Diga aos Lobos que estou em casa – Carol Rifka Brunt

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“Diga aos lobos que estou em casa” é um livro tocante e lindamente triste, que fala sobre perda, sobre recomeço e sobre perdão. Mas acima de tudo é um livro fala sobre o amor. Enganam-se aqueles que acham que o livro fala sobre o amor “cor-de-rosa” entre um homem e uma mulher, o livro fala sobre uma forma de amor superior, algo sublime, aquele amor que transcende a matéria, aquele tipo de amor que não pede nada em troca, que simplesmente existe.

A trama de Diga aos lobos que estou em casa se passa no ano de 1987, nessa época a AIDS ainda era uma doença nova e um tabu. Os poucos recursos e a falta de informação tornavam a estimativa de vida de uma pessoa que possuía o vírus muito baixa. E é para essa doença que June, nossa protagonista, perde seu tio, Finn.

Finn era um pintor profissional reconhecido, que adorava bules de chá e era gay, além disso, era tio, confidente, melhor amigo e o amor de June. Descobrir que seu tio, a pessoa em quem ela mais confiava estava doente, faz seu mundo desabar. Aqui tenho que fazer uma ressalva, o fato da autora trabalhar brilhantemente na construção da trama e dos personagens, fez com que eu enxergasse essa relação como algo sublime. Acredito que tenha sido na medida certa, nem de mais nem de menos, uma relação de alma e nada incestuosa. June nutria uma espécie de sentimento de posse por seu tio.

June é uma garota tímida e solitária, que tinha na figura de seu tio um porto seguro, alguém que a fazia se sentir especial, ela realmente sofreu uma grande perda com a morte do tio. Agora terá que descobrir através de Toby um lado desconhecido de Finn. Toby é um estranho que aparece no dia do enterro de seu tio. Mas tarde June vem a descobrir que ele era namorado de Finn, e é considerado por sua família o responsável pela morte de seu tio, uma vez que Toby também tem AIDS.

June e Toby compartilham a dor da perda de Finn, e o sentimento que surge entre os dois é sincero e delicado. Essa relação baseia-se na possibilidade de encontrarem conforto um no outro e um motivo para seguirem em frente. Sentimos e vivenciamos a evolução e o amadurecimento de June, uma adolescente de 14 anos, no decorrer da história.

A narrativa é em primeira pessoa sob a perspectiva de June, é repleta de detalhes e sentimentos. O fato de o livro possuir por volta de 460 páginas, com capítulos longos e ainda ser uma leitura densa e um tanto triste, nos dá a impressão que a leitura não rende, o que a princípio pode parecer desanimador. Mas a condução da história nos mostra que vale muito a pena vencer essa barreira e persistir na leitura.

Uma leitura agradável e tranquila, que cumpre muito bem a sua função de emocionar e fazer com o que o leitor reflita sobre vários aspectos da vida. Se você está procurando uma leitura cadenciada e ao mesmo tempo tocante, eu recomendo Diga aos lobos que estou em casa.

 Resenha de Patty Santos, resenhista do Arca Literária Coração de Tinta

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