É proibido sorrir – Esther Lya Livonius

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O Livro É Proibido Sorrir de Esther Lya possui uma capa e diagramação única, que merece considerações antes mesmo de comentar sobre a trama em si.

Sabe-se que não se deve julgar um livro pela capa… E é verdade, na maioria dos casos.

É Proibido Sorrir, porém, já me conquistou pela força da capa e o misto de sentimentos que a visão da mesma me causou, antes mesmo de que a leitura revelasse algo sobre o enredo, propriamente dito.

É aquele livro que a julgar pela capa, seria forte, revelador e que prometia desmistificar a eterna luta pelo poder, baseado na disputa entre os sexos.

A ilustração de capa tem como foco não uma mulher completa e sim a região da sua boca.

Aquele que olhar a capa de longe, talvez na vitrine de uma livraria ou rapidamente, sem se ater aos detalhes, talvez nem perceba a força desta capa.

A boca de grossos lábios, com um batom violácio, quase negro.

Há se observar um traçado desigual sobre eles, mas nada que justifique o titulo, afinal, a mulher não sorri… Porque então, dizer que sorrir era proibido?

Certo? Então, vamos olhar mais de perto.

 Examinando é que não apenas vemos, mas podemos entender e sofrer o impacto causado pela descoberta: a boca não é de lábios grossos, sensuais… Não, ela está inchada.

 E não! Não está com batom, ao contrário!

Coberta de sangue e costurada por uma linha que perfura a mulher, trespassando lábios superior e inferior. Por que tamanha crueldade?

 Porque É proibido Sorrir.

Um livro que não é para ser compreendido de longe e sim, examinado bem de perto, ainda que doa a constatação dos fatos.

E concluímos que nenhuma outra imagem serviria tão bem quanto esta, que possui a força de moldura para a história que conheceremos nas páginas deste Romance.

Seria um livro de ficcção não fosse realidade em tantos países, ainda hoje, em pleno século XXI.

Com a ideia original de que sorrir é uma poderosa sedução feminina, a autora questiona que sorrindo a mulher não só é capaz de eternecer, mas transmitir uma verdade através do sorriso.

A mulher seduz ao homem pela boca. O poder de um simples sorriso

O livro não é apresentado numa sequência cronológica tradicional.

Cada capítulo conta trechos das histórias dos personagens e aos poucos, revela trama e subtramas que se entrelaçam e de uma forma ou de outra, contando para o leitor as trajetórias de Brandon e Leya e de outros personagens cujas histórias acabam fazendo parte da vida deles.

A abertura do livro inicia com uma canção:

* Lilium-Elfen Lied (abertura) *

Os iusti meditabitur sapientam

(A boca do justo legará a sabedoria)

Et Lingua eius loquetur indicium

(E tua língua proferirá o julgamento)

Beatus vir qui suffert tentationem

(Bem aventurado o homem que suporta a tentação)

Quoniam cum probates fuerit accipientcoronam vitae

(Pois uma vez provado ele receberá a coroa da vida)

Kyrie, ignis divine, eleison.

(Ó senhor, fogo divino, tende piedade).

O quan sancta quam serena

(Ó, quão sagrada e serena).

Quan benigma quam aamoena

(Quão benevolente e amavél és)

O Castitatis lilium

(Ó Lirio da castidade)

O inicio da história de Leya conta quando a jovem se aproxima da Praça Vermelha, mais precisamente da estátua onde Eric Desadrohi, montado num grifo, revelava o poderio da força do homem.

Porque ela estava lá? Bem, isso nós conheceremos mais à frente.

O que importa era que ela estava lá, sobre os ladrilhos da Praça Vermelha,quando observa ao longe um jovem casal ,sendo que a mulher, numa atitude de extrema imprudência sorri para seu amante.

Em seguida, o que Leya presencia a deixa estarrecida.

Uma cena que não deveria ser vista por ninguém, muito menos por uma jovem menina, ainda com doze anos: a guarda dos Vis persegue e ali mesmo, mutila a jovem mulher, costurando-a na boca.

Mas, Leya não fora a única que presenciara tamanha atrocidade. Um rapaz, também com idade proxima a Leya, vê a cena se desenrolar e antecipando o que seria o desenrolar dos fatos, tenta interceder, distraindo o Vis.

