegrias, sofrimentos até. Além de que, é algo muito pessoal, só meu. Podem existir milhares de escritores no mundo, com ideias muito parecidas com a minha, mas nunca executarão da mesma forma, pois a nossa vida, o que realmente somos, influi muito na forma que moldamos a nossa arte.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Na verdade eu não tenho muita rotina pra escrever, então não tenho um cantinho especifico. Às vezes quando junta tempo e inspiração eu gosto de ir para o escritório da minha mãe, onde é mais fácil de concentrar. Mas quando não dá eu escrevo no meu escritório mesmo, ou no computador que sobrar em casa, até mesmo no celular.

  1. Qual seu gênero literário? já tentou passear em outros gêneros?

Eita, acho que já escrevi de praticamente tudo nessa minha vida. Algumas coisas das quais não me orgulho muito, já outras que me fizeram ser mais maduro. Não sou de me prender muito a uma coisa só não, realmente da forma que a ideia vier, eu a conduzo. Ou melhor, tento.

  1. Fale-nos um pouco sobre o livro “Herói”

Bem, Herói é o meu primeiro romance. Eu o escrevi quando tinha uns 18, 19 anos, estava naquela fase de mudança de rotina. Sai do colégio e entrei na faculdade, e precisava desabafar de alguma forma. E Herói acaba por ser mais ou menos isso, um desabafo fantástico, aonde qualquer pessoa, jovem ou não, vai se encontrar de algum modo.

  1. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?

Sinceramente, eu acho nomes muito difíceis, é quase como dar um nome a um filho (risos), não tem volta. Eu gosto muito da letra ‘E’, por que será, né? (risos), e eu procurei um nome curto, sonoro, e que tivesse um significado coerente com o personagem, e encontrei Eric, que significa aquele que nasceu para governar. Quanto aos demais nomes eu fechava os olhos, imaginava a figura e dava um nome a ela, fazia testes, homenagens. Tanto que tem um personagem que durante toda a escrita do livro teve um nome, e quando terminei, mudei.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

A premissa de Herói meio que nasceu pronta na minha cabeça. Eu não posso falar muito sobre as pesquisar porque iria acabar revelando ‘spoilers’ grandes sobre o desfecho, mas confesso que tem um trabalho considerável por trás de tudo.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Eu sou muito fã do Carlos Ruiz Zafón, acho a forma dele escrever simplesmente fenomenal. E, apesar dos livros dele sempre terem um narrador personagem, eu tentei absorver algo para o meu estilo narrativo.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Na época em que eu escrevi Herói eu realmente tinha muita preocupação em publicar, achava que era o grande desafio de todo escritor, porém hoje eu vejo que não foi tão difícil publicar não, para escritores iniciantes a auto publicação é uma boa saída, isso se você encontrar uma editora confiável, e profissional, claro, mas eu vejo que o difícil mesmo é fazer-se lido.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Como um grande otimista eu procuro ver o lado bom de tudo. E eu acho que esse ‘boom’ literário é bom, no sentido de valorização nacional, de ter para nós voltada a atenção do mercado editorial, de estimular cada vez mais leitores. A mágica que a leitura faz na vida de qualquer pessoa é indescritível, ela melhora desde o seu ponto de vista do mundo, até a sua maneira de falar. E eu acredito que todo mundo não só merece, mas precisa ler mais.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Eu acredito que assim como tudo nesse universo, a literatura também tem sua própria seleção natural. Só irá prevalecer mesmo o que realmente for bom, for considerável. Então é a questão de deixar o tempo ver, ele fica responsável por peneirar isto ai.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Realmente, principalmente no que tange a escritores novatos, que precisam ser lidos, comprados, é um fator que prejudica muito; mas não só como escritor, digo como consumidor, acesso à arte, no geral, no nosso país é algo que há de ser revisto – com urgência.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Acho que eu nunca me deparei com uma ideia que eu gostaria de ter tido antes não, mas eu já pensei muito no tato que alguns autores tem, e eu gostaria de ter. Principalmente em algumas situações de narrador personagem. A aproximação com o leitor, por exemplo, Machado de Assis em Dom Casmurro. Uma obra centenária que é lida e relida milhares de vezes, e nunca perde seu charme, seu encanto.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

Eu sou tão eclético, então seria uma playlist muito mista. Mas acho que Skank, representa muito, pelo menos em Herói.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Alguns, nunca consigo escolher um só. Os do Zafon representam muito pra mim, Machado, Poe; acho cada um deixa um pouco quando se vai. Escolher um só seria injusto ( risos).

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

A continuação de Herói, que está a caminho, e claro, contos, que são minha paixão, e nunca deixo de escrevê-los.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? o que você acha sobre isso?

Acompanho sim, mas tanto como leitor quanto escritor, eu procuro conhecer a proposta do blog, a reputação do blogueiro, pra não me frustrar depois. Sobre o trabalho destes, acho bem valorável. Tanto para os escritores, quanto para o leitor. Pois abre leques, dá visões.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Acho que eu adoraria ouvir a opinião do Zafón, que é um escritor que eu admiro muito.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Com toda a certeza: Ser lido.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Bem, para os leitores primeiro eu daria um conselho, misturado com um apelo, leiam Herói, divirtam-se, certeza que irão gostar. Eu poderia dizer também para continuarem lendo, etc; mas isso é certeza que continuarão, pois eu nunca vi um ex-leitor (risos). Uma vez introduzido ao mundo da literatura, nunca mais será pessoa ‘normal’. Porém, eu pediria para que todos fomentassem, estimulassem a leitura, nos filhos, amigos, pais. Acho que o acesso à arte pode ser a salvação do nosso mundo.

E para aqueles que estejam começando no mundo da escrita não me acho preparado para dar conselhos práticos, mas posso compartilhar algumas experiências: Você nunca será um bom escritor se não for um bom leitor. Esqueça dinheiro. Esqueça fama, prestígio. Richard Castle, só existe mesmo no seriado. Escreva com o coração, deixe que a escrita seja algo natural. O sopro da sua angustia, ou alegria. O desabafo da sua alma. Citando BUKOWSKI:

“ se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.”

Por fim deixo aqui o meu mais sincero e caloroso abraço à equipe da Arca literária, e todos os seus leitores.

Anos e anos de sucesso!

Grande beijo – Ems.

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