Dois Mundos – Simone O. Marques

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Tenho aprendido a não abandonar leituras quando, no começo, se mostram chatas, cansativas, entediantes. Não é um exercício fácil, confesso, mas tem me trazido bons resultados. Tem histórias que demoram a pegar ritmo, porém durante o desenrolar torna-se agradável. Aconteceu com este livro que terminei recentemente. Trata-se de “Dois Mundos”, o primeiro volume da série Tesouros da Tribo de Dana, escrito pela paulista Simone O. Marques. A capa tem um acabamento muito bonito.  Foi publicado no ano de 2016 pela Editora Butterfly. Tem 253 páginas.

Considero o gênero distopia um dos mais difíceis de serem trabalhados. O autor ou a autora precisa ter muita inspiração e imaginação para conseguir produzir algo do tipo com qualidade. Alguns(umas) infelizmente terminam por se perder totalmente fazendo “viagens” muito loucas e constroem enredos que ficam sem qualquer significado ao final. Não é o caso, contudo, desta obra.

A narrativa se desenrola no ano de 2021. Uma catástrofe causada pela terceira onda deixou o planeta devastado. Os seus poucos moradores restantes labutam para manter sua sobrevivência. Há escassez tremenda. No Brasil há grupos que habitam em vilas, próximas de onde existe água potável. Parte dos personagens da saga vive na Chapada dos Veadeiros, na Fazenda Tribo de Dana situada no estado de Goiás.

Marina sentiu um frio percorrer sua espinha, como se um vento gelado tivesse acabado de passar por ela soprando com força. O som aumentou e, antes que conseguisse entender o que havia acontecido, notou que Brian a abraçava com força e a protegia com seu corpo; depois, ouviu o som ensurdecedor de algo despencando.

Marina é uma bela jovem que carrega em si os poderes de três deusas celtas. Desde muito pequena vive cercada de cuidados (chamam-na de pequena deusa) e se sente sem privacidade. É protegida por guerreiros, chamados de Sombras, que a defendem com suas próprias vidas e entre esses valentes, estão os jovens Brian e Artur.

Num dia em que Marina resolveu provar para os rapazes que possuía condições de tomar conta de si, acabam por se meter em confusão e abrem um portal que os leva para outro mundo. A partir desse instante os três irão se deparar em situações de extremo perigo, e em meio a muitas aventuras, vão ter que lutar com estranhas criaturas se quiserem permanecer vivos.

Os dois garotos são muito dedicados à moça. Na posição de protetores eles precisam ter essa postura. Um deles, porém vive um risco. Brian possui sentimentos pela Marina e sabe que isso não tem a menor possibilidade de acontecer. Algumas vezes os seus corpos ficam próximos e o rapaz precisa manter o controle. Brian é o personagem que mais me agradou nesse primeiro livro. Pela sua personalidade. E por… sem spoilers, rsrsrsrsrs.

Paralelo a isso, temos outro personagem importante. Pedro é um cara corajoso, determinado, que sempre foi chamado pelos amigos e pela família de “maluco” porque ele ter visões com certa garota, que somente ele conseguia ver. Sente que não é apenas uma visão e que de alguma forma precisa encontra-la.  Trata-se de Marina.

Em um desses sonhos, Pedro recebe o aviso que ela corre grande perigo. Resolve ir procurá-la. Pede um veículo emprestado ao tio, mas não contava com a “ajuda” extra que receberia. Como ninguém mais pode saber da localização da fazendo, o rapaz precisa despistar as companhias que seguiram viagem com ele. Na viagem terminar por conhecer Liban, uma garota especial.

Senti certa dificuldade no início de mergulhar na história. A narrativa não me despertou interesse; achei muito tudo muito lento, sem ritmo, sem graça. A personagem Marina me pareceu antipática e chata. Com o desenvolvimento, a história foi melhorando, tornou-se mais envolvente. Mas a Marina… continuou chatinha.

A história segue uma sequência lógica. A autora conseguiu conduzir com tranquilidade a narrativa.

Aguardo a continuação para ver o que de interessante e atrativo a Simone O. Marques acrescentará à saga.

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5 Comentários

  1. Parece legal, eu acho sempre interessante essas histórias que falam sobre o futuro e um futuro diferente, geralmente chama atenção para as ações do homem.

    Parabéns pela resenha.

  2. Parabéns pela sinopse, concordo com você sobre distopia, o autor tem que saber muita coisa da sua própria história.

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