No inicio o vis chega a duvidar de Brandon, intuiindo alguma manobra, mas acaba se convencendo quando Brandon, com as bochechas coradas, revela que o que desejava saber: quando seria o proximo dia de Compra.

Então, outra cena surge e agora conhecemos Joanne, que vai até um muro de pedras, onde várias frases estão escritas, entre elas palavras do Proprio Eric Desadrohi, o líder da política vermelha.

Um par de asas vermelhas, símbolo da Politica Vermelha, está ali.

O braço da menina passa pelo buraco e logo se ouve um clic, revelando a grande ironia… O simbolo vermelho escondia uma passagem interna, onde as fracas luzes nternas indicavam palavras em azul.

Joane conduz a costurada por dentro do tunel e a deixa numa sala, prometendo voltar com ervas especiais- para curá-la.

Ao chegar à feira pede para Megan a Ração para Quokka-codinome para costuradas.

Joane volta para o esconderijo quando observa a mulher sendo arrastada oelos cabelos.

Numa cena pavorosa, em dado instrante a mulher retira o fio que lhe cerra os lábios e grita:

-Liberdade Azul!Lute!

Os quatorzes vis a cercam e um deles dá um tiro na mulher que cai morta, ao solo.

Em nova cena conhecemos agora a história de Suzanne.

Suzanne é uma mulher infiltrada no grupo dos Vis, a força da supremacia masculina e que cuida para que a Politica Vermelha prevaleça.

 Ao lado de seu amor, Ethan, eles arquitetam um plano que infelizmente, não funciona e o vis “o senhor das sombras” acaba por atirar em Ethan. Na hora derradeira de seu amado, Suzanne abandona o disfarce, e vai para junto de Ethan.

Ethan sente a hora de sua morte de aproximar e recita versos daquele poema de abertura… E pede para Suzanne cuidar da filha do casal, Liliam, além de lutar pela força MUREX! Lutar pela força azul!

Voltando a Brandon, ele estudava os livros da politica vermelha, e sentia-se enojado com aquilo… Nao era por que fosse filho de Collins que compactuava com as ideias de seu pai.

Ele é chamado e de repente, diante deles, está uma costurada e uma menina… Joane, que ele reconhece por ter visto na praça, ajudando uma costurada. Agora a mãe dela fora vendida e a menina era o “brinde”.

Estrategicamente, Brandon disse que ficararia com a menina e que a ensinararia alguma coisa, porque filha de uma Costurada teve péssima influência materna. Sua postura agrada seu pai.

Depois ela explica a ele o que acontecera na praça, e das ervas, e assim os dois tornam-se aliados… Porém, chega finalmente o dia de Joane completar 18 anos e ser vendida na praça.

Era dia da Compra e nesse dia, Leya seria vendida na praça igualmente… O que ela mais desejava era que Leonard, seu amor, a comprasse, mas ele não apareceu.

Angustiada, foi empurrada por um Vis para o interior de um carro.

 O homem perguntou a ela, depois de pagar porsua compra, se ela sempre fora morena algum dia. Ele pretendia comprar Joanne.

Diante dele estava Leya.

Ao chegar a casa, ele simulou praticar o ato sexual com ela, até que o pai dele deixou-os a sós…

E por fim, eles perceberam que terrivel coincidência: nenhum deles estava com o par pretendido. Ainda assim Brandon respeitou Leya, principalmente porque compartilhavam do mesmo principio: a luta pela força azul!

Essa é uma pequena introdução para um romance que soube aproveitar pouco mais de 200 páginas para através de uma intrincada rede de personagens e histórias que se entrelaçam trabalhar uma importante ideia-não o conceito de feminismo, como muitos podem acreditar ser esse o tema subliminar deste livro.

Não! A ideia aqui é a igualdade entre os sexos, é a força de lutar juntos e principalmente a força de um amor que pode mudar qualquer politica, abandonando de vez o preconceito, instaurando a paz e a harmonia.

 Um livro excelente, cuja principal força está na mensagem e nas reflexões que ela pode-e deve- fomentar…

                         Resenha de Michelle Louise Paranhos, resenhista do Arca Literária

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