Eduardo R. Costa

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Nascido no ano de 1975 na cidade de São Luís do Maranhão, berço de grandes nomes da Literatura Brasileira. Vive atualmente em São Paulo capital, onde iniciou sua carreira literária. Apesar da sua formação em engenharia, uma área exata, expressa através da escrita sua forma quântica de ver o mundo. Onde todos podem enxergar a magia do universo.

1. Fale-nos um pouco de você.

Tenho 39 anos. Nasci em São Luís do Maranhão. Cheguei em São Paulo em 2006, onde moro atualmente.
Sou formado em Engenharia Civil e minha vinda para São Paulo teve um intuito de me aperfeiçoar profissionalmente e também espiritualmente, mesmo que na época eu não tivesse a consciência disso.
Sou o segundo filho de uma família com três irmãos (dois homens e uma mulher). Meus pais sempre foram adeptos à leitura. Isso me ajudou a desenvolver essa cultura.
Sou casado e tenho com minha companheira uma vida alicerçada no amor verdadeiro. Base de todos os relacionamentos duradouros.

2. O que vc fazia/faz além de escrever? de onde veio a inspiração para a escrita?

Quando alguém me pergunta qual a minha profissão a resposta é: SOU ESCRITOR, e nas horas vagas ENGENHEIRO.
A grande questão é que essas “HORAS VAGAS” correspondem à 90% do meu dia de trabalho (risos).
Isso quer dizer que meu subsídio financeiro para minha sobrevivência ainda provém da engenharia.
Sempre gostei de CRIAR. E escrever é também CRIAR. Criar estórias, ou histórias de acordo com o ponto de vista. Criar mundos, personagens, sonhos, emoções, inspiração, enfim…
Creio que a minha inspiração vem do invisível.
Outro dia ouvi a entrevista de uma compositora, que não me recordo agora o nome. Nesta entrevista ela dizia que as músicas estavam no ar. No invisível. Quem estivesse antenado, ou sintonizado como gosto de falar, conseguiria captá-las, como se fôssemos todos rádios ambulantes.
Acredito muito nisso, porque acredito neste mundo invisível, no mundo espiritual do qual todos fazemos parte e, nunca estamos sós.
É claro que nossas experiências também contam. Tudo que vivi, independentemente de ter sido nesta vida (acredito em reencarnação), afeta meu entendimento do mundo e do universo. E portanto me inspira a escrever.

3. Qual a melhor coisa em escrever?

A um tempo atrás escrevi um pequeno texto que falava exatamente nisso. O título é A MAGIA DO IMAGINAR, e nada melhor do que ele para responder a esta pergunta.
A MAGIA DO IMAGINAR
Se um dia me perguntarem: O que acontece quando você escreve um livro?
A minha resposta será simples: O mesmo quando leio um.
Porque quando leio um livro, o que vejo não são letras, palavras ou frases, escritas ou digitalizadas.
Papel? Tinta? Tablet? Leitores digitais? Nada disso vejo.
Tudo some. Nada do que tenho nas mãos é real.
Porque o verdadeiro. O que se torna real quando leio um livro, são as imagens que surgem à minha volta, junto com um turbilhão de emoções e sensações tão imensamente e intensamente concretas que me possibilitam até mesmo tocá-las.
Quando leio um livro as leis da física não mais existem.
Posso voar em pensamento. Conhecer lugares onde nunca estive e quem sabe nem existam no mundo que conhecemos. Isso, sem nem mesmo ser preciso levantar da poltrona da sala.
Ouço o som das patas do corcel batendo fortes contra o chão. E sinto até o vento no meu rosto quanto nele galopo velozmente em busca de um reduto, onde eu possa descansar o meu exaurido corpo de cavaleiro andante, mesmo sem nada ter andado.
Neste livro, este que leio agora, o protagonista da história anda por um caminho de terra, guiado por uma bússola mágica, em busca de respostas.
Escuta o som de algo que parece se rastejar por sobre o tapete de folhas caídas das árvores.
O que será? Alguém ou algo perigoso?
Apreensivo sente seu coração bater como os tambores indígenas. Ou será que é o meu que retumba fortemente esperando o desfecho da história?
A surpresa da indefinição de ser meu ou dele o sentimento, não existe. Porque é assim que acontece quando leio um livro. E é assim que também acontece quando escrevo um.
O mundo deste se torna o meu mundo. Pelo menos, naquele momento.
Esta é a magia que os livros nos proporcionam.
Esta é a magia do imaginar.

