Diante do Nada – Oscar Niermeyer

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Fiquei surpresa com a leitura deste livro, imaginei inicialmente que fosse uma leitura complicada ou até mesmo chata. Me enganei! Gostei muito da oportunidade de ler e recomendo de cara a todos os que queiram saber de forma lúdica um pouco de nossa história.

O livro tem um formato diferente do costumeiro, é quadrado, paginação branca e macia, papel couchê, e as folhas são costuradas, isso já mostra a sofisticação e reverência ao ilustre escritor que também foi nada mais nada menos que o maior arquiteto do mundo.

Outra coisa que chama atenção na montagem do livro são as imagens, todas feitas com os riscos inconfundíveis de Niemeyer sempre acompanhando a narrativa. Como o próprio Oscar fala ele não teve nenhuma preocupação literária, o que fez muito bem e transformou seu conto em algo bem atrativo.

A história ocorre durante a ditadura com as lutas de classes e perseguições políticas. Toda perseguição sofrida pela população das grandes capitais, principalmente professores e estudantes das universidades.

Way, professor universitário, se depara com uma grande decisão, a de fugir e se exilar no exterior ou se distanciar o máximo possível dos movimentos e ir morar em uma longínqua cidade interiorana chamada Coqueiral. Em Coqueiral Way tenta, sem muito êxito, se submeter à vida pacata do interior, faz amizades e logo começa a realizar uma militância onde seus seguidores eram os pacatos moradores da cidade que desconheciam toda a verdade sobre os acontecimentos que giravam em torno da ditadura.

Sabino, um frei totalmente conhecedor do movimento que, por causa da religião, preferira se abster de tudo era o melhor amigo de Way, ao meu ver era seu equilíbrio pois Sabino quase sempre o trazia à razão sobre suas ações.

O que nos mostra a riqueza da narrativa quando o autor não se absteve de trazer-nos questões como a natureza, a fuga dos perseguidos, as militâncias, a igreja progressiva e abstemia da realidade, a oposição, militarismos, dentre outros temas que abarcaram todo momento que girou em torno da ditadura militar.

Particularmente curti muito a leitura como sou formada em Ciências Humanas acabei vivendo a história de um ponto de vista diferente. Observei nomes como o de Gregório que me lembraram do comunista Gregório Bezerra, preso e torturado durante o regime militar. O que nos mostra o nível de conhecimento do autor.

O “eu-arquiteto” de Niemeyer não ficou de fora quando o mesmo reverenciou a natureza em todos os seus aspectos, mar, tempestades, dia de sol, etc.

Fim trágico? Não acredito! Creio que o autor ao descrever o final de seus personagens mostrou com uma lenda local que aquilo ainda não havia terminado e que ainda teríamos muita história pela frente, afinal de contas o Brasil narra sua história e a história de muitos Way’s guerreiros e militantes.

Resenha de Ceiça de Carvalho

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