4. Você tem um cantinho especial para escrever?

Não tenho um canto definido para escrever. Sempre que posso, independentemente de onde eu esteja, escrevo. Faço isso até mesmo no celular. Escrevi pelo menos de 3 a 5 capítulos da sequência de VEKI digitando no pequenino teclado.
Mas sempre que escrevo gosto de ouvir músicas. Elas também são uma forma de inspiração.
Um dos meus desejos é ter um lugar especial. Onde eu possa estar cercado pela natureza. Em vários sonhos me vi escrevendo em tal lugar. Um dia quem sabe?

5. Qual seu gênero literário? já tentou passear em outros gêneros?

Gosto da ficção porque me dá a liberdade de criar. Não fico preso às ditas, verdades, que nem sempre correspondem à realidade. Digo isso porque muitos livros que outrora eram fantasiosos, hoje nos proporcionam uma visão de uma realidade ampliada da vida e do mundo. Às vezes a fantasia se torna realidade.
Mas, no início, pensei em escrever livros técnicos em engenharia (descartei bem rapidamente essa hipótese… risos).
Além de livros, escrevo músicas. Tenho algumas composições. E sempre que posso reúno amigos em casa para tocar e cantar. Gosto muito de pessoas. Amigos são essenciais para encontrarmos força e harmonia em nossa caminhada.

6. Fale-nos um pouco sobre o livro “VEKI – O Despertar de um Mago”

O livro VEKI – O despertar de um mago é o primeiro de uma série. Talvez uma trilogia, ainda não sei.
A palavra VEKI, significa DESPERTAR na língua ESPERANTO que uso ao longo de todo livro como a língua dos magos.
Este primeiro fala do DESPERTAR de um mago. O despertar de uma pessoa, um garoto que um dia acorda para enxergar realidades que antes não tinha ideia que existiam.
Uma leitora, blogueira, escreveu uma resenha muito interessante do livro, onde dizia, ter se identificado com o personagem. Com as buscas que tinha com relação à sua jornada evolutiva.
Achei muito interessante, porque foi uma das coisas que me fizeram escrever. A possibilidade de mostrar as pessoas coisas nas quais acredito, as vezes utilizando a “fantasia”.
Todos nós precisamos despertar. Despertar para um mundo diferente do qual vivemos. Onde a MAGIA DO AMOR, possa predominar. E para isso precisamos dominar nossos instintos, nossos medos.
O livro VEKI nos mostra o despertar de um garoto, Ricardo. E nos ajuda a pensar em nosso próprio despertar.
Os próximos livros da série mostrarão esse despertar de uma forma mais ampla.

7. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?

Em todos os lugares. Alguns são homenagens a pessoas que conheço. Outros são baseados em palavras em ESPERANTO. Como disse anteriormente, deixo o invisível me inspirar.

8. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Primeiro LEITURA. Leio muito e de tudo um pouco.
Minha opinião, e gosto de deixar isso claro, é que quem não lê, não escreve.
Para o segundo livro da série VEKI fiz uma viagem a uma cidade com o intuito de pesquisa. Acredito que isso é muito válido, não só por conhecer lugares diferentes, mas, e principalmente, por falar com pessoas diferentes. Isso nos ajuda inclusive a criar personagens interessantes.
A internet também é uma excelente fonte de pesquisa. Gosto as vezes de navegar pelos mapas e fotos de satélites para estar em lugares que infelizmente não consigo ir fisicamente.

9. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não existe um autor ou livros específicos. Mas aprendo com todos que leio.

10. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

O livro VEKI – O Despertar de um Mago, foi publicado em uma “editora alternativa”. Isso quer dizer que arquei com todas os custos para sua publicação. Isso porque queria ver o meu primeiro livro publicado.
Recebi na época proposta de parceria do selo NOVOS AUTORES da NOVO TEMPO. Mas, não tinha o valor de investimento necessário para a tiragem mínima exigida.
Não gosto de me queixar de nada, porque tudo que acontece faz parte das nossas escolhas. Mas, não tive apoio comercial e nem de divulgação do livro. Isso me deixou muito triste na época. Agora sei que a editora fez a parte que se propunha a fazer. Eu interpretei errado, por não ter ainda a experiência da publicação.
Nos próximos terei mais paciência. Enviarei os originais para algumas editoras e aguardarei mais tempo.

11. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Nós, Brasileiros, ainda temos muita dificuldade em ler. São poucos os que podem ser considerados leitores, realmente. E a grande vilã dessa história, na minha visão, é a falta de incentivo não só da leitura, mas da verdadeira “Educação” no Brasil.
Algumas pesquisas feitas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), nos falam que isso está mudando. Que o brasileiro está lendo mais. Desejo isso com todo o meu coração.
Isso faz com que seja muito complicado para um autor brasileiro conseguir se auto sustentar apenas do que escreve. Salvo aqueles que já tem uma história, as vezes até publicando fora do país.
Uma outra dificuldade, e esta senti na pele, é a falta de incentivo da leitura de livros nacionais, por parte daqueles que comercializam livros. Exemplo, as grandes livrarias.
A concorrência é um pouco desleal. Os livros em destaque são geralmente de fora. Livros nacionais ficam nas prateleiras mais escondidas.
Se, pelo menos estivessem lado a lado, livros nacionais e outros, haveria a possibilidade de uma escolha mais imparcial dos leitores. Mas, como não sucumbir à capa maravilhosa exibida logo na entrada da livraria, e ir buscar, procurar, investigar, outros livros escondidos em lugares de difícil visão e acesso?
É claro que não existe espaço físico para todos. Afinal, são muitos os títulos lançados diariamente. Mas, acredito que deveria ser feita uma campanha de igualitarismo nesta concorrência tão desleal.

12. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

A facilidade de publicação por meios “alternativos” hoje propicia o surgimento de autores de todos os tipos. Na AMAZON por exemplo, é possível publicar um e-pub sem custos. E sem dúvida a heterogeneidade da “qualidade” dos livros é enorme.
Mas, pensando bem. O que é qualidade? O que faz um livro ser melhor do que outro?
O que faz de um livro um best-seller? Sua qualidade?
Já tentei ler alguns mas acabei parando no meio. Ou até nas primeiras páginas.
O que é bom para mim, pode não ser para outro. Assim como o que é ruim para mim pode despertar em uma outra pessoa até mesmo o desejo de também escrever.
Mesmo que eu não goste de uma leitura, ou da forma de alguém escrever, se esta pessoa vier me perguntar se ela continua ou não, afirmarei a ela que siga seu sonho. Não necessariamente ela “viverá” disso, assim como eu hoje não sobrevivo, e olha que eu me acho um excelente escritor (risos).
O que importa é a vontade. E talvez, os primeiros rascunhos não sejam realmente “legíveis”. Mas, quem disse que este aluno que hoje apenas rabisca, um dia não poderá ser um grande mestre?
É claro que para isso é necessário a busca pelo preparo e aperfeiçoamento contínuo.

13. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Não sei se os livros são “caros” ou nós fazemos comparações errôneas.
O que vale mais em nossos conceitos?
Um livro que pode mudar minha vida. Mostrar caminhos nunca antes imaginados. Me fazer viajar por lugares onde talvez nunca possa estar. E que posso ler dezenas de vezes?
Ou um lanche em um Fast-food, um sorvete e um café com uma futura visita a um cardiologista para amenizar os seus efeitos?
Acredito sim, que poderíamos, através de incentivos do governo por exemplo, propiciar a redução dos valores. Mas, mesmo dessa forma, precisamos mudar nossa forma de comparar as coisas. Priorizando o que é realmente importante.

14. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não sei se existe realmente UM livro. Acredito que todos me despertaram para este mundo onde nada e tudo é perfeito ao mesmo tempo.
Seria injusto intitular apenas um como meu favorito.

15. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

Cada livro, na verdade, cada momento de um livro, tem uma música diferente. E isso para mim é muito claro.
Como disse anteriormente gosto muito de escutar músicas enquanto escrevo. E, dependendo do capítulo e do que quero passar, falando principalmente em “emoção”, ouço um tipo de música diferente.
Em alguns trechos de VEKI – O despertar de um Mago, ouvi músicas CELTAS que me inspiraram as paisagens nórdicas as quais descrevo. Em outros momentos, em que o suspense prevalecia, músicas mais agitadas me faziam entrar no “clima” da escrita.

16. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Todo livro que leio considero o livro de minha vida. Tanto os que vou ler outras vezes, como aqueles que NUNCA MAIS LEREI. (risos).
Não gosto de me prender em nada. Estou sempre aberto ao novo.
Percorrer caminhos novos, mesmo que sejam para chegar no mesmo lugar, é um exercício que aflora nossa criatividade.

17. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou no momento com três projetos. Dois são continuações do primeiro livro VEKI. O segundo livro desta série está quase concluído, e já produzi alguns capítulos do terceiro.
Este segundo livro da série VEKI, mostra a continuação do aprendizado de Ricardo. Que começa a trabalhar melhor os quatro elementos da natureza, conhecendo pequenos seres que atuam no controle dessas forças. E enfrentando um antigo inimigo que o persegue a milênios.
Existe também a abertura da visão da magia por todo o planeta. As forças que trabalham de forma incessante para buscar a destruição do amor, através do medo, entram em conflito com a magia branca.
E o terceiro projeto é totalmente novo, não faz parte da série VEKI. Mas ainda não defini o título e prefiro não comentar por enquanto. O que posso falar é que os capítulos que escrevi me deixaram muito aflito para saber o que vem depois. E olha que sou eu que estou escrevendo, eu acho. (risos)

18. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? o que você acha sobre isso?

Sempre que posso acompanho. Não só leio, mas também comento. Os blogueiros literários são aliados de nós autores nacionais para a divulgação do livro.
As críticas são bem vindas e nos fazem refletir, aprender e aprimorar nossa forma de escrever. É claro que depende de cada um de nós transformá-las em críticas construtivas ou não.
Gostaria apenas de pedir a esses amigos que nos informem quando escreverem algo. Nem sempre isso acontece e o que poderia ser extremamente proveitoso, passa despercebido.
Aproveito para agradecer a você a oportunidade de falar um pouco sobre mim e tudo que penso.

19. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Se pudesse escolher, escolheria não apenas um, mas um grupo. O grupo de leitores que leem com o coração.
Como escrevi para uma blogueira e leitora: “Esses amigos e queridos que leem com o coração, são verdadeiros deuses, pois, transformam as letras em vida, o barro em carne”. Porque vivem a narrativa.
E é para esses leitores que escreverei sempre.

20. Qual a maior alegria para um escritor?

Quando consegue ver de forma sincera um sorriso no rosto daqueles para quem escreve. Um sorriso que representa a alegria de ter a certeza de um trabalho bem feito.
Quando um amigo, e digo isso porque considero todos aqueles que leem meus livros amigos, compreende as entrelinhas. Vivenciando as estórias. Se emocionando. E não tem vergonha nem acanhamento em falar isso.
A maior alegria para um escritor não é ser “conhecido” nas mídias. Mas, ser lido.

21. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

PERSEVERANÇA! Esta é a principal palavra que norteia meus caminhos. E a outra, não menos importante é FÉ.
E esta fé não é apenas acreditar em um Deus, ou deuses, como muitos. É acreditar em si mesmo. Tudo é possível quando acreditamos em nós.
Para aqueles que querem escrever, leiam. Leiam muito!
Isso nos ajuda a compreender e nos aperfeiçoar.
A crença em nossas potencialidades não deve se transformar em arrogância. Precisamos estar sempre progredindo, estudando, nos melhorando a cada passo dessa nossa estrada.
Isso me faz colocar todos os anos em meu caderno de metas a palavra HUMILDADE. É preciso tê-la para saber que sempre podemos subir mais um degrau. E que não somos melhores que ninguém. Ao contrário disso, quanto mais sabemos, mais responsabilidade temos.
Continuem firmes, sempre!


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